A sensação de ter traído a pessoa que mais amava era como uma faca cega, cortando impiedosamente sua própria carne.
Sem esperar pela troca de alianças, Arthur empurrou Diana e saiu correndo da cerimônia.
"Arthur!", gritou Diana atrás dele.
Mas ele não olhou para trás. Enquanto corria, discava freneticamente para o número de Alice, que continuava sem atender.
No país, uma tempestade severa causava o atraso de todos os voos, e Arthur não podia mais esperar.
Ele abordou um garçom, tirou cinco notas de cem dólares da carteira e ordenou: "Leve-me ao porto mais próximo, agora!".
O funcionário arregalou os olhos: "Senhor, o casamento ainda não acabou...".
"Imediatamente! Agora mesmo!", rugiu Arthur, com os olhos injetados de sangue. "Ou eu queimo este hotel maldito!".
A lancha cortava o mar em alta velocidade, as ondas molhando seu terno. De repente, o celular vibrou com uma mensagem do assistente: Arthur, eu descobri. A patroa foi, há dez dias, para...
Ele não conseguiu ler o restante. Sob a chuva torrencial, tentou focar no conteúdo da tela, mas uma onda gigante atingiu a embarcação e o celular escorregou de sua mão, afundando na imensidão do mar.
"Droga!", ele golpeou a borda da lancha com força, os nós dos dedos sangrando instantaneamente.
Foram necessários três dias de percalços até que Arthur finalmente conseguisse retornar ao país.
Seu passaporte chegou a ser retido no aeroporto devido a problemas de visto, e ele quase foi detido, sendo liberado sob fiança apenas após a família contatar urgentemente a embaixada.
Assim que pousou, recebeu uma ligação de sua mãe: "Arthur, volte rápido! O bebê teve uma febre alta súbita, o médico diz que é uma gastroenterite aguda!".
Arthur apertou o volante até os dedos ficarem brancos, mas acabou desviando o carro em direção ao hospital.
No quarto, a criança dormia calmamente; o rosto estava pálido, mas a respiração era estável.
O médico, ao lado, comentou tranquilamente: "É apenas uma leve indigestão, ele já está fora de perigo".
As têmporas de Arthur latejavam.
Algo estava errado.
Por que seus pais insistiam tanto em impedi-lo de procurar Alice?
Teria acontecido algum acidente?
Com o coração apertado, ele se virou para Arnaldo e sua mãe:
"Vocês estão mentindo para mim?".
Sua mãe evitou o olhar dele, com a voz trêmula:
"Arthur, acalme-se primeiro...".
"Onde está a Alice?!", ele gritou, a voz ecoando pelo quarto de hospital.
"Onde ela está?!".
Sua mãe finalmente desabou em lágrimas:
"Ela se foi! Ela descobriu sobre a criança e deixou uma carta dizendo que estava indo embora, pedindo para você não a procurar!".
O sangue de Arthur pareceu congelar. Ignorando tudo, ele correu de volta para a mansão e vasculhou cada canto.
No closet, as roupas dela estavam intactas; na penteadeira, seus produtos de pele organizados; até seu livro favorito continuava aberto sobre a cabeceira, como se ela tivesse apenas saído por um momento.
Mas Arthur sabia que era diferente.
Todas as fotos do casal haviam desaparecido. Tremendo, ele abriu o cofre onde deveriam estar a certidão de casamento, as escrituras e os documentos importantes — mas agora só restava um envelope solitário.
Aos cuidados de Arthur.
Ele rasgou o envelope brutalmente:
"Arthur: Quando você ler esta carta, eu já terei partido. Não é uma fuga temporária, mas um adeus definitivo. O filho da Diana é adorável, os traços lembram muito você quando criança. Finalmente entendi por que você sempre dizia 'quando for o momento certo' — você já tinha planejado tudo, querendo que eu, que não posso engravidar, criasse o seu filho com outra mulher. O meu mundo não aceita mentiras e concessões, por isso eu fui embora... Não me procure, você não vai me encontrar. — Alice"
Arthur tremia violentamente enquanto lia aquelas palavras, escritas com a caligrafia idêntica à de Alice, sentindo que não conseguia respirar.
"Investigue!", ele jogou a carta no rosto do assistente, com a voz rouca de pavor.
"Descubra cada passo dela nestes últimos dez dias! Com quem falou, onde foi... não deixe passar absolutamente nada!".