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"Você ainda gosta daquele tal de Lucas, mesmo depois de tudo?"
Na praia deserta, Dante lembrou do que eu tinha acabado de dizer a Lucas e passou a mão pelo cabelo, visivelmente irritado.
"Mulher, eu te defendi com toda a autoridade na frente de todo mundo, e você ainda vai lá e dá os parabéns para o Lucas?!"
Dante estava furioso. Para ele, Lucas era um cafajeste e eu não deveria ser tão gentil com ele. Um tapa não era suficiente; ele achava que Lucas deveria ter apanhado até implorar por misericórdia.
Sentada em uma rocha à beira-mar, soltei um suspiro cansado. "Não pretendo mais gostar dele. Eu não sou tão patética a ponto de continuar insistindo nisso depois do que aconteceu hoje. Só queria... dar um encerramento para todos esses anos de dedicação."
Falei de forma casual, mas a dor no meu coração era densa, como se estivesse se infiltrando da corrente sanguínea até a medula dos ossos. Arrancar da vida alguém que você amou por tantos anos é como ser esfolado vivo.
As latas de cerveja ao meu lado se acumulavam, mas a sensação de dor não diminuía nem um pouco.
"Vou acreditar na sua conversa fiada por enquanto." Dante chutou uma pequena pedra e sentou-se ao meu lado. "O que planeja fazer daqui para frente?"
"Não quero mais voltar para a empresa."
Onde trabalho agora é na empresa da família Vasconcelos, que ainda tem parcerias com Lucas. Eu não quero mais vê-lo.
Ao ouvir isso, Dante se aproximou de mim, com seus olhos sedutores brilhando. "Isso é ótimo. Então, que tal vir trabalhar na minha empresa?"
Antes que eu pudesse responder, ele balançou a cabeça negativamente.
"Não, melhor não. Você é tão delicada... acho que prefiro sustentar você. Bia, quer que eu cuide de você?"
No meio da frase, Dante encostou-se em mim descaradamente.
Amassei a lata de alumínio na minha mão e o empurrei. "Você tem algum mal-entendido sobre mim? Eu, Beatriz, delicada?"
Dizer que Isadora é delicada faria sentido, mas eu, que rastejei e lutei por tantos anos, nunca tive nada a ver com essa palavra.
Dante respondeu com naturalidade, como se não houvesse nada de errado no que disse: "Mas você é delicada, sim. Tem uma aparência que dá vontade de proteger."
Dito isso, ele me deu um grande sorriso. "Bia, desde a primeira vez que te vi, senti que você também merecia ser mimada por alguém."
Fiquei paralisada por um momento e desviei o olhar, sem jeito. "Não venha com essas táticas de sedução para cima de mim."
Levantei-me, recolhendo as garrafas de cerveja vazias, e acenei para ele. "Obrigada por hoje. Te devo um favor, retribuo quando tiver chance."
Dante me segurou rapidamente, olhando-me fixamente. "Bia, eu não estou tentando te seduzir, estou falando sério!"
"Sim, obrigada pela sua seriedade." Suspirei suavemente e afastei o braço dele de forma discreta. "Dante, você é uma pessoa muito, muito boa, mas nós não combinamos. Mas, de verdade, obrigada por hoje."
Se não fosse por ele, eu realmente poderia ter desmoronado e feito algo ainda mais humilhante. Mas Lucas e Isadora simplesmente não mereciam esse esforço. E, claro, eles também não mereciam que Dante sujasse as mãos com eles.
Dante olhou para mim, e aquela fúria difícil de conter começou a transparecer novamente. "Nossa, em toda a minha vida, essa é a primeira vez que alguém me dá um fora com o papo de 'você é uma pessoa boa'. Beatriz, eu sou um cara mau. Não tem medo de que eu me vingue se não me aceitar?"
Joguei o lixo na lixeira. "Dante, você não é tão imaturo assim. O que dizem por aí são apenas preconceitos sobre você."
Dante permaneceu em silêncio, mas quando me virei para ir embora, ele me segurou novamente. "Bia, eu sei o que você está pensando. Eu realmente não me importo com o que houve entre você e o Lucas. Você deveria se dar uma chance."
Fiquei em silêncio por um longo tempo, sem responder.
Na verdade, quando você gosta de alguém por muito tempo sem ser correspondido, chega um ponto em que você já não sabe se é amor ou apenas a obsessão pelo que não pode ter. Mas, independentemente do que fosse, eu não poderia simplesmente ficar com o Dante. Não seria justo; ele merece alguém melhor.
Então me virei e balancei a cabeça para Dante. "Deixa para lá. É isso, vou para casa!"
Dito isso, segui meu caminho sem olhar para trás, deixando a silhueta solitária de Dante para trás.