《Troca Cruel: Nos Braços do Inimigo》Capítulo 5

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Eu precisava voltar para casa, mesmo sabendo que, apesar de ter sumido por cinco horas da festa de noivado, não recebi sequer uma ligação de preocupação da minha família.

Assim que cheguei, antes mesmo de entrar, ouvi o soluço baixo de Isadora: "A culpa é toda minha. Se não fosse por mim, a Bia não teria deixado o Dante causar aquela confusão hoje".

"Aquela insolente! Quando foi que ela se envolveu com aquele marginal dos Cavalcante?" Meu pai gritava furioso, batendo na mesa. "Quando foi que a nossa família se misturou com gente desse tipo? Isso é pura decadência!"

Não consegui me conter e abri a porta. "Pai, não fale assim do Dante. Ele é um homem bom".

"Você diz que o Dante é bom? Bia, você ficou louca?" Helena, que estava abraçada a Isadora para consolá-la, levantou a cabeça bruscamente e apontou para mim. "Você nos decepcionou demais. Se estava se sentindo injustiçada, deveria ter falado. Por que se rebaixar a esse ponto e se envolver com o Dante? Veja o estado em que você deixou o noivado hoje!"

Eu não queria explicar o que houve no noivado, mas também não admitia ouvir meus pais falarem mal do Dante.

Então, pela primeira vez na vida, eu, que sempre fui a filha obediente, não aguentei e rebati: "Mãe, o Dante não é uma pessoa ruim, e eu não me rebaixei! Ou melhor, são vocês que estão sempre rebaixando a própria filha, não é?"

"O Lucas trocou de noiva de última hora e vocês, em vez de impedirem, apoiaram silenciosamente só porque a escolhida era a Isadora, não foi? Vocês nunca me viram como filha, são vocês que estão me desvalorizando..."

PAFT!

Um tapa caiu sem aviso no meu rosto. Recuei cambaleando e encontrei o olhar de satisfação maliciosa da Isadora.

Bernardo recolheu a mão com indiferença, mantendo uma expressão fria. "Você é a irmã mais velha. Como passou tantos anos perdida até ser encontrada, sempre sentimos culpa em relação a você. Mas não imaginávamos que essa culpa te tornaria tão mimada. Erramos, mas você não pode tratar sua irmã dessa maneira. Exigimos uma explicação plausível para isso".

Segurei meu rosto, ouvindo o que ele tinha a dizer em seguida: "Você vai publicar um comunicado dizendo que a Isadora e o Lucas sempre se amaram. Dirá que você perseguiu o Lucas por muito tempo, mas, percebendo que era impossível, decidiu desistir e quis fazer uma surpresa para a Isadora no noivado. Quanto ao Sr. Dante, dirá que tudo não passou de um mal-entendido".

Eu não conseguia acreditar. Publicar um comunicado desses seria o mesmo que admitir que eu era a amante, a terceira pessoa da história.

Bernardo realmente esperava que eu fizesse isso?

Helena se aproximou com uma expressão de dificuldade. "Bia, não tem outro jeito. Ambas são nossas filhas, mas a Isadora vai se casar com um Almeida. Você é a irmã mais velha e deve pensar no bem dela. Não podemos deixar a reputação da Isadora manchada dessa forma..."

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Senti vontade de rir. Do começo ao fim, eles consideraram meus sentimentos por um momento sequer?

Só porque sou a irmã mais velha, devo ceder e suportar tudo todos esses anos?

"Mãe, é essa a compensação que vocês me prometeram? Compensar sacrificando a minha própria felicidade?"

Sorri com amargura. "Ninguém pode ser humilhada por vocês para sempre. Eu não vou publicar comunicado nenhum. É impossível".

"Sua insolente! Isso é um aviso, você acha que estamos negociando?"

Bernardo tentou me dar outro tapa, mas Helena o segurou, olhando para mim de forma hesitante: "Acalme-se, realmente não fomos cuidadosos. Bia, vá descansar, vamos reconsiderar o assunto".

