O assistente assentiu trêmulo e, quando estava prestes a sair, a mãe de Arthur correu para detê-lo.
"Arthur! Caia na real! Ela se foi, até quando você vai continuar com esse escândalo?".
Arthur a afastou bruscamente, com um olhar gélido e assustador: "Escândalo?".
Ele soltou uma risada amarga: "Mãe, você acha que eu não sei quem escreveu essa carta?".
O rosto da mãe de Arthur empalideceu instantaneamente.
Ela tentou se manter firme: "Esta é claramente a letra da Alice, Arthur, não seja teimoso...".
"Mãe, você não conhece a personalidade da Alice? Se ela realmente soubesse de toda a verdade, jamais deixaria uma carta; ela simplesmente desapareceria sem deixar rastros".
Arthur saiu friamente e mobilizou todas as forças da empresa para encontrar Alice. Três horas depois, o assistente trouxe a pior das notícias.
"Sr. Arthur..." a voz do assistente tremia, "a patroa... dez dias atrás, entrou em contato com o necrotério da zona sul...".
Crash!
O copo na mão de Arthur estilhaçou-se instantaneamente, e os fragmentos de vidro cortaram sua mão, fazendo-a sangrar.
Ele agiu como se não sentisse nada, agarrando o assistente pelo colarinho.
"Não! O que você quer dizer com isso? Eu te digo que é impossível! Vamos agora mesmo para o necrotério!".
Quando Arthur escancarou a porta do escritório do necrotério com um chute, os funcionários pularam das cadeiras, assustados.
"Investigue!" sua voz estava completamente rouca, e seus dedos pressionavam a mesa com tanta força que os nós estavam brancos.
"Alice! Quero verificar o registro de cremação dela!".
O funcionário, trêmulo, acessou o sistema: "Senhor, qual é a sua relação com a falecida?...".
"Eu sou o marido dela!" ele golpeou a mesa com força, com os olhos injetados de sangue.
"Ela não morreu! É impossível que tenha morrido! Vocês devem ter se enganado!".
Espantado com a expressão aterrorizante dele, o funcionário apressou-se em abrir o arquivo: "Sra. Alice, 28 anos, hora do óbito... três dias atrás".
A respiração de Arthur parou subitamente.
Três dias atrás... o dia em que ele estava nas Maldivas.
A foto familiar na tela feriu seus olhos — era a foto da identidade tirada quando se casaram, com Alice sorrindo levemente e os olhos brilhando.
Agora, a foto estava marcada com um carimbo preto e frio: [CREMADA].
"Não..." ele recuou cambaleante, soltando um rugido baixo como uma fera encurralada, "isso é impossível...".
Arthur correu para os arquivos e derrubou fileiras inteiras de armários de metal em um acesso de loucura.
O barulho do impacto metálico era ensurdecedor, e centenas de registros de cinzas espalharam-se pelo chão.
O funcionário, em pânico, apertou o botão de alarme.
"Senhor! O senhor não pode—".
"Cale a boca!" ele pegou um peso de papel de bronze sobre a mesa e o atirou contra a parede, estilhaçando um relógio antigo.
"Entreguem minha Alice, ela não pode ter morrido!".
Sua gravata estava torta no pescoço, e o terno de alta costura estava coberto de poeira e sangue.
No momento em que os seguranças invadiram a sala, Arthur pegou um machado de incêndio e arrombou a trava eletrônica do depósito de cinzas.
O som do alarme cortava o ar de forma aguda, mas ele parecia não ouvir, golpeando repetidamente os pequenos nichos.
"Sr. Arthur!" o oficial gritou para detê-lo, "O senhor está destruindo propriedade pública—".
"Ela não morreu!"
Arthur explodiu, brandindo o machado contra o escudo da polícia.
"Vocês se aliaram para me enganar!"
Ele ria freneticamente, enquanto lágrimas misturadas com sangue escorriam pelo rosto.
