A neblina às margens do rio Tâmisa trazia um frio úmido.
Nina segurava o copo de latte com as pontas dos dedos levemente pálidas, observando a rua através da janela de vidro do café.
O rosto ansioso de Murilo surgiu novamente em sua mente...
Desde o incidente no quartinho escuro, o ódio em seu coração cresceu como ervas daninhas. Agora, seu plano de vingança estava oficialmente em curso.
Como uma estudante que trabalhava para se manter na Inglaterra, Nina circulava por diferentes ambientes todos os dias.
Frequentava as aulas durante o dia e trabalhava neste café sofisticado à noite; ela usava sua beleza e inteligência para transitar com facilidade em diversos eventos sociais.
Certo dia, em um intercâmbio acadêmico internacional organizado pela universidade, ela deliberadamente conversou de forma calorosa com um belo estudante de intercâmbio francês.
— Nina, seus pontos de vista realmente abriram meus olhos — disse o francês em uma mistura de sua língua natal e inglês, olhando-a profundamente e tocando-lhe o braço ocasionalmente.
Nina respondeu em francês fluente: — É mesmo? É uma honra receber seu reconhecimento.
Esta cena foi presenciada por Murilo, que acabara de voar do Brasil.
Ignorando o cansaço da viagem longa, ele foi direto para o local do evento, esperando fazer uma surpresa para Nina, mas deparou-se com aquela imagem cortante.
Murilo avançou e agarrou o pulso de Nina, com a voz cheia de fúria e ciúme: — O que você está fazendo? Por que tanta intimidade com ele?!
Nina soltou a mão dele com força, seu olhar frio como gelo: — Murilo, com que direito você quer me controlar? Não se esqueça de que não temos mais nada. Eu tenho minha vida aqui e sou livre para sair com quem eu quiser.
O estudante francês franziu o cenho: — Senhor, você está sendo muito indelicado.
Murilo retrucou ferozmente: — É melhor você ficar longe dela!
Nina, ao ver a cena, segurou propositalmente o braço do francês e provocou em inglês:
— Murilo, veja como você está ridículo. Acha que voar para cá muda alguma coisa? Pare de sonhar.
Dito isso, ela partiu com o francês, deixando Murilo sozinho, furioso e em agonia.
Daquele dia em diante, Nina intensificou suas ações. No café, ela dava atenção especial aos clientes que a paqueravam.
Uma vez, um rico empresário britânico convidou-a para um jantar privado, e ela aceitou prontamente.
Vestiu um traje de gala sexy, conversou animadamente com o empresário e postou fotos ambíguas em suas redes sociais.
Ao ver as fotos, Murilo comprou uma passagem imediata. Ele esperou a noite inteira do lado fora do café até Nina terminar o turno.
— Nina, por que está fazendo isso? O que significam aquelas fotos? — a voz dele estava rouca de dor.
Nina riu friamente: — O que significam? Não percebe? Quero que saiba que minha vida é melhor sem você. Acha que vir aqui de vez em quando e dar presentes compensa o que você me fez? Quanta ingenuidade.
Murilo tentou reconquistá-la com flores e mimos.
Encomendava buquês enormes de rosas nas melhores floriculturas de Londres para o alojamento e o trabalho dela, e pedia para trazerem presentes caros do Brasil.
Mas Nina desprezava tudo. Ela jogava as flores no lixo na frente do entregador: — Diga ao Murilo para não perder tempo. — Quanto aos presentes caros, ela os devolvia intactos.
Certa vez, Murilo esperou dois dias e duas noites embaixo do alojamento dela apenas para vê-la.
Quando Nina o viu, apenas passou direto, sem sequer olhá-lo.
Murilo correu atrás dela, quase chorando: — Nina, eu sei que errei. Por favor, me dê uma chance. Eu nunca mais vou te entristecer.
Nina parou e disse friamente: — Chance? Você pensou em me dar uma chance quando me machucou? Agora é tarde. Pare de me perseguir, ou farei você se arrepender ainda mais.
No Brasil, os amigos de Murilo o aconselhavam a desistir: — Murilo, voar para lá toda hora não resolve, ela claramente não quer te ver. Por que se prender a ela, ainda mais sendo uma relação internacional?