Não disse nada e entrei no meu quarto.

Não sei quanto tempo passou até que o barulho no andar de baixo cessasse. Meu rosto inchado doía horrivelmente, então fui até a geladeira buscar gelo para fazer uma compressa.

"Bia." A voz da minha mãe surgiu atrás de mim. Ela segurava uma tigela com ovos cozidos e me fez sentar no sofá. "Seu pai pesou a mão hoje, peço desculpas em nome dele".

Fiquei em silêncio. Ela começou a descascar um ovo, envolvendo-o em uma gaze para aplicar no meu rosto enquanto murmurava: "Nossa Bia é tão linda, precisa cuidar desse rosto. Seu pai exagerou, vou brigar com ele assim que ele se acalmar".

"Mãe, se vocês não gostam de mim, por que me trouxeram de volta?"

Finalmente não aguentei e perguntei, encarando o ovo na tigela.

Gostar do Lucas e voltar para a família Vasconcelos era uma coisa, mas, mais importante que isso: se eles não tivessem me procurado, eu nunca teria voltado.

Helena parou por um instante, largou o ovo e segurou minha mão, tentando me consolar suavemente: "Você sofreu hoje, mas seu pai e eu gostamos de você sim. Se não gostássemos, não teríamos feito tanto esforço para te encontrar..."

"Mas, Bia... ambas são nossas filhas, o que poderíamos fazer?"

"Vi que aquele Dante parece gostar de você, mas a família Almeida é diferente. Se algo acontecer com a Isadora e ela for desprezada depois de entrar para os Almeida... o que faremos?"

Baixei a cabeça e permaneci em silêncio por um longo tempo. Eu realmente achei que minha mãe estivesse considerando meus sentimentos.

Mas, no fim das contas, ela só queria me amolecer para que eu cedesse.

Retirei minha mão da dela e a encarei: "Mãe, você já pensou na possibilidade de eu não ficar com o Dante? E se eu me casar com um Cavalcante e também for desprezada?"

"Como isso aconteceria? Aquela gente dos Cavalcante é toda desajustada..."

No calor do momento, o que Helena quase deixou escapar me gelou o coração completamente.

Era verdade. Embora os Cavalcante fossem poderosos, eram como lobos solitários, não se aproximavam de nenhuma outra família, e as relações internas deles eram um caos absoluto.

Ou seja: mesmo que eu publicasse o comunicado, confirmasse que eu era quem tinha interferido entre Lucas e Isadora e depois entrasse para os Cavalcante com a fama de "outra", eles não teriam moral para me desprezar, já que a própria família deles era uma bagunça.

Levantei-me. "Mãe, vou dormir. A senhora deveria descansar também".

"Bia, eu te peço, por favor." Vendo minha determinação, Helena finalmente apelou: "Todos esses anos, nós te demos a melhor educação. Você é forte e competente, consegue se virar em qualquer lugar. Mas e a Isadora? Ela foi criada como uma princesa. Em uma família como a dos Almeida, qualquer deslize e ela será destruída! Não podemos arruinar a reputação dela!"

Parei por um segundo. Eu deveria estar furiosa, mas de repente tive vontade de rir.

Horas atrás, o que o Dante tinha dito mesmo?

Ele certamente estava cego.

Que história de "delicada". Eu, Beatriz, não sou nada delicada.

Esfreguei meus olhos cansados. "Mãe, quando a senhora se colocar no meu lugar e pensar na minha situação, aí poderemos conversar sobre isso. Não vou mais me sacrificar para fazer o que vocês querem".

Coloquei o ovo de volta na tigela. "Porque, não importa o que eu faça, vocês acham que é obrigação minha. Vocês nunca pensaram nos meus sentimentos, não é?"

Helena ficou sem palavras. Voltei exausta para o meu quarto.

Tive uma noite de insônia. Quando acordei no dia seguinte, minha cabeça latejava, mas o trabalho não podia parar. Arrastei meu cansaço e fui para a empresa.

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