Personagens Principais desta Parte:
Leticia (Lê): Protagonista (antes Leticia Xu).
Bernardo: O CEO frio e ex-interesse amoroso de Leticia (antes Pei Yuanchao).
Pietro: O irmão rebelde de Bernardo (antes Pei Ye).
Valentina: A irmã vilã de Leticia (antes Valentina Xu).
Capítulo 1
Em toda São Paulo, todos sabiam que Leticia era uma rosa com espinhos: nascida para brilhar e vivendo de forma desenfreada. ela pilotava os carros mais velozes, bebia o álcool mais forte e frequentava as baladas mais badaladas. Quando estava feliz, era capaz de pagar a conta de todo o bar; quando estava de mau humor, transformava a vida de quem a provocasse em um inferno.
Contudo, essa mesma rosa indomável acabou mergulhando profundamente no lago gelado que era Bernardo.
Bernardo era o herdeiro mais brilhante da geração da família, possuindo um temperamento frio e nobre, agindo com uma elegância erudita. Ele era o exemplo de perfeição para os mais velhos e a lua que as damas da alta sociedade desejavam, mas não ousavam tocar. Um era como o fogo ardente, o outro como o gelo eterno; eram opostos absolutos.
Mesmo assim, Leticia o amou obsessivamente. Dos dezoito aos vinte e dois anos, ela o perseguiu por quatro anos inteiros.
Bernardo sempre tinha apenas uma resposta: "Nós não somos compatíveis."
Ela ouviu essas quatro palavras por quatro anos e sete meses, totalizando mil seiscentos e setenta dias.
Até que, naquele dia, logo após terminar uma corrida, enquanto se apoiava no carro limpando as mãos, uma notificação saltou em seu celular:
"O CEO Bernardo e a herdeira Valentina anunciam seu casamento! Uma união poderosa, o casal perfeito!"
Na foto, Bernardo vestia um terno preto impecável, com sua postura ereta, e ao seu lado estava Valentina — a própria irmã de Leticia. Os dois pareciam uma pintura harmoniosa.
O sangue de Leticia congelou instantaneamente. No segundo seguinte, o celular tocou. O nome na tela era Pietro.
Ele era o irmão mais novo de Bernardo e o outro "rebelde de elite" de São Paulo, tão famoso quanto ela.
Leticia atendeu mecanicamente. Antes que pudesse falar, a voz risonha de Pietro ecoou: "Já viu as notícias?"
"É irônico, não acha?" Pietro riu com desdém. "Você perseguiu meu irmão por tantos anos, e eu persegui sua irmã por tanto tempo. No fim, nenhum de nós conseguiu nada, e os dois acabaram ficando juntos."
Leticia abriu a boca, mas nenhum som saiu de sua garganta.
"Já que é assim," Pietro fez uma pausa e seu tom ficou subitamente mais sério, "que tal se a gente ficasse junto também? Casamos no mesmo dia que eles, só para deixá-los possessos de raiva. O que acha?"
Leticia finalmente recuperou a voz, mas antes que pudesse responder, a tela do celular apagou. A bateria havia acabado.
Segurando o aparelho morto, o vento noturno penetrou em seu uniforme fino de piloto, fazendo-a estremecer. Então, uma dor tardia e surda começou a subir das profundezas de seu coração, espalhando-se por todo o corpo.
No momento seguinte, ela abriu a porta do carro, deu partida e o veículo disparou como uma flecha.
A mansão de Bernardo ficava em Campos do Jordão, e Leticia estivera lá inúmeras vezes. Antigamente, ela sonhava que um dia seria a dona daquele lugar, que plantaria suas rosas favoritas no jardim e trocaria toda a decoração de tons frios de Bernardo.
Agora, ela estava diante do portão de ferro trabalhado, apertando a campainha. O próprio Bernardo veio abrir a porta. Ao vê-la, ele franziu levemente a testa.
"Tão tarde... aconteceu algo?"
"Por quê?" A voz dela tremia. "Por que casar com a Valentina? Você sabe perfeitamente que eu a odeio!"
"Leticia," ele começou, com um tom de voz desprovido de qualquer emoção, "se acalme."
