Valentina sobressaltou-se, deixando o celular cair no chão.
Ela virou-se assustada e viu Bernardo entrando a passos largos.
— Ber... Bernardo? — Seu coração disparou, mas ela forçou um sorriso para manter a calma. — O que faz aqui? Poderia ter avisado, eu...
Suas palavras foram interrompidas. Bernardo já estava diante dela e, com uma mão forte e carregada de uma força assustadora, agarrou-a pelo pescoço!
— Uh!
Valentina foi pega de surpresa e prensada contra a parede fria. O impacto de sua cabeça contra a alvenaria a deixou zonza.
A asfixia veio imediatamente; ela arregalou os olhos aterrorizada, tentando em vão soltar a mão de Bernardo.
— Ber... Bernardo... solte... o que está fazendo... — ela tentava falar, mas o rosto ficava vermelho pela falta de oxigênio.
Bernardo a olhava de cima com um olhar gélido, sem qualquer sinal de humanidade, apenas com uma fúria e sede de vingança implacáveis.
— Você está procurando a morte.
As palavras saíram de entre seus dentes com um frio gélido.
Valentina ficou apavorada com a intenção assassina em seus olhos, mas logo uma inveja e loucura ainda maiores surgiram.
Era pela Leticia! Ele estava realmente fazendo isso por aquela maldita!
— Ha... haha... — ela começou a rir de forma distorcida e pela falta de ar. — Bernardo... agora você sente dor por ela? É tarde! Eu te digo... o que eu não tenho... ninguém terá! Eu quero que ela morra!!
Ela gritava com o rosto deformado pelo ódio. A mão de Bernardo apertou ainda mais!
— Se você tocar em um único fio de cabelo dela — a voz de Bernardo era baixa, mas muito mais aterrorizante que antes —, eu farei você desejar nunca ter nascido.
— Então tente! — Valentina arfava com o olhar insano.
— Se você me tocar... eu mando alguém tocar nela! Você pode protegê-la agora, mas pode protegê-la a vida inteira? Bernardo, a menos que você não saia do lado dela nem por um segundo, eu sempre encontrarei um jeito!
Ela estava apostando.
Apostando no quanto Bernardo se importava com Leticia e que ele não arriscaria a segurança dela.
Bernardo encarou aquele rosto louco por alguns segundos.
Então, subitamente, ele sorriu. Um sorriso frio, cruel e carregado de desprezo.
— Você acha que eu ainda te darei alguma chance?
Ele soltou a mão lentamente. Valentina escorregou pela parede até o chão, segurando o pescoço e tossindo violentamente enquanto buscava o ar.
— O que você quer? — Bernardo a olhava como se olhasse para um lixo imundo. — O título de Sra. Bernardo? Ações da empresa? Ou que a Leticia seja destruída e saia da cidade?
Valentina ergueu a cabeça com ganância nos olhos: — Eu quero tudo! Eu quero tudo! Bernardo, eu sou a única adequada para você! Aquela Leticia...
— Continue sonhando — Bernardo a interrompeu friamente.
Ele não parou o passo, apenas deixou uma ordem gélida para o assistente que aguardava à porta:
— Limpe tudo.
— Sim, Sr. Bernardo — respondeu o assistente respeitosamente.
— Não! Bernardo! Você não pode fazer isso comigo! Meu pai não vai te perdoar! Bernardo—!! — Os gritos de Valentina foram isolados pela porta que se fechou.
Naquela mesma noite, uma notícia de última hora tomou as manchetes locais: a herdeira dos Xu, Valentina, sofreu um grave acidente de carro durante a madrugada; ela está em coma profundo e foi levada para a emergência em estado crítico.
O veículo que causou o acidente fugiu e a polícia está investigando o caso.
No hospital, Pietro viu a notícia no tablet. Sem qualquer expressão, desligou a tela e olhou para a Leticia que ainda dormia. Seu olhar suavizou-se e ele segurou a mão dela com delicadeza.
— Durma, agora está tudo bem — sussurrou ele.
Certos assuntos sujos não precisavam das mãos dela. E certas pessoas não mereciam que ela se suclasse por causa delas.
Três dias depois, Leticia saiu da fase crítica e recuperou a consciência.
No entanto, seu corpo estava fraco e precisava de repouso absoluto. Pietro não saiu do lado dela nem por um instante; deixou os assuntos da empresa para o vice-presidente e dedicou-se integralmente a Leticia: dava comida, água, ajudava na higiene e fazia massagens, cuidando de cada detalhe pessoalmente.
Leticia observava as olheiras dele e a barba por fazer. Algo em seu coração amoleceu completamente.
— Pietro — chamou ela baixinho.
— Hum? O que foi? Está sentindo algum desconforto? A cabeça dói? A mão? — Pietro aproximou-se imediatamente, preocupado.
— Estou bem — Leticia balançou a cabeça, olhando para ele. — Vá descansar um pouco, você está com um aspecto péssimo.
— Não estou cansado — Pietro segurou a mão dela e encostou-a em seu rosto. — Cuidar de você me traz paz.
Leticia não insistiu, apenas retribuiu o aperto nos dedos dele.
Mais alguns dias se passaram e o estado de Leticia estabilizou, permitindo que ela desse alguns passos fora da cama.
Naquela tarde, Pietro foi em casa buscar algumas roupas limpas e objetos de uso pessoal de Leticia.
Leticia estava sozinha no quarto, observando as folhas de plátano caindo lá fora, perdida em pensamentos. Nesse momento, ouviu-se uma batida leve na porta.
— Entre — disse ela, achando que era a enfermeira.
A porta abriu e quem entrou foi a Sra. Helena.
— Lê... — Ao ver Leticia, a Sra. Helena começou a chorar. Aproximou-se da cama, olhando para as bandagens e a palidez da filha, com os lábios tremendo sem coragem de tocá-la.
— O que faz aqui? — Leticia perguntou com surpresa e tom calmo.
— Eu... eu vim te ver... — A Sra. Helena enxugava as lágrimas, sentando-se à beira da cama com um ar hesitante e aflito.
Leticia observava-a em silêncio.
Ela conhecia bem sua mãe; se não houvesse algo a pedir, ela não apareceria ali com aquela atitude.
De fato, após hesitar por um momento, a Sra. Helena começou a falar com um tom de súplica:
— Lê... a mamãe sabe que errou com você no passado, que você sofreu injustiças... a mamãe reconhece o erro...
Dizendo isso, ela subitamente ajoelhou-se ao lado da cama de Leticia!
— Lê, a mamãe te implora, salve a nossa família! Só você pode salvar os Xu!
Leticia parou o movimento e encarou-a: — O que aconteceu com a nossa família?