A luz matinal atravessava a janela, caindo sobre o rosto de Nina, ainda marcado pelas lágrimas...
Ela despertou lentamente, e cada pontada de dor em seu corpo servia como um lembrete cruel da tortura que sofreu naquela noite, após mentir para Murilo dizendo que "não era virgem".
Especialmente suas nádegas, que estavam inchadas pelos golpes; qualquer movimento mínimo resultava em uma dor lancinante.
Mas, ao menos, ela havia preservado sua primeira vez.
Nina mordeu o lábio inferior, suportando o desconforto, e sentou-se com dificuldade.
Devido aos ferimentos, ela pediu um dia de dispensa da escola.
Ao saberem disso, os pais de Murilo demonstraram preocupação e foram ao quarto dela logo cedo.
Dona Helena sentou-se à beira da cama, tocou suavemente a testa de Nina e perguntou com doçura:
— Nina, por que pediu dispensa de repente? Está se sentindo mal?
Nina ergueu os olhos e, ao ver o carinho sincero dos dois, sentiu um turbilhão de emoções.
Ela desejava desesperadamente contar tudo o que Murilo fizera na noite anterior e implorar por proteção.
No entanto, pelo canto do olho, avistou Murilo parado a um canto.
Ele estava de braços cruzados, com um sorriso de escárnio nos lábios e um olhar carregado de malícia, como se a avisasse:
"Se ousar dizer uma única palavra, você vai pagar caro".
O coração de Nina gelou instantaneamente.
Ela sabia que, por melhor que eles a tratassem, Murilo era o filho legítimo; o sangue falaria mais alto.
Como eles acreditariam na palavra de uma estranha contra o próprio filho?
Nina hesitou por um momento, baixou a cabeça e, com a voz embargada, mentiu:
— Sr. Augusto, Dona Helena, não é nada grave. São apenas cólicas menstruais muito fortes, por isso quis descansar um dia.
Embora ainda tivessem dúvidas, eles não insistiram.
Recomendaram que ela repousasse e saíram do quarto.
Antes de ir, Murilo inclinou-se sobre a cama e sussurrou no ouvido dela:
— Foi esperta. Se abrir o bico, a próxima vez não será tão simples.
Dito isso, ele saiu vitorioso.
**
Nina passou o dia todo na cama, suportando o sofrimento físico e emocional.
Ela encarava o teto enquanto as lágrimas rolavam, perdida em incertezas sobre o futuro.
Na escola, Lucas notou a ausência dela e sentiu uma inquietação crescente.
Sabendo de tudo o que ela vinha passando, ele foi direto para a mansão dos Murilo após as aulas.
Um empregado conduziu Lucas até o quarto. Ao ver Nina pálida na cama, o coração de Lucas apertou.
Nina abriu os olhos e, ao vê-lo, seu olhar brilhou por um instante, mas logo se transformou em uma expressão de dor e medo. Ela temia que a presença dele enfurecesse Murilo novamente.
— Nina, você está bem aqui? — perguntou Lucas com ternura.
Nina baixou o olhar, contendo o choro: — Eu... estou bem...
Nesse momento, a porta foi escancarada e Murilo entrou.
Ao ver os dois sozinhos, seu rosto obscureceu e seus olhos arderam em fúria.
— O que você está fazendo aqui? Quem te deu permissão para entrar na minha casa? — rugiu Murilo.
Lucas encarou Murilo sem medo: — Vim ver a Nina. Ela não foi à escola hoje e eu estava preocupado.
— Ela é da minha família, você não tem que se preocupar com nada! — Murilo aproximou-se de Lucas com passos pesados.
Lucas não recuou, preparando-se para a provocação. A tensão era tamanha que parecia prestes a explodir a qualquer segundo.
Finalmente, Murilo desferiu o primeiro golpe, um soco em direção ao rosto de Lucas.
Lucas esquivou-se e contra-atacou rapidamente, e os dois se envolveram em uma briga física.
Nina assistia a tudo angustiada.
Ela temia por Lucas, pois sabia que Murilo tinha um preparo físico superior devido aos seus treinamentos.
Como esperado, Lucas logo começou a levar a pior, sendo atingido em vários pontos.
Sem aguentar mais, Nina correu e colocou-se à frente de Lucas, gritando em prantos para Murilo:
— Chega! Parem com isso! Se você bater nele de novo, eu vou te odiar para sempre!
Murilo estancou, surpreso.
Ao ver o rosto dela banhado em lágrimas, sua fúria deu lugar a um sentimento profundo de perda e ressentimento.
Lucas limpou o sangue no canto da boca e olhou para Nina com culpa; ele percebeu que, no momento, não tinha forças para protegê-la e que sua permanência só tornaria as coisas mais difíceis para ela.
— Nina, eu vou embora. Cuide-se — disse Lucas antes de se retirar.
Nina observou a partida dele com o coração partido.
Murilo permaneceu imóvel, olhando para ela com sentimentos conflitantes.
Ele não sabia o que sentia por Nina.
Era ódio?
Era amor?
Ou apenas um desejo de posse doentio e incontrolável?