"Como posso me acalmar? Eu te persegui por quatro anos, e em todas as vezes você disse que não éramos compatíveis. Agora, você simplesmente decide se casar com a minha irmã? Bernardo, o que eu sou para você? Uma piada?"
Bernardo não disse nada, apenas a observava em silêncio. Ele era sempre assim: frio, controlado, como um iceberg que nunca derrete.
"Diga alguma coisa!" Leticia avançou em sua direção, com os olhos vermelhos. "Me diga, por que a Valentina? No que ela é melhor do que eu?"
Bernardo silenciou por alguns segundos antes de responder friamente: "Porque ela é adequada."
"Adequada?" Leticia riu, mas as lágrimas começaram a cair. "Você escolhe uma esposa baseada apenas na adequação, sem considerar o amor? Bernardo, eu te segui por tanto tempo... você nunca teve sequer um momento de... atração por mim?"
A sala de estar mergulhou em um silêncio assustador. Através da janela panorâmica, o céu noturno era de um azul profundo. Bernardo estava no limite entre a luz e a sombra, e seus olhos por trás das lentes de armação dourada pareciam um abismo sem fim.
Ele demorou muito para responder. Tanto que Leticia quase acreditou que ele não o faria. Por fim, ele falou: "Não."
"Não somos compatíveis," ele a encarou, enfatizando cada palavra, "e eu também não gosto de você."
O coração de Leticia doeu intensamente, como se tivesse sido atingido por um raio.
Nesse momento, ouviram-se passos na escada. Valentina, vestindo um robe de seda e com os longos cabelos soltos, descia os degraus. Ao ver Leticia, ela pareceu surpresa por um instante, mas logo abriu um sorriso doce.
"Lê? O que faz aqui a esta hora? É por causa do anúncio do casamento, não é?"
"Eu sei que é difícil de aceitar agora, mas sentimentos não podem ser forçados. Você ainda é jovem, encontrará alguém mais adequado para você no futuro..."
Enquanto falava, ela se aproximou do ouvido de Leticia e sussurrou de forma que apenas as duas pudessem ouvir:
"Pare de se humilhar. O que importa ser mais bonita do que eu? O que importa ter tantos homens atrás de você? Você nunca terá o que mais deseja. Antes eram nossos pais, agora é o Bernardo. Tudo o que você mais quer pertence a mim. Eles só amam a mim. Entendeu?"
Cada palavra de Valentina era como uma agulha em brasa perfurando os tímpanos de Leticia, atingindo o ponto mais dolorido de sua alma. Ela não conseguiu mais se conter e ergueu a mão bruscamente para esbofetear Valentina.
"Leticia! O que você pensa que está fazendo?!" Bernardo gritou com autoridade, movendo-se rapidamente para se colocar à frente de Valentina, protegendo-a.
Valentina, escondida atrás dele, disse com os olhos marejados: "Bernardo, não culpe a Lê. Ela gosta de você desde pequena. É natural que ela esteja com raiva agora que vamos casar. Se isso a fizer se sentir melhor, eu... eu aceito."
"Valentina! Pare com esse teatrinho!" Leticia tremia de fúria. "Bernardo, olhe bem! Ela é uma sonsa! Ela está me provocando de propósito!"
"Chega!" Bernardo a interrompeu com uma voz severa e um olhar gélido. "Leticia, olhe para o seu estado! Valentina está tentando ser compreensiva e é assim que você a retribui? Peça desculpas a ela agora!"
Observando Bernardo proteger Valentina daquela forma, Leticia sentiu como se seu coração tivesse sido arrancado, deixando apenas um buraco sangrento e vazio. A dor era insuportável. Doía tanto que até respirar se tornou difícil, e lágrimas pesadas começaram a rolar.
"Bernardo," ela disse pausadamente, com a voz embargada mas estranhamente clara, "eu sempre fui assim: arrogante, difícil, irracional e implacável. Você só percebeu isso hoje?"
"Quer que eu peça desculpas? Só em outra vida."
Sem olhar para trás, ela se virou e correu para a noite fria. Porém, quando estava prestes a entrar no carro, Valentina saiu correndo atrás dela.