"Ela prometeu esperar eu voltar para casa...".
No momento em que o gás lacrimogêneo se espalhou, as pessoas viram aquele homem de um metro e oitenta e sete subitamente se encolher em posição fetal, abraçando com força uma urna de cinzas que havia caído.
Ele soluçava como uma fera ferida enquanto era imobilizado pelos policiais no chão.
O policial entregou um documento:
"Esta é a certidão de óbito emitida pela polícia. O legista confirmou parada cardíaca por overdose de soníferos...".
O papel tremia violentamente nas mãos de Arthur.
[CAUSA DA MORTE: SUICÍDIO].
As três palavras foram como uma faca cravada em seu coração.
"Ela..." sua voz estava despedaçada, "quando ela se foi... doeu muito?".
O funcionário hesitou por um momento e respondeu: "Disseram os colegas que atenderam a ocorrência que, quando a encontraram, ela já estava... muito serena. A cama estava bem arrumada, ela estava de pijama, parecia... que estava apenas dormindo".
Arthur caiu de joelhos com força.
Ele se lembrou da última vez que viu Alice, deitada calmamente na cama, dizendo suavemente: "Arthu, estou um pouco cansada".
E ele... ele não percebeu que aquilo era um adeus.
"E tem isto também..." o funcionário entregou outro envelope, "é a carta de despedida escrita pela Sra. Alice. Ela realmente cometeu suicídio...".
Ela detalhou o destino do dinheiro, organizou todas as senhas e até escreveu o epitáfio, mas não mencionou Arthur em uma única p
alavra, exatamente como a mulher que ele conhecia.
No local da assinatura, havia uma mancha de água, como o rastro de uma lágrima seca.
"AHHH—!!!"
Seu grito dilacerante estilhaçou os vidros do necrotério.
Ele libertou-se freneticamente dos policiais, com os nós dos dedos em carne viva e o terno encharcado de suor frio, mas continuou a golpear as portas de metal dos nichos sem sentir dor.
"Sr. Arthur! Por favor, acalme-se!"
A polícia tentou contê-lo, mas ele os empurrou.
"Saiam daqui! A Alice tem medo do escuro! Não posso deixá-la sozinha em um lugar como este!".
Até que a polícia exibiu o registro completo da ocorrência.
Nas fotos, Alice estava deitada pacificamente na cama, com as mãos cruzadas sobre o peito e até um leve sorriso de alívio nos lábios.
Na mesa de cabeceira, estavam organizados os frascos de remédio, a carta de despedida e... um relatório de gravidez manchado de sangue.
"Exame... de gravidez?"
As pupilas de Arthur contraíram-se violentamente.
A voz do legista veio de longe: "A autópsia mostrou que a falecida sofreu choques elétricos antes de morrer, o que causou um aborto espontâneo; havia traumas evidentes no útero...".
Choques elétricos?.
A mente de Arthur subitamente relembrou aquela noite chuvosa — para vingar Diana, ele pessoalmente usou um bastão de choque para torturar aquela "mulher que intimidou Diana".
Naquele momento, a outra pessoa se contorcia no chão e havia sangue escorrendo entre as pernas....
"Blergh—"
Ele inclinou-se bruscamente, vomitando bile misturada com fios de sangue.
Aquela criança que ele matou com as próprias mãos... era da Alice?.
"Sr. Arthur? Sr. Arthur!"
Em meio aos gritos de susto, Arthur caiu de costas no chão.
Sua nuca bateu com força no mármore, mas ele não sentiu dor.
Em um transe, viu Alice aos dezessete anos agachada na chuva, dando seu último pedaço de pão a um gato de rua.
"Arthu," ela se virou e sorriu para ele com os olhos brilhando, "ele tem tanto medo do frio quanto você".
Antes que a escuridão consumisse completamente sua consciência, ele ouviu seu próprio soluço despedaçado:
"Lice... eu errei...".