O sedã entrou lentamente na propriedade da família de Murilo, e os altos portões de ferro se fecharam logo atrás, isolando o barulho do mundo exterior.
O interior da mansão era repleto de árvores frondosas e flores vibrantes, criando um contraste gritante com o caos do mundo lá fora.
Assim que o carro parou, Nina desceu com cautela.
Os empregados ao redor lançaram olhares estranhos para ela, carregados com o mesmo desprezo que o povo no portão da escola demonstrava.
Eles cochichavam entre si, trocando comentários maldosos:
— Então essa é a filha do corrupto. O que ela veio fazer na nossa casa? — Deve estar tentando se encostar em gente poderosa. Que azar o nosso.
Nina ouviu os comentários e abaixou a cabeça, mexendo nervosamente na barra da blusa, desejando que o chão se abrisse sob seus pés.
Nesse momento, a esposa do Sr. Augusto, uma mulher de meia-idade com porte elegante, saiu apressadamente da mansão.
Ao ver a expressão de exaustão e desamparo de Nina, seus olhos se encheram de compaixão.
Ela se aproximou rapidamente, pegou as mãos de Nina com ternura e disse com carinho:
— Minha querida, olhe para você, está tão pálida. Deve estar exausta. Venha, entre com a tia e descanse um pouco.
Em seguida, o Sr. Augusto também se aproximou de Nina e disse calmamente:
— O caso do seu pai é um assunto pessoal dele e não deve afetar você. Devemos ser objetivos e justos; não puniremos inocentes.
Nina ergueu os olhos para aquele casal bondoso e sentiu as lágrimas vindo à tona.
Depois de passar por tanta maldade e injustiça, aquelas palavras gentis foram como o sol quente em um dia de inverno, deixando-a profundamente emocionada.
Suas lágrimas transbordaram e ela disse entre soluços:
— Obrigada... muito obrigada...
Murilo, parado ao lado, soltou um riso de escárnio ao ver Nina chorar, pensando que ela estava apenas fingindo ser digna de pena.
A família sentou-se à mesa para o jantar, que estava repleto de pratos sofisticados e aromas convidativos.
Nina não fazia uma refeição decente há muito tempo; desde que sua família caiu em desgraça, ela costumava comer apenas o básico para sobreviver.
Diante daquelas iguarias, seus olhos brilharam com um toque de desejo, mas ela tentou se conter ao máximo, temendo que percebessem sua situação precária.
Percebendo a reação de Nina, Murilo imediatamente demonstrou preocupação.
Ele serviu uma tigela de sopa para ela com um sorriso gentil no rosto:
— Nina, prove esta sopa. O sabor é excelente, coma bastante.
Durante o jantar, Murilo colocava comida no prato de Nina com frequência e perguntava atenciosamente se estava do seu agrado.
Para quem não o conhecesse, parecia que ele era extremamente cuidadoso com ela.
Após a refeição, os pais de Murilo, com expressões sérias, recomendaram várias vezes que ele cuidasse bem de Nina.
Eles também informaram a Nina que, por questões de imagem pública e posicionamento político, ela não poderia ficar na mansão principal, devendo ocupar temporariamente o quarto de serviço.
Nina demonstrou compreensão.
Em seguida, Murilo ofereceu-se para mostrar o alojamento a ela.
Ao entrar no quarto de serviço, Nina percorreu o espaço limitado com o olhar, sentindo um turbilhão de emoções complexas.
Antigamente, ela vivia em uma mansão espaçosa e iluminada, com quartos dignos de um palácio; aquele cômodo apertado era como o céu e a terra em comparação.
No entanto, após todas as reviravoltas da vida, ela aprendeu a ser grata; ter um lugar para se abrigar já era motivo de satisfação.
Murilo entrou no quarto logo atrás dela, com um olhar cheio de desdém.
Com os braços cruzados, ele elevou o tom de voz e provocou:
— Este quarto é realmente "especial". Você, que vivia em uma grande mansão, como se sente morando aqui agora?
Dito isso, ele mudou o tom e continuou:
— Bem, quando se vive de favor, só resta se sujeitar a este cantinho e se contentar com o que tem.
Ele era descendente de franceses e sua origem privilegiada o fazia habituar-se a olhar os outros de cima; diante de Nina, essa superioridade era escancarada.
Nina mordeu o lábio inferior, as unhas quase cravando na palma da mão.
Diante das palavras amargas de Murilo, ela escolheu o silêncio, engolindo toda a sua amargura.
— O quê? Acertei e agora ficou sem palavras? — Murilo deu um passo à frente com um sorriso sarcástico, seu olhar transbordando desprezo.
Sua atitude arrogante era como se estivesse olhando para um inseto insignificante.
Nina ergueu a cabeça com um olhar obstinado, respirou fundo para tentar se acalmar e disse friamente:
— Murilo, por que precisa ser tão agressivo?
— Eu, agressivo?
Murilo reagiu como se tivesse ouvido a maior piada do mundo. Ele soltou uma risada debochada e retrucou:
— Não venha se fazer de inocente comigo. Você acha que eu não sei quais são suas intenções ao entrar na minha casa?
Enquanto falava, ele se aproximava, encurralando Nina contra a parede, passo a passo.
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Nina não tinha para onde fugir; com as costas pressionadas contra a parede fria, ela franziu a testa e encarou Murilo com raiva.
— Não inverta os fatos aqui!
Um lampejo de desagrado passou pelos olhos de Murilo.
