Arthur estava parado diante do túmulo de Alice, enquanto a chuva escorria por seu queixo e respingava sobre a lápide.
Seus dedos longos traçavam repetidamente as letras do nome "Alice" gravado na pedra; a polpa de seus dedos sangrava devido ao atrito com a superfície áspera, mas ele parecia não sentir dor alguma.
"Lice..." ele chamava o nome dela com uma voz grave e falha, quebrada em um tom melancólico.
O assistente permanecia à distância, sem ousar se aproximar.
Arthur já estava ali parado há três dias inteiros, sem comer ou beber, apenas encarando aquela lápide fria.
Seu terno já estava encharcado pela chuva e o cabelo grudava úmido em sua testa; ele parecia alguém que tivera a alma arrancada, restando apenas uma casca vazia.
De repente, ele tirou um canivete suíço do bolso interno do paletó.
Com a lâmina brilhando friamente sob a chuva, ele cortou o próprio pulso sem hesitação. "Sr. Arthur!" o assistente correu em pânico, mas foi afastado bruscamente por ele.
"Não chegue perto." ele soltou uma risada baixa, com a voz rouca como a de um demônio vindo do inferno.
"A Lice tem medo da dor, eu preciso provar primeiro... o quanto dói."
O sangue escorria da ponta de seus dedos sobre as rosas brancas diante do túmulo, tingindo as pétalas de vermelho.
Ao encarar aquele tom escarlate vibrante, ele subitamente lembrou-se do nonagésimo sétimo suicídio de Alice — quando ela foi jogada pelo sistema em um poço de gelo, e o som do sangue congelando parecia vidro se estilhaçando.
"Não dói o suficiente..." ele murmurou para si mesmo, desferindo um segundo, um terceiro corte, até que todo o seu braço estivesse banhado em sangue.
O assistente, pálido de pavor, tentou segurá-lo à força: "Sr. Arthur! Se o senhor continuar assim, a Srta. Alice também não voltará!".
"Saia daqui!" Arthur o empurrou violentamente, recuando alguns passos cambaleante com um olhar de pura loucura.
"Ela morreu! Fui eu quem a matou! Eu não tenho nem o direito de acompanhá-la na morte?!".
Ele caiu de joelhos no túmulo enlameado, encostando a testa contra a lápide fria, desabando em prantos como uma criança.
Três meses depois, o Grupo Arthur anunciou subitamente sua dissolução.
Todos os ativos, avaliados em bilhões, foram doados para a "Fundação Infantil Marina" — a última instituição de caridade que Alice ajudara em vida.
Quando jornalistas financeiros o fotografaram assinando pessoalmente o acordo de doação, a gaze enrolada em seu pulso esquerdo ainda apresentava manchas de sangue.
Aquela foi a última aparição pública de Arthur.
A partir de então, ele iniciou uma longa e lenta jornada de expiação.
Ele percorreu oitenta e uma montanhas sagradas por todo o país, subindo cada uma delas de joelhos.
Na primeira, o Monte Wutai, sobre os degraus de pedra azul, ele avançava ajoelhado e prostrava-se a cada passo.
Sua testa batia com força contra as pedras e o sangue escorria por suas sobrancelhas.
Peregrinos que passavam olhavam horrorizados para aquele homem em trajes executivos, batendo a cabeça como um louco até ficar em carne viva.
"Buda... eu lhe suplico..." sua voz soava despedaçada, "deixe-me vê-la apenas mais uma vez...".
Na vigésima quinta, o Monte Putuo, seus joelhos já estavam ulcerados e cada movimento parecia o toque de uma lâmina.
Um monge, compadecido, ofereceu-lhe uma tigela de água pura, mas ele recusou com um aceno de cabeça.
"A Lice, naquela época... também sentiu uma dor assim...".
Na quinquagésima, o Monte Emei, sob chuva torrencial e trilhas lamacentas, Arthur subia completamente encharcado, com os joelhos desgastados pelas pedras até os ossos ficarem visíveis.
Ainda assim, ele continuava a subir obstinadamente.
"Lice... espere por mim...".
Na octogésima primeira, o Palácio de Potala, três anos antes ele estivera ali batendo a cabeça dez mil vezes apenas para implorar aos deuses que a trouxessem de volta.
Agora, ele ajoelhava-se no mesmo lugar, mas o milagre não mais aconteceria.
"Lice..." ele prostrou-se sobre a neve, as lágrimas misturando-se ao sangue no solo, "eu errei... eu realmente errei...".
Arthur enlouqueceu completamente. Ele tentou todos os métodos — doou toda a fortuna, automutilou-se, viveu em privação — mas Alice não retornou.
Ele olhava para os 99 suicídios descritos no diário de Alice com um olhar obsessivo: "Lice, espere por mim, vou te encontrar".
A primeira tentativa: corte nos pulsos.
Enquanto a lâmina abria a artéria na banheira, ele lembrou-se do décimo sétimo suicídio dela — o sangue tingindo toda a água enquanto a temperatura corporal se esvaía até o coração parar.
"Lice... eu vim te acompanhar...".
Mas ele foi resgatado.
A segunda: queda de um prédio.
Parado na beirada de um edifício de trinta andares, com o vento agitando seu terno.
"A Lice, naquela época... também pulou assim...".
Ele abriu os braços como se abraçasse uma miragem no vazio e saltou. Mas um colchão inflável dos bombeiros o amparou.
A terceira: choque elétrico.
Ele comprou um bastão de choque idêntico ao que usara para torturá-la e o aplicou contra o próprio abdômen sem hesitar.
No instante em que a corrente atravessou seus órgãos, ele se encolheu no chão em convulsão, mas sorriu como um demente.
"Lice... afinal, dói tanto assim...".
A nonagésima nona: soníferos.
Ele deitou-se na cama de casal e ingeriu um frasco inteiro de pílulas.
"Lice... desta vez... finalmente poderei te ver...".
[AVISO! A estabilidade do mundo caiu para 1%!]
A voz mecânica do sistema ecoou agudamente no vazio.
A loucura de Arthur levara o mundo inteiro à beira do colapso — mercados financeiros em queda livre, desastres naturais frequentes e até a linha do tempo começara a se desordenar.
[Detectada obsessão acima do limite crítico]
[Iniciando protocolo de transferência de emergência]
[Coordenadas do alvo: Espaço-tempo original de Alice]
Em meio a uma luz branca ofuscante, a última percepção de Arthur foi o som há muito esquecido do aviso do sistema:
[Desprendimento do mundo em 3 segundos]
[3—]
[2—]
[1—]
Ele pareceu ver Alice na extremidade da luz, vestindo aquele vestido azul desbotado de quando se conheceram, e correu desesperadamente em direção a ela.
"Lice, eu vim te ver!".