Prólogo: Perdoe-me
A luz amarelada e ambígua envolvia a suíte de luxo, enquanto as pesadas cortinas de veludo isolavam completamente o barulho do mundo exterior.
Na cama espaçosa, o corpo alto e robusto do homem pressionava a mulher contra o colchão.
A camisa dele, com vários botões abertos, revelava um peito firme e os contornos dos músculos abdominais esculpidos por anos de exercícios, enquanto os músculos de seus braços se sobressaíam a cada movimento, exalando força.
— Nininha, você ainda é minha, sempre será.
Murilo murmurava para si mesmo enquanto se aproximava ansiosamente, tentando beijar o pescoço de Nina.
A camisola de seda de Nina estava desalinhada, o tecido leve e justo delineava sua cintura fina e suas curvas generosas, com suas pernas longas e retas entreveiculadas sob a bainha.
Seus olhos estavam frios; ela virou levemente o rosto para evitar o toque de Murilo, encarando o teto com um olhar vazio, enquanto seus pensamentos viajavam para longe.
Após anos de amadurecimento, ela já não era a garota frágil que aceitava humilhações no passado.
Diante de Murilo, embora parecesse dominada fisicamente, seu coração permanecia imperturbável, carregando até um toque de desprezo.
— Nininha, por favor, olhe para mim. Não seja tão fria.
Ao ver que Nina não reagia, o tom de Murilo ganhou um toque de súplica.
Ele soltou uma das mãos e tocou suavemente a bochecha pálida dela com seus dedos ásperos, com um olhar repleto de ansiedade e inquietação.
Naquele momento, toda a arrogância do passado havia sumido; restava apenas um pânico profundo, o medo de perder novamente a mulher que ele um dia feriu impiedosamente.
Nina finalmente desviou o olhar para o rosto de Murilo. Ela o encarou friamente, com um sorriso de escárnio surgindo no canto dos lábios.
— Murilo, você acha que isso tem alguma graça?
Sua voz era calma e firme, sem qualquer sinal de pânico.
Murilo sentiu-se atingido por aquele olhar e por aquelas palavras. Seu corpo estremeceu levemente, mas ele a abraçou com ainda mais força.
— Eu sei que errei. Passei todos esses anos me arrependendo. Nininha, me dê uma chance. Perdoe-me, por favor... eu te imploro...
Sua voz era quase um lamento enquanto ele escondia o rosto no ombro dela, tentando desabafar toda a sua dor e remorso.
Entretanto, o coração de Nina não sentia nada.
O passado de dor causado por Murilo era como facas afiadas que deixaram cicatrizes indeléveis em sua alma.
— Murilo, é tarde demais.
O tom de Nina era inquestionável. Ela o empurrou com força, tentando se sentar.
Em um instante, o amor de Murilo se transformou em ódio possessivo e sua razão desmoronou.
Ele a pressionou violentamente contra a cama de novo, rasgando a camisola dela com fúria.
O tecido delicado não resistiu à sua força bruta, deixando sua pele exposta ao ar...
— Não! Nina! Você não pode me deixar! Você é minha!
Ignorando a resistência frenética dela, ele selou os lábios dela de forma selvagem, forçando a entrada com a língua em um beijo bruto e invasivo...
Sua outra mão percorria ansiosamente a pele macia dela em carícias ávidas, deixando um rastro de calor por onde passava...
— Murilo... seu canalha... me solta...
Nina lutava desesperadamente, empurrando-o com as mãos, suas unhas cravando-se nas costas largas dele e deixando marcas de sangue.
Mas Murilo parecia possuído por um demônio e não tinha intenção de parar.
Sua respiração tornava-se cada vez mais pesada enquanto ele se pressionava contra ela, com movimentos cada vez mais frenéticos...
O quarto estava impregnado de uma atmosfera sufocante de opressão e desespero, misturada ao cheiro de luxúria e luta...
De repente, pelo canto do olho, Nina avistou um vaso na cabeceira da cama — sua única esperança.
Sem hesitar, ela o agarrou e o golpeou com toda a força contra a cabeça de Murilo.
Ouviu-se um estrondo seco. O vaso colidiu violentamente com a testa dele e estilhaçou-se instantaneamente.
O corpo de Murilo estremeceu e o sangue vermelho começou a escorrer de sua testa, deslizando pelo rosto e pingando no peito de Nina, formando uma mancha escarlate e chocante...