Ao chegarem em São Paulo, a atmosfera tensa da competição era como uma rede invisível que envolvia todo o local do evento.
No lado de fora do pavilhão, os competidores de diversas escolas estavam ansiosos, com olhares competitivos que faziam o ar parecer carregado de pólvora.
Na área de preparação, Nina estava com o cenho franzido, totalmente concentrada em ajustar seus equipamentos.
Seus dedos ágeis dançavam sobre o teclado enquanto seus olhos não perdiam um único detalhe na tela.
Nesse momento, alguns competidores de outra escola se aproximaram; o líder era um rapaz alto com um sorriso malicioso, seguido por outros que exibiam expressões de deboche.
— Ora, vejam só quem temos aqui? — disse o rapaz alto com um tom sarcástico.
— Não é a competidora que só conseguiu entrar por causa do namorado? Ouvi dizer que seu pai é um corrupto, como ainda tem coragem de aparecer?
Sua voz aguda e cortante fez com que muitos ao redor se virassem para olhar.
O coração de Nina apertou e a fúria ardeu em seu peito; era detestável como aquelas pessoas a humilhavam baseadas em rumores sem fundamento. Ela respirou fundo, tentando manter a calma para pensar em como reagir.
Nesse instante, a silhueta de Murilo surgiu como um relâmpago negro, colocando-se firmemente à frente dela.
Seu rosto, geralmente despreocupado, estava agora gélido, com um olhar de ferocidade que lembrava uma fera encurralada.
— É melhor lavarem essa boca! — disse ele com uma voz baixa e potente.
— Quem ousar falar mais uma asneira sobre ela, vai se ver comigo!
Os competidores recuaram assustados com a aura súbita de Murilo.
Embora relutantes, não se atreveram a enfrentá-lo e, após lançarem um último olhar de desprezo para Nina, retiraram-se resmungando.
Nina observou as costas de Murilo com um turbilhão de emoções...
Em suas memórias, ele sempre fora o vilão que a humilhava, mas aquela ajuda inesperada fez surgir uma gratidão difícil de descrever.
No entanto, a razão logo sufocou aquele sentimento.
Ela sabia bem: era apenas parte do teatro para manter a falsa relação deles!
**
A competição começou oficialmente.
Nina entrou rapidamente em estado de fluxo, digitando comandos com precisão cirúrgica.
Seu modelo de algoritmo funcionava perfeitamente, mostrando sua maestria técnica.
Contudo, na fase crucial, o equipamento emitiu um alarme estridente e a tela foi tomada por códigos distorcidos.
O coração de Nina disparou.
Suando frio, ela olhou para Murilo por instinto e viu que ele também estava preocupado.
Enquanto outros competidores já terminavam suas provas, a tensão no pavilhão aumentava.
Quando ela estava prestes a se desesperar, Murilo levantou-se e aproximou-se:
— Não entre em pânico, eu te ajudo.
Inclinando-se sobre o equipamento, ele acessou rapidamente o programa e, com seu conhecimento técnico sólido, localizou a falha no código.
Após alguns minutos de operação tensa, Murilo conseguiu restaurar o sistema!
Nina olhou para a tela normalizada com sentimentos complexos...
Murilo era realmente tão bondoso? Ou será que ele usaria isso para humilhá-la mais tarde?
Nessa conturbada competição de IA, a relação complexa e falsa entre Nina e Murilo começava a sofrer mudanças sutis...
Na primeira noite da competição, as luzes de São Paulo brilhavam intensamente, refletindo-se nas paredes de vidro do hotel.
Após as eliminatórias cansativas, os alunos descansavam para a final do dia seguinte.
Nina conversava com alguns colegas sobre as provas quando um estudante estrangeiro se aproximou.
Ele tinha olhos azuis brilhantes e disse em inglês fluente:
— Nina, seu desempenho hoje foi brilhante. Sou David, da Inglaterra. Gostaria de trocar contatos para conversarmos mais sobre tecnologia no futuro.
Nina viu ali uma oportunidade de networking e aceitou prontamente.
Eles trocaram contatos de forma amigável, mas a cena foi capturada por Murilo, que sentiu o rosto escurecer instantaneamente.
Ver Nina rindo e trocando números com outro homem foi como uma facada em seu coração.
O ciúme subiu como uma maré incontrolável!
Murilo avançou bruscamente, agarrou o braço de Nina e disse friamente para David:
— Ela já tem dono!
Sem dar tempo para explicações, ele arrastou Nina em direção ao quarto do hotel, sob os olhares atônitos dos colegas.
— Murilo, o que você está fazendo? Me solta! — gritava Nina, mas ele parecia ter perdido a razão. O aperto em seu braço era tão forte que já deixava marcas.
Dentro do quarto, ele a empurrou e trancou a porta com força.
— Que loucura é essa? Eu só estava trocando contatos profissionais... — questionou Nina, furiosa.
— Profissionais? Você estava toda sorridente com ele! Já pensou em como eu me sinto? — rugiu Murilo, com os olhos vermelhos de raiva.
Ele a encurralou contra a parede, segurando seus ombros com força. Nina chorava, implorando para que ele se acalmasse, mas Murilo estava cego pelo ciúme.
Com um movimento violento, ele varreu os objetos de cima da mesa para o chão e, em seguida, pegou Nina no colo e a jogou sobre a cama, prendendo-a com seu peso.
— Nininha, você é minha! — ele gritou antes de selar os lábios dela com um beijo brutal, como se quisesse devorá-la.
Enquanto a beijava à força, suas mãos apertavam os seios dela com violência.
— Acha que esse corpinho pode resistir a mim? Seja obediente e eu te darei prazer esta noite! — ele debochou enquanto rasgava a roupa dela. O som do tecido se partindo ecoou cruelmente pelo quarto.
— Não... Murilo... por favor... não agora... espere a competição acabar... — Nina soluçava desesperadamente, com o rosto enterrado no travesseiro úmido. Ela tentava chutar e se contorcer, mas a força dele era absoluta.
Murilo forçou a entrada de sua língua, explorando a boca dela de forma agressiva enquanto disparava insultos:
— Vagabunda, pare de fingir pureza. No fundo, você estava ansiosa por isso, não estava?
— Uh... não... — Nina murmurava entre soluços.
Ele mordia o pescoço e a clavícula dela, deixando marcas escarlates por onde passava.
Sua mão deslizava para baixo enquanto ele continuava a zombaria:
— Veja só, seu corpo é tão sensível... está ficando toda molhada, então pare com esse teatrinho!
Nina tremia sob ele, tentando inutilmente empurrar seus ombros, sentindo-se pequena e vulnerável diante da fúria possessiva de Murilo.