Em fevereiro, Murilo voava para a Inglaterra sempre que tinha uma brecha para procurar Nina.
Naquele dia, uma chuva fina caía sobre Londres; Murilo segurava o celular na porta de uma floricultura, com o coração ardendo pela última resposta fria dela na tela.
Apesar das rosas vermelhas vibrantes na vitrine, ele escolheu obstinadamente um grande buquê de lisiantos brancos — as flores favoritas de Nina, que simbolizam o amor eterno e sem arrependimentos.
Quando escreveu no cartão, com a ponta da caneta trêmula: "Não importa a distância, eu quero te proteger", seus nós dos dedos ficaram brancos pela força.
Murilo acariciava o buquê no bolso, imaginando a expressão de Nina, sem notar a fumaça negra que subia ao longe.
Somente quando o táxi parou em frente à casa do Sr. Chen e o cheiro acre de queimado misturou-se à chuva, ele percebeu com horror que o prédio estava sendo devorado por chamas alaranjadas.
— Foi uma explosão de gás! O prédio pode desabar a qualquer momento! — um bombeiro o segurou com força enquanto ele tentava invadir o local. — Ficou louco?!
Mas o olhar de Murilo estava fixo em uma janela no sétimo andar — o quarto de Nina, agora envolto em fumaça densa.
Ele lembrou que ela tinha pavor do escuro e ainda mais de fogo.
— Me solta! O amor da minha vida está lá em cima!
Lá dentro, Nina estava encolhida no banheiro, pressionando uma toalha molhada contra o rosto.
O calor atravessava as frestas da porta e o desespero tomava conta.
O sinal do celular caíra e, entre os estalos das chamas, ela pareceu ouvir a voz gentil de Murilo dizendo "Me espere".
— Impossível... ele não viria... — ela soluçava, sem ousar esperar por um milagre após tantas mágoas.
De repente, passos apressados ecoaram. Alguém com uma máscara de oxigênio pesada arrombou a porta do banheiro.
Nina tentou agradecer ao ser socorrida, mas congelou ao tocar uma cicatriz familiar no pulso do homem — a marca do esfaqueamento que ele sofreu para salvá-la.
— Murilo? — a voz dela tremeu sob a máscara.
O "bombeiro" (Murilo) estancou, tirou os óculos de proteção e seus olhos azul-acinzentados brilharam entre as chamas: — Nininha, não tenha medo, eu vim te levar para casa!
Murilo a protegeu em seus braços e usou um machado para abrir a porta deformada.
No corredor, a fumaça era total. Subitamente, um estalo veio do teto e Murilo jogou Nina ao chão, cobrindo-a com o próprio corpo! Um armário em chamas desabou sobre ele.
Murilo soltou um gemido de dor e sangue quente escorreu em seu colarinho.
— Murilo! Você está ferido!
— Nina, segure em mim, eu vou nos tirar daqui!
Ao chegarem ao térreo, Murilo desabou de joelhos, perdendo os sentidos.
A última coisa que viu foi Nina segurando seu rosto, com lágrimas caindo em sua face ensanguentada: — Murilo, seu bobo...
No hospital, envolto em faixas, Murilo acordou e viu Nina à janela, segurando o buquê de lisiantos agora chamuscado.
— Quem te deu permissão... — a voz dela era um misto de choro e bronca, — ...de correr para cá e se jogar no fogo?
Murilo alcançou a ponta dos dedos dela: — Nininha, feliz Dia dos Namorados. As flores não chegaram inteiras, mas eu me trouxe de volta para você.
Nina desabou em prantos sobre a cama: — Seu idiota! Quem quer suas flores!
Naquele momento, todo o rancor se dissipou, restando apenas o alívio e o amor profundo.
Murilo acariciou o cabelo dela: — Nininha, me desculpe por te assustar. De agora em diante, você nunca mais enfrentará nada sozinha.
Noite profunda na ala de internação.
O bipe regular do monitor ecoava no quarto. Murilo descansava, pálido, com novas feridas sobrepondo-se às antigas.
Nina, sentada ao lado, não desviava o olhar, comovida pelo sacrifício dele.
Nina cuidava dele dia e noite, limpando seu corpo e dando-lhe comida com uma delicadeza extrema.
Quando a luz do luar invadiu o quarto, Murilo gemeu de dor; os analgésicos haviam perdido o efeito.
— Murilo, dói muito? — perguntou ela, angustiada.
— Está tudo bem, eu aguento — respondeu ele, tentando não preocupá-la.
Sentindo uma pontada de dor por vê-lo sofrer, Nina hesitou, mas depois deitou-se ao lado dele na cama, abraçando-o com força.
— Não tenha medo, eu estou aqui.
O corpo de Murilo ficou tenso por um instante, sentindo o calor dela. — Nininha, é a primeira vez que você se aproxima de mim assim... — sussurrou ele, surpreso.
Nina ergueu o rosto, com os olhos ternos. Ela montou sobre ele com cuidado, acariciando seu rosto com as mãos trêmulas: — Murilo, obrigada por me salvar de novo.
Então, ela se inclinou e o beijou, explorando sua boca com a língua.
O beijo carregava toda a sua dor acumulada e seu carinho por ele.
O desejo de Murilo incendiou-se. Ele segurou a cintura dela, puxando-a para perto: — Nininha, eu quero você... agora...
A respiração de ambos acelerou. Nina, tremendo, começou a desabotoar o pijama de Murilo: — Deixe-me ver suas feridas.
Ao mesmo tempo, Murilo removia as vestes dela...
Sob a luz suave, a pele de Nina brilhava como jade.
O corpo rígido e marcado de Murilo não perdia a virilidade; as cicatrizes pareciam medalhas de honra naquele momento de paixão.
No instante em que suas peles se tocaram, o mundo deixou de existir.
Ela se moveu sobre ele, inicialmente tímida, mas logo levada pelo calor interno.
Seus quadris balançavam ritmicamente, e a cada movimento, ela o recebia mais profundamente, com sons úmidos de preenchimento ecoando no quarto.
— Murilo... ah... você está tão grande... devagar... me preenche toda...
As mãos de Murilo, como fogo, apertavam a cintura dela, subindo e descendo com o ritmo.
Seus corpos suados fundiam-se em um só.
Ele sussurrava em seu ouvido, com a voz embargada pela paixão:
— Nininha, eu te amo... te amo...
Eram as únicas palavras que ele conseguia proferir para expressar o que sentia.
No quarto silencioso, ouvia-se apenas a respiração ofegante e o som rítmico do impacto dos corpos.
Eles se entregaram totalmente, deixando que os sentimentos reprimidos explodissem como uma inundação.
— Murilo, vamos começar de novo — sussurrou ela no auge do prazer.
— Nina, obrigado por me perdoar — respondeu ele, exausto e feliz.
Após o ato, Nina aninhou-se no peito dele, ouvindo seus batimentos cardíacos.
Murilo acariciou seu cabelo e beijou sua testa: — Eu esperei tanto por este momento, Nininha.
— De agora em diante, você não tem permissão para me maltratar — disse ela com um tom dengoso, mas cheio de amor.
A luz do luar permanecia suave sobre o casal.
O incêndio não apenas deixara marcas no corpo de Murilo, mas derretera o gelo no coração de Nina, permitindo que o amor renascesse das cinzas.