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Existe algo mais azarado do que ter o seu ex como parceiro de negócios?
Passei o dia inteiro fazendo a transição com o responsável do Grupo Almeida. Com o escândalo da festa de noivado ainda repercutindo, as duas empresas pareciam não tirar os olhos de cima de mim e de Lucas.
Felizmente, eu e Lucas ainda mantínhamos certa sintonia profissional. Tirando o constrangimento, o trabalho fluiu bem. Afinal, antes de me formar, eu estagiei na empresa dele. Foi naquela época que aprendi a beber por ele e a assumir toda a carga de trabalho.
O tempo passou tão rápido.
A parceria foi um sucesso, e alguém sugeriu sairmos para jantar. Sentada em um canto, fiquei observando a silhueta de Lucas, um tanto distraída. Com aquela expressão levemente franzida, ele provavelmente estava com dor de estômago de novo.
Giovanna, sentada ao meu lado, sussurrou no meu ouvido: "Ainda olhando para o Sr. Lucas? Apostei com eles que você ficaria com o Dante. Se continuar olhando assim, eu vou acabar perdendo a aposta."
Desviei o olhar. "Que tédio."
"Não, sério, o que você está pensando? Só eu apostei em você e no Dante. Vi as notícias e acho que o Dante não perde em nada para o Lucas."
"Você não tem medo do Dante?" Perguntei a Gio, aproveitando o momento de ócio. "Ele é agressivo, perde a paciência por qualquer coisa. Por que quer tanto que eu fique com ele?"
"O que tem ele ser agressivo? O que você prefere: um homem que é bruto com todo mundo, mas gentil só com você, ou um homem que é gentil com todos, mas bruto com você?"
Fiquei em silêncio.
A reputação de Dante não era das melhores. Aos dezesseis anos, ele empurrou a amante grávida do pai escada abaixo, causando um aborto espontâneo, e quase atacou o próprio pai com uma faca. Cruel e implacável, diziam.
Além disso, ele era imprevisível, agia por conta própria e resolvia tudo na base da violência. Por isso, mesmo que a Família Cavalcante fosse tão poderosa quanto a Família Almeida, ninguém ousava se aproximar. Todos temiam o poder e o temperamento explosivo de Dante.
Mas ele era bom para mim. Além das duas brigas que presenciei, não vi outro comportamento terrível vindo dele. Ouvir Giovanna elogiá-lo era, no mínimo, raro.
Tomei um gole de chá. "É, o Dante não é uma pessoa ruim, mas não há chance entre nós."
"Não brinca! Você ainda gosta do Lucas?" Gio arregalou os olhos. "O Dante é tão digno de pena assim?"
"Quem disse que eu ainda gosto do Lucas?"
Pousei a xícara, prestes a explicar, quando uma voz fria veio de trás: "Beatriz, venha cá fora um instante."
Gio ficou incrédula, e eu, surpresa. O que Lucas queria comigo?
Não querendo ser o centro das atenções, levantei-me e o segui. Lucas parou na minha frente; em seu rosto atraente, ainda era possível ver os vestígios da briga daquele dia.
Hesitante, perguntei: "Lucas, aconteceu algo?"
Ele franziu a testa e estendeu a mão. "Onde está o remédio?"
"Hã?"
Demorei a entender, e então o ouvi soltar um suspiro pesado, quase entre dentes: "Você sempre trazia o remédio de estômago para mim nesses jantares. Beatriz, você se esqueceu de mim tão rápido?"
Reprimi a irritação crescente. Mantendo a calma, respondi: "Se não está se sentindo bem, vá ao hospital ou ligue para a sua noiva. Lucas, eu sou a última pessoa que você deveria procurar."
Vindo me procurar a essa hora, o que ele pensava que eu era? Que eu continuaria orbitando ao redor dele só porque o amei um dia?
"Bia." Lucas se aproximou de repente, seus olhos tingidos de melancolia. "Não se afaste de mim, eu..."
Ele baixou a cabeça, parecia um pouco embriagado. O rosto pálido estava levemente corado, e ele parecia confuso. Tentou segurar minha mão, mas alguém interveio.
Isadora agarrou o braço de Lucas, me encarando com desconfiança. "Beatriz, eu sabia que você não ia se comportar. Meu noivado com o Lucas já foi anunciado ao mundo todo. Não seja desavergonhada ao ponto de tentar roubar o meu homem. Amanhã mesmo eu faço todo mundo saber que você é a amante!"
Diante daquela pose vitoriosa de Isadora, retruquei sem hesitar: "Isadora, você acha que todo mundo é sem moral e sem limites como você? Se você gosta de ser a 'outra', continue no seu papel e pare de me amolar. Afinal..."
Sorri com desprezo. "Quem tem olhos sabe que, nos últimos seis anos, a noiva de Lucas era eu, não era?"
Isadora, atingida em seu ponto fraco e aproveitando que Lucas estava bêbado e semiconsciente, me encarou com fúria: "Se você não tivesse aparecido, a noiva dele sempre teria sido eu! Beatriz, você é a descarada que roubou meu status! Até o título de primogênita dos Vasconcelos deveria ser meu!"
PAFT!
A raiva que guardei por dias finalmente explodiu. A marca dos meus dedos surgiu instantaneamente no rosto dela. Encarei-a com frieza: "Eu estava louca para te dar esse tapa!"
"Eu sou filha desta família por direito, não te devo nada. Se existe alguma dívida, é da Família Vasconcelos para comigo! Foi você quem usurpou meu lugar por todos esses anos! Com que autoridade você vem gritar comigo? Se eu tolerei o favoritismo dos nossos pais, foi por gratidão por terem me dado a vida. Mas você? Você não é nada!"
"Beatriz! Sua desgraçada!" Isadora, que nunca fora tão humilhada, avançou para me bater. Mas, como Lucas estava bêbado, ela teve que segurá-lo e acabou aceitando o tapa sem revidar.
Sentindo-me um pouco melhor, dei as costas para os dois. Mandei uma mensagem para Gio e abandonei o jantar.
Que aquele casal de lixo suma da minha frente.