Os olhos dela brilharam com incredulidade, seguida de uma inveja profunda.
O Diretor Marcos se aproximou: — Você realmente conseguiu cultivar três espécimes com consciência própria?! Incrível, simplesmente incrível!
— Nossos nomes ficarão marcados na história!
Os outros presentes também exibiam rostos cheios de empolgação.
— A veterana Bia é realmente fantástica. Quando será que nós também conseguiremos criar espécimes com consciência própria?
Todos concordaram, expressando admiração e uma ponta de lamentação.
Paola, no entanto, mostrava apenas desdém:
— Eles ainda nem completaram a transformação, não é? Se vão conseguir mesmo, ainda é uma incógnita.
— No ano passado, surgiu um espécime com consciência e até fizeram um banquete de comemoração, mas quem diria que ele morreria subitamente pouco tempo depois.
Ao ouvir isso, todos prenderam a respiração, sentindo um calafrio.
Ela brincava com o taser em suas mãos e disse, desinteressadamente:
— Diretor, eu sou uma treinadora de nível S. Que tal me entregar esses espécimes semitransformados?
Eu me afundei no silêncio.
A classificação S de Paola devia-se ao fato de que o primeiro espécime transformado em décadas fora treinado por ela.
Enquanto eu era apenas uma cuidadora de nível A; espécimes com tanto potencial não eram considerados adequados para permanecerem sob meus cuidados.
Só de pensar nisso, senti uma pontada de tristeza.
Como esperado, o Diretor não se opôs e assentiu:
— Certo, deixe-os sob o treinamento de Paola. Vamos nos esforçar para que todos completem a transformação!
Ele pareceu se lembrar de algo e deu um tapinha no meu ombro.
— Não fique tão triste. O mérito de ter cultivado esses espécimes será registrado para você, e haverá um bônus no seu salário este mês.
6
Após Paola levar meus espécimes, passei a cuidar de um novo.
Era uma tartaruga marinha milenar.
Lenta ao extremo, quando não se mexia, parecia que estava morta.
Até as algas marinhas gostavam de criar raízes em sua cabeça, crescendo e balançando como se ela estivesse usando um chapéu verde.
Eu não conseguia evitar certo desânimo. Os espécimes anteriores eram tão melhores... O polvo, Enzo, costumava apoiar seus tentáculos no vidro para imitar poses humanas quando eu estava triste.
Como se estivesse me dando um abraço.
Luan, o tritão, cantava para mim com sua voz etérea e doce, e ainda me trazia conchas bonitas com pérolas brilhantes dentro.
Diziam que aquelas eram as lágrimas de um tritão.
E havia Luna, a água-viva, que brilhava como uma pequena lâmpada sempre que estava feliz.
Soltando bolhas em minha direção.
Ao pensar nisso, uma tristeza súbita me abateu.
— Beatriz, algo terrível aconteceu! Houve um problema!
Thiago entrou correndo, chamando-me em um estado de agitação total.
Respirei fundo e o repreendi:
— Você também é um cuidador de nível S, não pode trazer uma notícia boa pelo menos uma vez? Sempre que abre a boca é para dizer que algo deu errado, está querendo me rogar praga?!
Thiago não sabia se ria ou se chorava.
— Não estou rogando praga, o problema é com os seus antigos espécimes!
Fiquei paralisada e logo segurei o braço dele, perguntando ansiosa:
— O que aconteceu? Paola não está tratando eles bem?
— Como poderia tratar bem?! Ela é sua rival, agora está encontrando mil maneiras de torturar aqueles espécimes. Eu tentei impedi-la, mas não adiantou!
— Dois dos tentáculos do polvo foram cortados e ele agora está em greve de fome. E aquele tritão... ele está em depressão profunda, até as escamas começaram a cair...
Eram espécimes que eu havia criado com tanto carinho por anos; normalmente, se eles ralassem um pouco a pele, eu já ficava com o coração partido por horas.
Quanto mais com tentáculos decepados.
Conforme Thiago falava, minhas mãos tremiam cada vez mais.
Minha voz também começou a falhar: — Eu preciso ir até eles.
Thiago disse chocado: — Você enlouqueceu? Aquilo é o Setor S, como você pretende entrar?
Olhei nos olhos dele, quase implorando:
— Thiago, me ajude.
Ele hesitou por um momento e então cedeu:
— Tudo bem.
7
Consegui me infiltrar no laboratório do Setor S.
Quando cheguei, Paola estava segurando um chicote manchado com sangue escuro.
Um cheiro forte e metálico de sangue invadiu minhas narinas.
Paola lambia os lábios com os olhos brilhando de excitação:
— Chore! Por que não chora? Quero ver se o seu rosto banhado em lágrimas é tão belo e comovente quanto dizem as lendas.
Ao ver que o tritão não chorava, ela desferiu mais duas chicotadas violentas.
Pedaços de carne voaram pelo ar, em uma cena absolutamente sangrenta.
Paola perdeu a paciência, o chicote movia-se como um vulto: — Chore! Chore para mim agora!
Luan cobria a cabeça, e mesmo em sofrimento agônico, recusava-se a ceder.
Seu olhar era obstinado, e ele murmurava:
— Não choro... pérolas... apenas para a Mestra...
Aquele tolo. Minhas lágrimas começaram a rolar involuntariamente.
Vendo que o chicote de Paola estava prestes a descer novamente, gritei:
— Pare com isso!
Ela se virou e soltou um som de desprezo ao me ver.
— Ora, se não é a minha velha conhecida.
Paola usou o cabo do chicote para erguer o queixo de Luan, que estremeceu involuntariamente.
Apertei meus punhos com força: — Paola.
Ela sorriu vitoriosa para mim:
— O quê? Ficou nervosa?
Olhei para aquele rosto e senti náuseas.
Questionei-a:
— Você está abusando deliberadamente dos espécimes, não tem medo de violar os regulamentos de proteção?!
— Regulamentos de proteção?
Paola olhou para mim como se eu fosse estúpida: — Beatriz, esse tipo de coisa serve apenas para restringir cuidadores de baixo nível como você. Não funciona comigo.
— Já você, invadir a sala secreta de alta cúpula do Setor S é motivo para ser eliminada.
Ela deu um sorriso sombrio e ergueu o chicote.
— Hoje, eu representarei o laboratório e farei a limpeza deste lixo.
No segundo seguinte, o chicote estalou.
O som cortando o ar ecoou enquanto ele vinha em minha direção.
Eu quase podia imaginar a dor que sentiria ao ser atingida, como se fogo estivesse queimando meus ossos.
Mas a dor esperada não veio.
Um vulto se colocou à minha frente.
Levantei os olhos e vi que era aquela água-viva.
— Luna?