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A festa de noivado já havia começado.
Olhei para Lucas com um olhar suplicante.
Mas ele apenas me lançou um breve olhar e, calmamente, entregou as flores para Isadora diante de todos, junto com o anel de noivado.
Aquele gesto foi como um tapa violento em meu rosto, sufocando todas as perguntas que eu estava prestes a gritar.
Então, ele também sabia de tudo.
Helena, que vinha logo atrás de mim, segurou meu braço. "Bia, não faça cena. Se isso virar um escândalo, será uma vergonha para as famílias Vasconcelos e Almeida".
Meu pai, Bernardo, também parecia constrangido. "Bia, você e Isadora são filhas da casa. Agora que as coisas chegaram a esse ponto, não guarde rancor da sua irmã. Nós vamos compensar você de outra forma".
Mais uma vez, era a mesma história.
Absurdo, mas tratado como algo natural.
A sensação que tive aos 16 anos voltou com força total — não importava se eu voltasse ou não, ou se eu fosse a primogênita; a escolha deles sempre seria a Isadora.
Eu, Beatriz, não passava de uma piada.
Eu tremia de raiva, apertando as palmas das mãos com força.
Ao redor, o número de pessoas assistindo ao espetáculo só aumentava.
Isadora sorria radiante enquanto Lucas a segurava pela cintura. Eles pareciam o casal perfeito, feitos um para o outro.
Ninguém se importava com o que eu sentia.
E eu também não podia explodir.
Nos seis anos desde que voltei para a família, eu me esforcei ao máximo para aprender tudo o que fosse necessário para ser digna de Lucas.
Isso incluía etiqueta e inteligência emocional; eu tinha que ser a personificação de uma dama educada e impecável.
Por isso, diante da elite de Florianópolis, eu não podia simplesmente avançar e confrontar Lucas e Isadora.
Eu só podia aceitar tudo em silêncio, para depois me tornar o alvo de piadas de toda a cidade.
Mas eu sentia inveja. Inveja porque, em seis anos ao lado de Lucas, ele nunca havia sorrido para mim daquela forma.
E inveja de como ele aceitou tão facilmente ter Isadora ao seu lado.
Será que ele... considerou meus sentimentos por um segundo sequer?
Fixei meus olhos em Lucas, e minha visão começou a embaçar com as lágrimas que surgiam.
Lucas agiu como se eu não estivesse ali e passou o braço pelos ombros de Isadora — ele ia beijá-la na minha frente.
No noivado que deveria ser meu.
Meu coração despedaçado parecia atingido por um vento gélido, que levava embora o último resto de calor que ainda restava.
Eu estava prestes a desmoronar, mordendo o lábio com força para manter a postura.
No entanto, no exato momento em que Lucas a segurava para beijá-la sob os aplausos e gritos da multidão, ignorando a minha presença...
Ouviu-se um suspiro coletivo de surpresa. Mas não era pelo casal no palco, e sim pelo homem que acabara de surgir atrás de mim.
Após o espanto, instalou-se um silêncio tão profundo que se poderia ouvir o cair de uma agulha.
Ninguém ousava dizer uma palavra; todos prenderam a respiração, quase sem acreditar no que viam.
Quando Dante me envolveu por trás, eu ainda estava olhando para o casal no palco.
Só reagi quando senti sua palma larga cobrir meus olhos, bloqueando minha visão.
Ele não permitiu que eu tirasse sua mão, cobrindo meus olhos de forma autoritária.
Mas isso também escondeu o meu estado deplorável — eu já não conseguia mais conter as lágrimas.
Com um olhar provocador e selvagem, ele se aproximou do meu ouvido, ignorando o julgamento de todos. Sua voz soou preguiçosa: "Eu já não te dei flores o suficiente? Ou será que..."
Ele chegou mais perto, com um tom baixo e protetor: "Você gosta de anéis? Vamos oficializar nossa união agora mesmo, e eu te dou um diamante enorme e maravilhoso todos os dias, que tal?"
Eu não respondi. Não sabia como as pessoas ao redor estavam me olhando.
Só sabia que os sussurros de deboche haviam desaparecido.
Perto do meu ouvido, eu ouvia apenas as batidas fortes do coração de Dante e sua voz atraente, embora um pouco petulante:
"O que o Lucas pode te dar, eu também posso. O que ele não pode te dar, eu te dou. Bia, esqueça o Lucas. Vem comigo, por favor?"