A palma da mão dele estava quente e firme, carregando uma autoridade inquestionável.
Leticia foi puxada por ele e, ao observar aquela expressão de "nada é mais importante do que comer" e o urso de desenho animado ridículo em seu avental, sentiu que o gelo em seu coração, cultivado por anos de desolação, parecia ganhar uma pequena fresta através daquele calor simples e cotidiano.
— Você realmente sabe assar cookies? — ela ouviu sua própria voz rouca perguntar.
— Mas é claro! — Pietro animou-se instantaneamente, arqueando as sobrancelhas com orgulho. — Eu sou incrível! Brilho na sala e comando a cozinha, piloto carros de corrida e asso sobremesas. Pode comemorar por ter casado comigo!
Aquele jeito infantil de quem diz "me elogie" fez Leticia sentir vontade de rir, e o canto de sua boca curvou-se involuntariamente. Embora o sorriso tenha sido breve e sutil, foi capturado por Pietro, que não tirava os olhos dela.
Os olhos dele brilharam como se tivesse descoberto um tesouro. Ele aproximou-se um pouco mais e perguntou, radiante: — Sorriu? Percebeu que eu sou super confiável e transmito segurança?
Leticia empurrou o rosto dele para longe e caminhou em direção à sala, com a voz sem emoção: — Os cookies vão esfriar.
— Certo, certo! Vamos comer! — Pietro não se importou e a seguiu apressadamente, tirando a assadeira do forno como se exibisse um troféu.
Os cookies de chocolate, assados perfeitamente, exalavam um aroma doce e intenso. Leticia pegou um e deu uma mordida. Crocante, levemente doce e com o toque amargo do chocolate; o sabor era surpreendentemente bom.
— E então? O que achou? — Pietro a olhava com olhos brilhantes, como um cão de grande porte esperando o elogio do dono.
— ... Está aceitável — avaliou Leticia.
— Apenas aceitável?! — O rosto de Pietro murchou, fingindo estar arrasado. — Eu estudei a receita por três dias! Falhei várias vezes! Querida, você não valoriza meu esforço!
Observando aquela expressão exagerada, Leticia deu outra mordida no cookie sem dizer nada, mas a frieza gélida em seu olhar pareceu derreter mais um pouco.
Os dias seguiram assim, de uma forma estranha e pacífica. Pietro realmente agia como o "marido perfeito", embora as demonstrações disso fossem, muitas vezes, cômicas.
Todas as manhãs, sem falta, ele levantava-se para fazer o café, mesmo que tivesse passado a noite jogando ou trabalhando até tarde.
Os ovos fritos eram sempre em formato de coração torto, e as torradas ganhavam carinhas felizes feitas com ketchup.
Na primeira vez que viu aquilo, Leticia silenciou por um longo tempo e perguntou: — Pietro, quantos anos você tem?
Pietro empurrou o prato para ela, cheio de razão: — Três anos! Qual o problema? O café da manhã da minha esposa precisa ser cheio de amor! Coma logo, antes que esfrie!
Leticia olhou para o ovo frito em formato de coração feio e, sob o olhar expectante de Pietro, pegou o garfo e comeu em silêncio.
Aos poucos, ela habituou-se àquelas manhãs bobas. Habituou-se a acordar com o cheiro vindo da cozinha — às vezes de queimado, às vezes delicioso.
Habituou-se àquele rapaz cheio de energia que parecia não ter problemas, que falava sem parar ao seu redor e, com seu jeito barulhento, afastava a névoa que pairava sobre o mundo dela há anos.
Após o sucesso do primeiro grande projeto da Wildfire Capital, Pietro, radiante, organizou uma festa de comemoração com sua equipe e amigos.
Leticia, como esposa do dono e consultora principal, foi levada junto. O clima estava animado e Pietro, sendo o protagonista, acabou bebendo muito.
Ele tinha boa resistência ao álcool, mas não resistiu aos brindes sucessivos de todos; ao final, seu olhar estava perdido e ele segurava a mão de Leticia sem soltar, balbuciando coisas incompreensíveis.
Sem alternativa, Leticia decidiu sair cedo, carregando aquele "acessório" embriagado para casa.
Enquanto o motorista dirigia, ela e Pietro seguiam no banco de trás. Pietro apoiava-se no ombro dela, inquieto, roçando a cabeça e soltando uma respiração quente em seu pescoço, carregada de álcool.
— Não se mexa. — Leticia sentia cócegas e tentava afastar a cabeça dele.
Pietro resmungou e apertou ainda mais o braço dela.
— Leticia... — ele falou subitamente, com a voz abafada e embriagada.
— Hum? — Leticia respondeu, achando que ele ia passar mal, e sinalizou para o motorista dirigir com suavidade.
— Por que você não fala em assinarmos os papéis do casamento... — Pietro mantinha os olhos fechados, recostado no ombro dela, com uma voz triste e carente. — É por causa do meu irmão... ele se arrependeu... e você também se arrependeu... você também vai me abandonar...
O corpo de Leticia ficou rígido.
— E eu... como eu fico... — a voz de Pietro diminuía, como um delírio de sono. — Você sabia... que eu... eu sou apaixonado por você... há muitos anos...
Leticia teve um sobressalto e virou-se, incrédula, para olhar o homem apoiado em seu ombro. Pietro parecia não perceber nada, mantendo os olhos fechados, mergulhado na tontura do álcool e em uma tristeza inexplicável, balbuciando:
— Perseguir a Valentina... foi para te enganar... eu tinha medo que você descobrisse que eu gostava de você... e me evitasse... me achasse irritante...
— Eu não tinha coragem de dizer... seus olhos... só viam meu irmão...
— Eu nunca... nunca ganharia dele...
— Eu só podia... fingir... que gostava de outra pessoa...
— Leticia... Leticia...
Ele chamou o nome dela repetidamente, com a voz cada vez mais baixa, até que a respiração tornou-se estável.
Ele havia adormecido. Mas o coração de Leticia, por causa daquelas confissões de bêbado, foi atingido por uma tempestade.
Apaixonado por ela... há muitos anos?
Perseguir a Valentina... era fingimento?
Porque ela só tinha olhos para Bernardo, ele não teve coragem de falar e fingiu gostar de outra?
A quantidade de informação era tanta que Leticia não conseguia processar.
Ela baixou a cabeça, observando o perfil de Pietro tão próximo.
Quando dormia, ele perdia a arrogância habitual; com as pestanas longas criando sombras sob os olhos, ele parecia quase... dócil?
O coração de Leticia falhou uma batida sem explicação.