Aquela voz parecia carregar uma autoridade real e assustadora.
A empregada estremeceu, quase deixando cair os lençóis; ela assentiu freneticamente e recuou em pânico, fechando a porta às pressas.
Nina, agarrando-se à última esperança, gritou em prantos:
— Me ajude! Por favor, chame o Sr. Augusto ou a Dona Helena...
No entanto, a empregada agiu como se não tivesse ouvido, apressando o passo e desaparecendo rapidamente no fim do corredor.
Na mente daquela mulher, Nina era apenas a filha de um corrupto, enquanto Murilo era o jovem mestre daquela casa; ofender Murilo significava colocar seu emprego em risco.
Por isso, ela escolheu ignorar o pedido de socorro de Nina.
Do lado de fora do quarto, o som contínuo de tapas atraiu cada vez mais servos.
Elas se reuniram, cochichando entre si com olhares repletos de malícia contra Nina.
— Essa garota parece tão sonsa, mas quem diria que é tão sedutora a ponto de deixar o patrãozinho nesse estado — disse uma governanta mais velha, torcendo o nariz com desprezo.
— Hunf, o pai dela roubou tanto dinheiro e prejudicou tanta gente, ela não pode ser boa coisa. Isso é carma — concordou outra empregada mais jovem, com o rosto transbordando aversão.
— Exatamente. Ainda vive aqui na nossa casa de graça... Por mim, já deviam ter expulsado ela, só serve para manchar o nome da família.
— Se quer saber, o patrãozinho tem o coração mole demais. Ele tem mais é que dar uma lição nela para ela entender o lugar dela.
Essas discussões atravessavam a porta e chegavam aos ouvidos de Nina, fazendo-a chorar ainda mais desesperada.
Murilo, ao ouvir aquelas vozes, não parou; pelo contrário, seus golpes ficaram ainda mais pesados, como se quisesse apagar completamente qualquer vestígio de rebeldia nela.
Ele sussurrou no ouvido de Nina:
— Ouviu isso? Todo mundo acha que você merece. Você é só uma garota má que ninguém quer!
— De agora em diante, você só servirá para ser montada por mim, para ser comida por mim. Será a minha cadela!
Nina só conseguia soluçar impotente.
Sob essa dupla humilhação e tortura, uma umidade surgiu em sua intimidade; gotas de mel molhavam os pelos esparsos, prestes a cair...
Ela estava molhada...
Nina apertou as pernas com força, tentando esconder sua reação do demônio...
O olhar de Murilo escureceu.
Ele pegou uma régua comprida que estava sobre a escrivaninha de Nina e a descarregou nas nádegas dela, que já estavam vermelhas pelos tapas.
Ouviu-se um estalo seco e, entre as marcas de mãos, surgiu um vergão vermelho e linear.
— Murilo... seu perverso... você é louco... espero que você morra...
Nina balançava a cabeça sem aguentar mais, suas mãos tateavam a mesa desordenadamente até que ela sentiu uma caneta esferográfica.
Ela a agarrou e tentou perfurar Murilo em um movimento para trás.
Devido ao ângulo, a ponta da caneta desviou da trajetória e atingiu o braço de Murilo.
Como ele treinava constantemente, seus músculos eram firmes e seu braço saiu ileso.
Com um estondo, a caneta foi arremessada longe.
Ela caiu aos pés de Murilo, que a esmagou com violência, quebrando o plástico transparente com um pisão.
Parecendo não esperar que Nina tentasse algo assim, Murilo franziu o cenho e, com a mão direita, levantou uma das pernas dela.
Essa posição deslocou o centro de gravidade de Nina, fazendo-a quase cair; ela tentou resistir, mas Murilo a pressionava por trás com tanta força que ela não conseguia se mexer.
— Me solta... seu lixo... escória... AAAAARGH!!
Nina lutava, e seu grito atingiu um tom agudo e repentino porque Murilo usou a régua para golpear duramente a sua fenda.
— A boca é rebelde, mas o corpo é bem honesto. Escorrendo tanto mel assim... no fundo você está gostando, não é?
Murilo posicionou a régua verticalmente e começou a raspar a vulva de Nina.
Logo, o líquido viscoso que transbordava de seu interior manchou a superfície da régua.
Nina ficou com o rosto rubro de humilhação, tentando a todo custo fechar as pernas, mas a força de Murilo era esmagadora; ela não conseguia se soltar.
— Eu te aconselho a ficar quieta e poupar energia — disse Murilo enquanto batia levemente de novo na intimidade dela, de forma pausada.
— Você já fez isso com o Lucas? Você é virgem?
Nina o encarou, apertando os lábios em silêncio.
Murilo usou a ponta da régua para cutucar a entrada delicada, sinalizando para que ela respondesse.
Nina tinha pavor de que aquele louco realmente enfiasse a régua nela; por dentro estava aterrorizada, mas por fora fingia calma, deixando escapar algumas palavras por entre os dentes:
— Se eu sou virgem ou não, o que isso tem a ver com você?
Murilo, vendo tamanha teimosia pela primeira vez, soltou uma risada baixa.
Ele se inclinou e mordeu a nuca branca e frágil da jovem, murmurando com uma voz carregada de perigo:
— Se for virgem, eu te como.
— Se não for, eu te torturo.