Enquanto isso, no Brasil, Murilo permanecia sob o rígido controle de sua família desde que retornara ferido do atentado terrorista.
Seus dias resumiam-se ao tratamento médico e aos estudos intensos para as competições acadêmicas.
A vida de Murilo parecia calma, mas no silêncio da noite, a imagem de Nina sempre invadia sua mente...
"Como a Nininha deve estar lá na Inglaterra?..."
Murilo observava a luz do luar pela janela, com o coração transbordando saudade e inconformismo.
O tempo passou e ele recuperou sua vitalidade habitual, obtendo resultados excelentes nos estudos.
Porém, por um acaso, ele soube através de amigos que Nina agora era, oficialmente, a namorada de Lucas.
Desta vez, não era um teatro para enganá-lo!
— O quê?! — Murilo levantou-se bruscamente, deixando o copo cair e se estilhaçar no chão. — Aquele maldito do Lucas... como ele ousa estar com a Nina!
Seu olhar tornou-se feroz e insano instantaneamente.
Seu desejo de posse explodiu como um barril de pólvora. Incapaz de suportar a situação, ele ignorou os apelos da família e partiu novamente para a Inglaterra.
Assim que desembarcou, usou todas as suas conexões para descobrir o paradeiro de Nina.
À noite, enquanto Nina caminhava sozinha de volta para o alojamento, um carro preto parou subitamente ao seu lado.
A porta se abriu e Murilo saltou, tapando a boca de Nina com força e arrastando-a para dentro do veículo.
Nina lutava aterrorizada, emitindo sons abafados, mas a força de Murilo era esmagadora.
O carro partiu em alta velocidade até um armazém abandonado e isolado. Murilo a arrastou para um quartinho escuro dentro do local e trancou a porta.
No breu, apenas um filete de luz atravessava a fresta da porta. Nina encolheu-se em um canto, encarando aquele homem familiar e, ao mesmo tempo, estranho:
— Murilo, o que você pretende fazer?!
Murilo aproximou-se passo a passo, agachou-se e segurou os ombros dela, fixando o olhar: — Nininha, por que você está com aquele cara? Você é minha, só pode ser minha!
Sua voz era quase um rugido de fúria e loucura. Nina balançava a cabeça desesperadamente: — Murilo, você enlouqueceu! Nós já terminamos faz tempo, me solta!
Irredutível, ele a envolveu em seus braços, colando o rosto ao ouvido dela e sussurrando: — Não, nós não terminamos. Eu nunca te esqueci. Nininha, desde a primeira vez que te vi, eu soube que você era minha. Nestes dias, eu pensei em você a cada segundo... como você pôde ficar com outro?
Enquanto falava, suas mãos começaram a percorrer o corpo dela... Nina gritou: — Não! Murilo, para!
Murilo parecia surdo aos seus gritos, movido apenas por sua obsessão: — Nininha, diga que me ama, diga agora!
Nina cerrou os dentes e disse com firmeza: — Eu não te amo, eu te odeio! Eu jamais esquecerei o que você me fez!
Ao ouvir isso, a expressão de Murilo tornou-se distorcida.
Ele a agarrou pelo colarinho: — O que você disse?! Como ousa dizer que me odeia! — Seus olhos transbordavam dor e raiva. — Eu levei um tiro por você, eu quase morri por você, e você me odeia!
Naquele espaço pequeno e escuro, Murilo perdeu completamente o controle, alternando entre rugidos de fúria e murmúrios de agonia.
Nina, imersa em terror e desespero, só conseguia lutar inutilmente para escapar das mãos daquele demônio, sentindo-se mais uma vez traída pelo destino.
Ao perceber o desaparecimento de Nina, Lucas entrou em pânico, procurando-a desesperadamente por todos os cantos. "Nina, onde você está?...", ele corria pelo campus, ligando incessantemente, mas sem resposta.
O pressentimento ruim tomou conta: "Será que o Murilo a levou?".
Movido por um ciúme intenso e pelo medo de perder seu mundo, Lucas seguiu os vestígios até chegar ao armazém abandonado.
Ele invadiu o local e avistou o quartinho escuro.
— Nina! Nina! Você está aí? — gritou ele, arrombando a porta com um chute.
Murilo virou-se bruscamente e, ao ver Lucas, seus olhos arderam em fúria.
— Seu canalha, como ousa tocar na minha Nina! — rugiu Lucas, avançando.
— Haha, que intimidade — debochou Murilo, colocando Nina atrás de si. — Lucas, quem você pensa que é? A Nina é a minha mulher!
Os dois envolveram-se em uma briga violenta, trocando socos e insultos.
— Lucas, você nunca será meu par, a Nina me ama no fundo do coração! — gritava Murilo enquanto golpeava.
— Mentira! Você só a machuca, eu sou quem realmente a ama! — retrucava Lucas.
O armazém ecoava o som da carne sendo atingida e os gritos de ambos.
Após uma luta feroz, Murilo prevaleceu pela força física superior. Ele amarrou Lucas em uma coluna próxima, forçando-o a ficar de costas para eles.
— Lucas, hoje você vai ouvir a quem a Nina pertence de verdade! — disse Murilo cruelmente.
Lucas lutava contra as cordas, gritando: — Murilo, seu animal! Se tocar nela, eu acabo com você!
Mas Murilo o ignorou, voltando-se para Nina. O olhar dele misturava loucura e um amor avassalador, com passos vacilantes, mas decididos.
Nina, encolhida no canto, ainda tinha medo, mas seu olhar carregava uma complexidade indecifrável.
Suas mãos tremiam sobre a roupa, mas sua resistência já não era tão frenética.
— Murilo, acalme-se, não faça bobagem... — a voz dela falhou, sem os gritos de antes, soando quase hesitante.
Murilo agachou-se, segurando os ombros dela com uma firmeza gentil e irresistível, tentando tirá-la daquele canto.
Nina moveu o corpo levemente, mas sem força real para escapar; suas unhas apenas arranharam levemente o dorso da mão dele.
— Nininha, hoje você será completamente minha — murmurou Murilo com uma voz rouca que vinha do fundo de sua alma. — Nininha, perdoe-me, eu senti tanto a sua falta.
Dito isso, ele inclinou-se e selou os lábios de Nina...
Um beijo que era quase uma oração, mas carregado de uma possessividade inescapável...
No início, Nina tentou virar o rosto, mas conforme o beijo de Murilo tornava-se profundo, sua resistência desvaneceu e seu corpo relaxou.
Murilo amparou a nuca dela com uma mão, enquanto a outra deslizava lentamente por sua cintura...
A respiração de Nina tornou-se ofegante; sons abafados escapavam de seus lábios, mas já não eram negações.
— Nininha, perdoe-me. Eu não consigo me controlar. — Murilo sussurrou no ouvido dela, com a voz embargada.