Nina estava no minúsculo quarto de serviço da mansão dos Murilo, encolhida na cama dura, observando sem expressão o teto manchado...
A escuridão ao redor parecia uma boca invisível pronta para devorá-la.
Os rostos cruéis dos agressores na escola, os olhares hostis das pessoas na rua, o corpo frio de sua mãe, o sofrimento de seu pai na prisão e o desprezo de seus parentes passavam por sua mente como um filme de terror constante...
Ela mordia o lábio inferior, cravando as unhas na palma da mão, tentando usar a dor física para dissipar o medo e o desespero infinitos.
Neste mundo, parecia que todos a viam como uma criminosa, desejando pisoteá-la até o pó.
Mas ela sabia que era apenas uma vítima inocente dos erros de seu pai.
Após muito refletir, percebeu que apenas permanecendo na casa dos Murilo poderia encontrar um rastro de paz temporária.
Sr. Augusto, o novo alto oficial de Santos, era, com seu poder, o único porto seguro em meio ao caos.
Mas a presença de Murilo era como uma lâmina suspensa sobre sua cabeça, pronta para cair a qualquer momento!
Ao lembrar das humilhações sofridas nas mãos dele, o corpo de Nina tremia involuntariamente.
Ela não podia mais ficar parada esperando a morte; precisava de um plano para mudar sua realidade!
Após muita deliberação, Nina traçou um roteiro para sua salvação.
Plano um: usar as conexões de Sr. Augusto para obter recursos de qualidade e subir na vida.
Precisamente nessa época, surgiu a notícia de que a escola realizaria uma Competição de Tecnologia de IA de Alta Inteligência. Para Nina, essa era uma oportunidade de ouro para mudar seu destino.
Mas ela sabia que, em sua situação atual, conseguir a inscrição de forma normal seria quase impossível.
Assim, Nina buscou o momento certo.
Quando Sr. Augusto terminou um dia exaustivo e se preparava para descansar no escritório, ela bateu suavemente à porta.
— Entre — a voz grave de Sr. Augusto veio de dentro.
Nina abriu a porta e caminhou com passos leves, temendo incomodar o homem poderoso.
O escritório era clássico, com estantes repletas de livros e uma grande mesa de mogno no centro.
Sr. Augusto estava sentado na poltrona de couro, massageando as têmporas.
Ao ver que era Nina, arqueou a sobrancelha com dúvida.
— Sr. Augusto...
— começou Nina, com a voz propositalmente doce e fragilizada, seus olhos ficando vermelhos instantaneamente.
— Eu... eu realmente não sei mais o que fazer, só pude vir pedir sua ajuda.
Enquanto falava, lágrimas rolaram por seu rosto.
Ao ver a garota tão vulnerável, Sr. Augusto sentiu uma ponta de compaixão e seu tom suavizou:
— O que houve, Nina? Pode falar devagar.
Nina fungou e disse entre soluços:
— A escola vai promover a Competição de IA e eu quero muito participar. Quero provar meu valor, mostrar que sou diferente do meu pai...
Sr. Augusto silenciou por um momento.
— Sobre a competição, posso falar com o diretor. Mas entenda: eu te dou a oportunidade, mas aproveitá-la depende do seu próprio talento.
Nina sentiu a esperança brilhar e assentiu freneticamente:
— Eu vou me esforçar muito, Sr. Augusto! Não vou decepcioná-lo!
— Ela hesitou antes de continuar com coragem:
— Sr. Augusto, eu também queria saber sobre o caso do meu pai... como estão as coisas? Estou muito preocupada com ele...
A expressão de Sr. Augusto mudou.
O olhar antes gentil tornou-se frio e ele se recostou na cadeira, distanciando-se:
— O caso segue os trâmites legais. Alguns detalhes são sigilosos. Apenas foque nos seus estudos agora e não pense em mais nada.
Nina entendeu que ele não queria mais tocar no assunto. Sem ousar insistir, ela agradeceu e saiu silenciosamente.
Embora não tivesse obtido informações sobre o pai, pelo menos conseguiu a vaga na competição.
Ela prometeu a si mesma que se destacaria, honrando aquela chance difícil de conquistar.
Simultaneamente, Nina iniciou o plano dois.
Ela mudou sua atitude de resistência contra Murilo e passou a simular obediência para obter a proteção dele na escola.
Para isso, começou a cultivar deliberadamente sua relação com ele no campus.
Nos corredores da escola, Nina ficava atenta à presença de Murilo.
Sempre que o via, corria ao seu encontro com um sorriso ensaiado, que misturava bajulação e uma leve artificialidade.
— Bom dia, Murilo!
A voz de Nina era clara e suave como uma brisa de primavera. Inicialmente, Murilo achou estranha essa súbita animação e desconfiou, mas logo se acostumou a ser paparicado.
Pensou que a "disciplina" dos dias anteriores finalmente surtira efeito.
Ele apenas deu um sorriso de canto como resposta.
**
Na aula de educação física, alguns badernos que costumavam agredir Nina verbal e fisicamente voltaram a agir.
Aproveitando que o professor estava distraído, eles a cercaram em um canto escuro do pátio como lobos famintos.
A líder do grupo, com uma maquiagem pesada e olhar de desprezo, empurrou Nina com força: — Olha só, a filha do corrupto ainda tem coragem de desfilar por aqui? Como ainda não morreu afogada no cuspe das pessoas?
Nina quase caiu.
Ela se estabilizou, com o coração acelerado, e procurou desesperadamente por Murilo no pátio.
Ele estava jogando basquete com outros rapazes, exibindo toda a sua agilidade.
Nina sabia que estava sozinha e que precisava arriscar tudo!
Ela respirou fundo e gritou com todas as suas forças:
— Não passem dos limites! Eu aviso a vocês: eu estou sob a proteção do Murilo!
— Nina elevou a voz ao máximo, gritando na direção dele:
— Murilo! Murilo!
Murilo, que estava saltando para um arremesso, virou a cabeça ao ouvir o chamado desesperado.
Pensou:
Essa garota anda bem comportada ultimamente.
Nina acenou para ele com vigor, forçando um sorriso radiante e falso, como se fossem íntimos de longa data.
Os agressores, que antes estavam arrogantes, congelaram na hora. Eles se entreolharam com medo e frustração.
A líder do grupo rangeu os dentes e soltou um resmungo de raiva, retirando-se com os outros como cães derrotados.
Através dessas ações, Nina conseguiu criar a ilusão de uma proximidade íntima com Murilo.
Os colegas começaram a temê-la e o bullying diminuiu drasticamente.
Com o avanço do plano dois, os boatos na escola cresceram como ervas daninhas.
Todos viam Nina sempre ao lado de Murilo, obediente e sorridente.
Murilo, por sua vez, aproveitava a atenção e os olhares de inveja.
Sem que percebessem, todos passaram a acreditar que Murilo e Nina estavam namorando...
O boato tornou-se quase uma verdade absoluta no campus.