Ele estendeu a mão bruscamente, apertando o queixo de Nina e forçando-a a erguer o rosto.
— Você não quer apenas usar as conexões da minha família para limpar o nome do seu pai? — ironizou ele.
Assustada e furiosa, Nina deu um tapa na mão dele, virou-se e correu, gritando: — Murilo, seu louco, fique longe de mim!
A jovem apressava os passos, com os cabelos esvoaçando ao vento, desejando apenas escapar o mais rápido possível daquele homem que a sufocava.
Murilo, porém, não estava disposto a desistir e foi logo atrás dela.
— Você não vai sair daqui hoje.
No corredor estreito, os dois perseguiam um ao outro, com o som dos passos ecoando no espaço vazio.
Em meio à confusão, Nina tropeçou e quase caiu. Murilo aproveitou a oportunidade, avançou alguns passos e a abraçou com força, colando seus corpos.
— Solte-me! O que você pensa que está fazendo? — Nina lutava desesperadamente, golpeando o peito de Murilo com as mãos.
Ao sentir o corpo macio em seus braços, uma onda de calor percorreu Murilo, despertando uma reação fisiológica difícil de controlar.
Ele sussurrou no ouvido de Nina: — O que eu quero fazer? Humilhar você, é claro!
Assim que terminou de falar, ele enfiou a mão por dentro da gola da blusa dela, cobrindo o seio de Nina diretamente e apertando-o com força.
Nina arregalou os olhos; o terror e a raiva tomaram conta dela instantaneamente, enquanto uma onda de vergonha a sufocava.
Ela sentia o corpo arder e as bochechas queimarem, lutando freneticamente como se pudesse arrancar aquela humilhação de si mesma.
— Murilo, solte-me! Seu louco, você foi longe demais!
Ela contorcia o corpo e chutava sem parar, tentando escapar das mãos dele, mas a força de Murilo era tamanha que a resistência dela parecia inútil.
Murilo soltou uma risada fria e aguda, com um escárnio distorcido no rosto.
— Você acha que pode escapar? Obedecer é o que você deve fazer.
No meio do desespero, as lágrimas de Nina transbordaram, escorrendo pelas bochechas e molhando suas roupas.
Seu cabelo estava bagunçado, com algumas mechas grudadas no rosto banhado em lágrimas, deixando-a com uma aparência deplorável.
— Não, Murilo, eu te imploro! Eu errei, me deixe em paz, eu nunca mais farei isso...
Murilo parecia possuído por um demônio, ignorando completamente os apelos da jovem, enquanto continuava a disparar palavras humilhantes:
— Chorando? Agora está com medo? É tarde demais! Você é o meu brinquedo, tem que me obedecer.
Justo quando Nina estava prestes a entrar em desespero, o celular de Murilo tocou.
O som agudo e repentino quebrou o silêncio opressor daquele ambiente.
Impaciente, Murilo franziu a testa, parou o que estava fazendo e tirou o celular do bolso; era uma ligação de sua mãe.
Após hesitar por um instante, ele atendeu.
Nina não conseguia ouvir o que Dona Helena dizia do outro lado da linha.
Ao desligar, Murilo lançou um olhar feroz para Nina, como se a avisasse para não contar nada sobre o que acabara de acontecer.
Em seguida, ele a soltou, ajeitou as roupas e foi embora.
Nina desabou no chão, sem forças, olhando para o teto com o olhar vazio, enquanto as lágrimas não paravam de cair.
Seu corpo tremia levemente e o toque das mãos ásperas de Murilo em seu seio voltava à sua mente de forma repugnante, como algo impossível de apagar.
Ela sentia sua dignidade esmagada cruelmente; cada centímetro de sua pele gritava a humilhação e a dor que acabara de sofrer.
Nesse momento, um empregado saiu de um canto e olhou para Nina caída no chão com desprezo.
— Hunf, que mulher sem vergonha. Como ainda ousa morar na casa da família Murilo? Não olha para a própria posição? Merece mesmo ser maltratada!
Ao ouvir aquilo, a fúria de Nina reacendeu.
Ela se esforçou para se levantar e respondeu com raiva: — Por que você fala assim de mim? Eu nunca fiz nada de errado contra ninguém!
O empregado riu com desdém:
— Seu pai é um corrupto que prejudicou tanta gente e você ainda quer se justificar? Você é um azar, acolher você foi um erro da nossa família!
Nina tremia de raiva e queria retrucar, mas percebeu o quanto era impotente naquele momento.
Sob os risos do empregado, ela se virou em silêncio e caminhou com passos pesados de volta para o seu quarto.
O cômodo era simples, com apenas uma cama, uma mesa e uma cadeira, mas pelo menos estava limpo.
À noite, deitada na cama e encarando o teto escuro, Nina estava com os pensamentos longe.
Tudo o que aconteceu naquele dia passava em sua mente como um filme; aquelas humilhações e risos faziam seu coração doer.
No entanto, ela sabia que não podia se entregar ao desespero.
Ela decidiu encontrar uma oportunidade para visitar o pai e perguntar pessoalmente se ele realmente havia cometido corrupção.
Não acreditava que o pai que tanto a amava, um homem que ela via como honesto e bondoso, pudesse fazer algo assim.
Como agora vivia sob o teto de outros, para sobreviver naquela casa e ter a chance de descobrir a verdade, ela teria que cooperar temporariamente com Murilo, mesmo que ele quisesse brincar com seu corpo.
Mesmo com o coração cheio de nojo, ela precisaria resistir e esperar pela chance que mudaria tudo.