(Três anos atrás)
O céu sombrio parecia uma pesada placa de chumbo, pressionando com força sobre o campus do Colégio de Santos.
Nina caminhava apressada pelos corredores abraçada aos seus livros, tentando evitar os olhares que pareciam cravar-se em suas costas.
No entanto, sua esquiva foi inútil; algumas garotas já a esperavam à frente com sorrisos maliciosos no rosto.
— Ora, se não é a filha do corrupto do caso do desabamento da ponte. Como ainda tem coragem de vir à escola? — disse a garota que liderava o grupo, cruzando os braços com um tom sarcástico.
— O pai dela aceitou dinheiro sujo, usou materiais de baixa qualidade na obra e a ponte caiu. Tanta gente morreu... Ele está na cadeia agora, e é bem merecido.
— Pois é, tantas vidas perdidas por causa da negligência do pai dela. E ela aqui, agindo como se nada tivesse acontecido. Como consegue viver com a consciência tranquila? — acrescentou outra garota com desprezo nos olhos.
Nina mordeu o lábio inferior e abaixou a cabeça, tentando passar rápido.
Mas as garotas não pretendiam deixá-la ir facilmente e colocaram o pé na frente, fazendo-a tropeçar.
Nina caiu no chão, os livros se espalharam e seus joelhos ralaram, deixando o sangue escorrer.
Antes que ela pudesse se recuperar, alguns rapazes se aproximaram assobiando e exibindo sorrisos mal-intencionados.
— Nina, ouvi dizer que sua família era muito rica. Será que o dinheiro que seu pai roubou foi todo usado para comprar maquiagem para você? — um dos rapazes agarrou o queixo dela, forçando-a a levantar o rosto.
— Me solta! — Nina lutava, com os olhos repletos de raiva e humilhação.
— Soltar você? Não vai ser tão fácil assim.
— O rapaz, com o rosto oleoso, soltou um sorriso sórdido e sussurrou ao ouvido dela:
— Por que não vem comigo esta noite? Garanto que vai experimentar sensações divinas. Com essa pele tão macia, deve ser uma delícia te tocar... Será que ainda não foi devidamente amada por um homem?
Palavras obscenas jorravam como o veneno de uma serpente.
As pessoas ao redor entenderam imediatamente e, após um breve silêncio, explodiram em gargalhadas... Risos carregados de malícia e leviandade, como se quisessem afogá-la.
Empurrada pela multidão, Nina foi levada ao terraço da escola.
Os rapazes tornaram-se ainda mais agressivos; um deles puxou o cabelo dela com força, jogando sua cabeça para trás.
Com dor e os olhos marejados, Nina gritou com todas as suas forças:
— Me soltem! Socorro! Alguém me ajude!
Mas a única resposta foram as risadas desenfreadas dos garotos. Outro rapaz estendeu a mão e começou a apalpá-la brutalmente no peito.
Ela torcia o corpo freneticamente, agitando os braços para tentar afastar a mão dele, mas era inútil.
Havia ainda quem a abraçasse por trás com força, com as mãos deslizando por sua cintura e coxas... As roupas de Nina ficaram desalinhadas sob as ações brutas deles.
Justo quando ela estava prestes a entrar em desespero, a porta do terraço se abriu e Murilo entrou com um cigarro na boca.
Ele era descendente de franceses — sua avó era francesa —, o que lhe conferia uma aparência única.
Era alto, com traços esculpidos como os de um ocidental, contornos faciais refinados, sobrancelhas profundas e uma zona T marcante.
Seus olhos, de um tom azul-escuro, brilhavam por trás da fumaça, exalando uma nobreza inata.
Totalmente destoante dos outros alunos em seus uniformes padrão, ele vestia roupas largas e casuais de grife, emanando um charme impossível de ignorar.
Nina percebeu a entrada de alguém e, como alguém que se afoga e agarra a última esperança, ignorou a dor aguda que sentia por todo o corpo.
Quase rastejando, ela moveu-se com dificuldade pelo chão em direção a Murilo.
Com os cabelos bagunçados e colados ao rosto coberto de lágrimas, ela gritou com um olhar de desespero e súplica:
— Por favor... me ajude...
Murilo olhou para a garota de roupas desalinhadas e rosto banhado em lágrimas.
Ele arqueou uma sobrancelha e um sorriso de escárnio surgiu em seus lábios.
Ele sacudiu a cinza do cigarro e resmungou suavemente em francês:
— Quelle pitoyable. (Que patético.)
Em seguida, disse em chinês:
— Quer que eu te ajude? Olhando para esse seu estado deplorável, você acha que eu me importaria?
Os alunos ao redor abaixaram a cabeça e ficaram em silêncio. Todos conheciam a identidade de Murilo; o novo aluno transferido era filho de um alto oficial do governo.
Nina ajoelhou-se diante dele com as mãos cerradas, as unhas quase cravando na palma.
— Eu... eu farei qualquer coisa. Só peço que faça com que eles parem de me humilhar. — Sua voz tremia, humilhada até o pó.
Murilo se agachou e levantou o queixo de Nina delicadamente, com um olhar de deboche.
— Qualquer coisa? Interessante... — Ele fez uma pausa. — Mas que valor você acha que o seu "qualquer coisa" tem para mim?