Mas Murilo era obstinado: — Vocês não entendem, eu a amo de verdade. Farei qualquer coisa pelo perdão dela.
Enquanto isso, Nina começou a espalhar boatos negativos sobre Murilo no círculo acadêmico internacional.
Dizia que ele trapaceava em competições e que era arrogante e agressivo. Esses boatos chegaram à universidade de Murilo no Brasil.
Alunos comentavam: — Ouvi dizer que o Murilo trapaceou... e que ele tratou muito mal uma garota na Inglaterra.
Até os professores começaram a duvidar dele. Em uma seleção importante para uma competição acadêmica, Murilo, que era o favorito, foi cortado.
— Murilo, há muitos boatos sobre você. Até que tudo se esclareça, a vaga será dada a outro — disse o orientador seriamente.
Murilo tentava explicar que eram calúnias, mas o orientador apenas balançava a cabeça.
Focado em reconquistar Nina, o desempenho acadêmico de Murilo despencou por causa das viagens constantes e da falta de foco. Seus rivais aproveitaram para tomar seus projetos de pesquisa.
Diante desses obstáculos, Murilo sentia-se desesperado, mas não desistia.
Nas ruas nubladas de Londres ou nos laboratórios silenciosos no Brasil, sua figura parecia solitária e determinada, sem saber quão longo seria o caminho para ter Nina de volta...
O Natal chegou. Londres estava coberta por finos flocos de neve e as luzes festivas brilhavam através da neblina.
Nina observava os casais lá embaixo da janela de seu alojamento, acariciando a borda de seu copo.
O celular vibrou com uma mensagem de Murilo: "Acabei de pousar. Trouxe castanhas assadas para você".
Nina riu com desdém e virou o celular para baixo.
Meia hora antes, ela havia postado a foto do convite para o Baile de Natal da universidade com a legenda: "Ansiosa pela surpresa de hoje à noite".
Como esperado, dez minutos depois, Murilo ligou com a voz rouca da viagem: — Você vai a esse baile?
— Por que não? Não vou passar o Natal em um quarto vazio, vou? — Nina aumentou o som da música propositalmente. — Jovem Mestre Murilo, não vai querer controlar até minhas atividades sociais, vai?
Após um longo silêncio, ele apenas disse "Me espere" e desligou.
O baile ocorria em um bar ao ar livre às margens do Tâmisa.
Nina usava um vestido curto de veludo vinho, encostada no balcão com uma taça de champanhe, cercada por rapazes loiros.
Quando avistou a figura familiar na porta, seus cílios tremeram — Murilo estava envolto em um sobretudo preto, segurando um saco de papel pardo, com neve nos cabelos. Fora do aeroporto direto para lá.
— Quem é este? — um rapaz de cabelos prateados envolveu os ombros de Nina, olhando desafiadoramente para Murilo.
Nina abraçou o pescoço do rapaz e riu: — Apenas um conhecido de longe. — Ela sussurrou no ouvido do rapaz, mas observava a mandíbula de Murilo travar.
Murilo avançou e bateu o saco de castanhas no balcão: — Nina, hora de ir para casa.
— Por que eu te ouviria? — Nina pegou um punhado de castanhas e as atirou nele. — Murilo, quem você pensa que é?
A atmosfera congelou. Alguns estudantes começaram a assobiar, e um homem alto e forte aproximou-se de Nina: — Bela moça oriental, por que perder tempo com esse estraga-prazeres? Vamos dançar? — A mão do homem deslizou pelas costas nuas de Nina.
Antes que ela reagisse, Murilo agarrou o pulso do homem: — Tire a mão.
— Ora, querendo ser herói? — o homem sorriu cruelmente, e seus amigos o cercaram.
Nina notou que a barra do sobretudo de Murilo tinha manchas de sangue — ele já devia ter tido algum conflito no caminho.
Na confusão, Nina foi empurrada contra o balcão e sua taça se quebrou. Murilo cobriu-a com seu sobretudo e começou a trocar socos com os homens.
Nina viu, entre os cacos de vidro, Murilo ser atingido por uma garrafa nas costas, mas ele continuou protegendo-a com o próprio corpo.
Quando as sirenes da polícia soaram ao longe, o grupo finalmente se dispersou...