Nina observava a cena ao lado com um misto de choque e pavor, gritando a plenos pulmões:
— Parem com isso!
Mas os dois homens, cegos pela fúria, não ouviam nada...
Estudantes ao redor se aglomeravam, soltando exclamações de surpresa, enquanto alguns sacavam os celulares para filmar e fotografar a confusão.
Murilo, valendo-se de sua estatura imponente e de uma fúria frenética, gradualmente assumiu o controle da briga. Enquanto golpeava, ele rugia para Jack:
— Você jamais vai tirar a Nina de mim! Ela é minha, sempre foi, desde o começo!
Jack não se deu por vencido. Aproveitando uma distração de Murilo, usou todas as suas forças para empurrá-lo contra o chão:
— Um selvagem como você não merece estar com ela! Ela merece alguém muito melhor!
Murilo levantou-se do chão com um rastro de sangue no canto da boca, mas com um olhar ainda mais insano, rosnando em francês:
—
On verra bien qui est digne d'elle!
(Veremos quem realmente é digno dela!)
Sem se importar com as dores pelo corpo, ele avançou novamente contra Jack...
A polícia britânica chegou rapidamente ao local; o som agudo das sirenes cortou a quietude do campus.
Os policiais separaram Murilo e Jack, que estavam com os rostos rubros, cabelos desgrenhados e roupas totalmente amarrotadas. Sob os olhares da multidão, ambos foram algemados e levados para a delegacia.
Na delegacia, os policiais deram uma severa advertência a ambos. De acordo com as leis locais, brigar em público é considerado uma perturbação da ordem, sujeita a multas e serviços comunitários.
Como eram réus primários e não houve ferimentos graves, a polícia decidiu aplicar apenas a multa e a obrigatoriedade de cursos comunitários. Ambos aceitaram a punição em silêncio, com o rosto estampado de frustração.
Ao sair da delegacia, Murilo exalava uma aura de loucura. Ignorando seus próprios ferimentos, ele agiu como uma fera enfurecida e correu diretamente para Nina.
Sua figura alta postou-se diante dela como uma montanha súbita e inabalável, bloqueando todo o seu mundo de forma bruta.
Nina ergueu os olhos para aquele rosto familiar e terrível; a imagem de Murilo imediatamente se fundiu com as memórias das noites em que ele a possuía como um animal selvagem...
Aquela sensação de opressão sufocante envolveu seu pescoço como uma serpente fria, fazendo sua respiração falhar. Seu corpo tremia descontroladamente, e ela abraçou os próprios ombros tentando buscar forças.
— Nininha, por favor, me perdoe. Eu sei que errei.
A voz de Murilo estava rouca, como se tivesse sido lixada, e cada palavra carregava um tom de fragilidade. Seu olhar era de uma súplica quase insana.
Murilo estendeu a mão — a mesma mão que tantas vezes a tratou com brutalidade — agora trêmula, mendigando por um pouco de calor, tentando alcançar a mão de Nina.
— Não toque em mim!
Nina explodiu como um barril de pólvora; sua voz aguda cortou o ar, e uma onda de ódio a inundou.
Ela deu um passo largo para trás, quase caindo. Murilo, entretanto, parecia preso em seu próprio abismo de obsessão, ignorando a resistência dela.
— Eu sei que errei, eu vou mudar! Me dê só mais uma chance! Você não pode me tratar assim, Nina! — Suas palavras carregavam uma confiança cega, como se bastasse ele falar para que ela voltasse.
— Mudar? Com o que você vai mudar? Você nem sabe onde errou! — Nina estava com os olhos vermelhos, segurando as lágrimas com teimosia. — Você acha que um pedido de desculpas apaga tudo? Aqui é a Inglaterra, não é o Brasil onde você pode fazer o que quer! Se ousar dar mais um passo, eu chamo a polícia e garanto que você apodrecerá na cadeia!
Seu peito subia e descia violentamente. Nina virou-se e partiu com passos apressados, como se fugisse de um monstro.
Murilo ficou paralisado, observando-a partir, e a loucura em seus olhos foi substituída pelo desespero.
Ele cambaleou, sem entender como aquela Nina que antes o obedecia podia ser agora tão decidida e estranha.
Enquanto fugia, Nina jurava para si mesma: não importava o truque ou a tática que Murilo usasse, ela jamais permitiria que o passado se repetisse.
Esta terra britânica era seu renascimento, e ela protegeria sua paz a qualquer custo.
O carinho recebido do Sr. Chen e sua esposa, a rotina acadêmica intensa e a leveza ocasional da companhia de Jack trouxeram a Nina um rastro de paz em solo estrangeiro.
No entanto, desde que Murilo a perseguira até ali, ele se tornara uma sombra persistente.
Ele já não era o playboy arrogante de antes; agora, agia com uma cautela humilde para agradá-la.
Mas essa atitude só deixava Nina mais alerta; as dores do passado ainda eram espinhos cravados em sua alma.
Certo dia, a pedido do Sr. Chen, Nina foi entregar documentos importantes em uma famosa empresa no centro comercial.
Murilo, como que por destino, também estava naquela área e, ao avistar a silhueta dela, seguiu-a instintivamente...
Sem aviso, o som de um tiro rasgou o céu, seguido por gritos de pânico.
O centro comercial, antes organizado, tornou-se um caos completo. Pessoas corriam em todas as direções.
Nina estancou, horrorizada, vendo um grupo de homens mascarados e armados invadindo lojas e prédios.
Eram criminosos cruéis, com olhares de pura brutalidade.
— Ninguém se mexe! Todos no chão! — rugiu o líder dos criminosos.
Nina, sem saber o que fazer, foi derrubada pelo fluxo da multidão.
Enquanto lutava para se levantar, uma mão firme agarrou seu braço e a ergueu.
Ela virou-se aterrorizada e viu Murilo.
— Não tenha medo, eu estou aqui — sussurrou Murilo com um olhar firme e uma serenidade que Nina nunca vira nele.
Ele a puxou, tentando encontrar um refúgio.
Contudo, os criminosos foram rápidos em cercar as saídas principais, reunindo dezenas de reféns no centro da praça.
Nina, infelizmente, estava entre eles.
— O que vocês querem? — questionou um refém corajoso.
— Cale a boca! — Um dos criminosos o golpeou na cabeça com a coronha da arma. O homem caiu ensanguentado, gritando de dor.
Murilo, escondido atrás de uma coluna de pedra próxima, sentia o coração arder de ansiedade.
Ele observava Nina entre os reféns e era consumido pela culpa e pelo medo. Precisava agir, ou a vida dela estaria em risco.
Ele respirou fundo e sacou uma pequena pistola que trazia escondida na cintura. Era uma arma que seu pai lhe dera para autodefesa.
Murilo observou que os criminosos focavam nos reféns e estavam relaxados com o perímetro.
Ele abaixou-se e, usando veículos e obstáculos como cobertura, começou a rastejar em direção ao grupo.
Enquanto isso, o líder dos criminosos gritava suas exigências: — Queremos um helicóptero e cem milhões de libras agora! Caso contrário, matarei um refém a cada dez minutos! — Ele apontou a arma para a cabeça de uma jovem.
Nina observava a cena em pânico, mas tentava manter a calma.
Ela procurava por Murilo com os olhos, temendo por ele, mas esperando que ele tivesse um plano.
Foi então que, pelo canto do olho, percebeu um vulto familiar movendo-se lentamente...
Era Murilo!