Dito isso, ele se levantou com uma expressão pensativa, como se avaliasse se aquela "troca" valeria a pena.
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Os rapazes que agrediam Nina, vendo que Murilo não tinha uma intenção clara de salvá-la, tornaram-se audaciosos novamente.
Um deles, de cabelos tingidos de loiro, estendeu a mão direita e agarrou o braço de Nina com força, puxando-a para perto de si com um sorriso lascivo no rosto.
— Ei, não espere que este senhor vá te salvar. É melhor vir conosco obedientemente — disse o loiro.
Outro rapaz aproximou-se rapidamente; sua mão esquerda percorria o ombro de Nina sem pudor, enquanto a direita apalpava sua cintura.
— Uma belezinha dessas... não podemos deixar passar hoje — resmungou ele.
Enquanto a assediavam, não esqueciam de bajular Murilo.
— Jovem Mestre Murilo, um passo seu faz esta cidade tremer. Uma mulher como esta certamente não está à sua altura. Que tal se nós a levarmos? Garantimos que não causaremos o menor problema ao senhor.
Ao ouvir isso, Murilo exibiu uma ponta de desprezo imperceptível.
Nesse momento, a porta do terraço foi escancarada novamente, e Lucas surgiu ofegante na entrada.
Ao ver a cena, seus olhos se arregalaram instantaneamente, e ele rugiu:
— Soltem ela!
Nina viu Lucas e um brilho de esperança surgiu em seus olhos, mas logo se apagou; ela sabia que a família dele o proibia de ter qualquer relação com ela.
Lucas correu e empurrou o rapaz que a tocava.
Os agressores hesitaram por um segundo, mas logo se recuperaram e o cercaram.
— Ora, se não é o amigo de infância da Nina. O que foi, quer bancar o herói? Olhe bem para o seu tamanho antes de tentar algo — debochou o loiro.
Lucas cerrou os dentes e envolveu-se em uma briga com eles, mas, estando em desvantagem numérica, logo ficou sem forças e foi derrubado no chão.
Os rapazes não pararam; enquanto o chutavam, disparavam insultos:
— Seus pais não disseram para você não se envolver com essa garota? Ainda vem aqui bancar o valente... que petulância.
Nina, vendo Lucas ser espancado, começou a chorar desesperadamente.
— Parem! Não batam nele! — gritava ela em agonia. Mas os rapazes a ignoravam completamente.
A cena tornava-se cada vez mais caótica quando, em meio aos empurrões, um dos rapazes tropeçou e colidiu diretamente contra Murilo.
Murilo, que observava tudo com certo interesse, balançou levemente com o impacto.
Seus olhos azul-escuros tornaram-se frios instantaneamente, e seus lábios se apertaram sob o nariz altivo, revelando um claro desagrado.
Murilo acenou com a mão impacientemente.
— Chega. Calem a boca todos vocês.
Dito isso, ele deu alguns passos à frente e chutou o rapaz que estava em cima de Lucas.
Seu gesto não foi gentil; parecia menos um resgate e mais um desabafo de sua própria irritação.
— Que barulho irritante. Se querem brigar, façam em outro lugar — disse ele friamente, mantendo aquela expressão indiferente, como se nada daquilo tivesse a ver com ele e estivesse apenas incomodado com o barulho.
Os rapazes que agrediam Lucas, ao reconhecerem o rosto de Murilo, empalideceram de susto. Eles se perfilaram trêmulos, competindo para ver quem se desculpava primeiro:
— Jovem Mestre Murilo, mil perdões! Fomos ignorantes, não sabíamos que o senhor estava aqui. Por favor, perdoe nossa falta de consideração...
Enquanto falavam, começaram a esbofetear o próprio rosto, tentando provar sua sinceridade.
Murilo nem sequer os olhou diretamente; apenas franziu a testa e disse com nojo:
— Allez-vous-en. Não quero ver vocês de novo. (Vá embora.)
Sua voz era suave, mas carregava uma autoridade inquestionável.
Os rapazes, como se tivessem recebido um indulto, viraram-se apressadamente e fugiram de forma patética, desaparecendo na esquina.
Nesse momento, vendo que os agressores haviam partido, Nina correu e ajudou o ferido Lucas a se levantar com cuidado.
— Lucas, você está bem? Consegue andar? — perguntou ela preocupada.
Lucas estava pálido, mas forçou um sorriso.
— Estou bem, Nina... obrigado.
Os dois se apoiavam mutuamente, preparando-se para sair.
— Ei.
Uma voz fria ecoou atrás deles.
Nina estancou, virou-se e viu Murilo encostado na parede com as mãos nos bolsos, olhando para ela com um sorriso enigmático.
— Eu resolvi o seu problema, e você parece ainda não ter me agradecido — disse Murilo, arqueando uma sobrancelha em tom de deboche.
Nina arregalou os olhos, e um misto de pânico e incredulidade passou por seu rosto.
Seus lábios se abriram, querendo dizer algo, mas a tensão a deixou momentaneamente sem palavras.
Depois de um longo tempo, ela conseguiu gaguejar:
— Des... desculpe. Obrigada...
Sua voz era tão baixa quanto o zumbido de um mosquito, e sua cabeça estava tão baixa que quase encostava em seu peito.