Ele ainda queria dizer algo, mas ao olhar para o rosto pálido dela, as palavras travaram em sua garganta.
No final, ele apenas a observou profundamente por um longo tempo, disse "descanse bem" e retirou-se.
Depois que ele saiu, Leticia pegou o celular e enviou uma mensagem para Pietro:
「Você já voltou do exterior?」
Pietro respondeu no mesmo segundo:
「Voltei. Amanhã irei à sua casa buscar a noiva」.
「Não precisa — digitou Leticia. — Já rompi laços com a família e estou na mansão de Bernardo. Venha me buscar direto aqui」.
Pietro silenciou por um longo tempo.
Então, ele respondeu: 「Tudo bem」.
Após uma pausa, acrescentou: 「Leticia, a partir de agora, onde eu estiver, será o seu lar」.
Leticia sentiu seus olhos umedecerem subitamente ao ler aquela frase.
Ela respondeu: 「Louco」.
Na manhã seguinte, Bernardo bateu à porta dela novamente.
— Arrume-se e venha comigo para o hotel.
Leticia silenciou por muito tempo. Quando Bernardo já achava que ela recusaria ou faria uma cena, ela falou baixinho, com a voz calma e sem emoção:
— O seu carro nupcial é para buscar a noiva. Mais tarde, eu irei por conta própria.
Bernardo franziu a testa, e aquela inquietação que vinha desde a noite anterior foi agitada novamente. Ele encostou os dedos na porta e sua voz tornou-se involuntariamente mais grave:
— Abra a porta, deixe-me vê-la por um instante.
— Não é necessário. No futuro... haverá tempo de sobra.
Bernardo sentiu uma irritação difícil de explicar crescer em seu peito. Ele sabia que ela estava magoada, mas aquela forma de expressar a mágoa o deixava muito desconfortável.
Ele ainda queria dizer algo, mas o assistente no andar de baixo já o apressava, dizendo que estava ficando tarde.
Bernardo olhou para a porta fechada à sua frente e para a figura silenciosa e obstinada por trás dela.
No fim, apenas respirou fundo, conteve as emoções que borbulhavam em seu peito e disse seriamente:
— Vejo você no casamento.
Em seguida, virou-se e partiu a passos largos.
Leticia ouviu o som de seus passos descendo as escadas, o motor do carro ligando e o som se afastando gradualmente.
Só então ela soltou lentamente a maçaneta que segurava firme, deixando marcas profundas de seus dedos na palma da mão.
Pouco depois que o comboio dele partiu, outro comboio, imponente e grandioso, parou em frente à mansão.
A porta do carro abriu-se e Pietro saltou.
Ele também vestia um traje de gala branco impecável, que realçava sua postura ereta.
Parecia menos desleixado que o habitual e exibia uma seriedade e um vigor raros.
Ele segurava um grande buquê de rosas vermelhas vibrantes e entrou na mansão a passos largos.
Atrás dele, vinha uma equipe profissional completa de maquiagem e estilistas.
— Leticia! O jovem mestre veio se casar com você!
Leticia desceu as escadas e ficou momentaneamente atordoada ao ver aquela cena grandiosa e repentina.
— Por que está parada? Vá logo se maquiar e trocar de roupa! — Pietro aproximou-se e colocou as rosas em seus braços, empurrando-a em seguida para o andar de cima sem aceitar recusa. — O tempo é curto e a tarefa é pesada! Não podemos chegar depois do meu irmão e dos outros!
Maquiadores e estilistas cercaram-na imediatamente e começaram a trabalhar com agilidade. Leticia, como uma marionete, permitiu que eles a arrumassem.
Maquiagem, penteado e, por fim, aquele vestido de noiva luxuoso e exclusivo que Pietro havia encomendado para ela há muito tempo.
Quando o último passo foi concluído e ela parou diante do espelho de corpo inteiro, sentiu uma breve hesitação ao ver a si mesma, com a maquiagem impecável e vestida de branco.
Ela... realmente ia se casar? Com Pietro.
Pietro aproximou-se por trás e também a observou pelo espelho. Seus olhos brilhavam intensamente, repletos de uma admiração indisfarçável e de uma emoção mais profunda que Leticia não conseguia decifrar.
— Linda.
Leticia encontrou o olhar dele pelo espelho e seu coração falhou uma batida por um motivo desconhecido. Ela desviou o olhar e disse baixinho:
— Vamos.
Pietro empertigou-se e curvou os lábios em um sorriso, como um general vitorioso e cheio de vigor.
Ele estendeu a mão para ela, com a palma voltada para cima. Leticia olhou para aquela mão de dedos longos, hesitou um pouco e então, lentamente, colocou a sua sobre ela.
Pietro fechou os dedos imediatamente, segurando-a com firmeza, como se segurasse um tesouro raro.
— Vamos buscar a minha noiva e levá-la para casa!
Eles entraram no carro nupcial e o comboio partiu imponente em direção ao local da cerimônia...