Aqui está a tradução dos Capítulos 15 e 16 para o português brasileiro, mantendo a consistência dos nomes e o tom dramático da narrativa.
Ao ver que Gabriel não rebatia, Isabela ficou com o rosto distorcido de raiva e começou a gritar desesperadamente, perdendo qualquer compostura.
— Gabriel Duarte! Se o seu avô soubesse que você se apaixonou pela assassina que o matou, como ele conseguiria descansar em paz no túmulo? Você consegue encarar a memória dele?
— Façam-na calar a boca.
Um dos guarda-costas imediatamente desferiu um golpe seco no pescoço de Isabela. A mulher, que segundos antes parecia em transe frenético, desabou amolecida e foi carregada pelos seguranças.
Gabriel cerrou os lábios, desviando o olhar para o Sr. Mendes.
— Quanto a você... desça e peça desculpas ao meu filho.
Mendes estremeceu, e um forte odor de urina espalhou-se ao redor. Enquanto os guarda-costas avançavam para pegá-lo, Mendes gritou desesperadamente:
— Não foi a Beatriz Lacerda quem matou o seu avô!
O ar pareceu congelar instantaneamente. O silêncio era tão absoluto que se podia ouvir o cair de uma agulha. Gabriel estreitou os olhos, fixando-os nele.
— Fale.
Mendes limpou o nariz sujo, recuperando um rastro de coragem.
— Mas o senhor tem que me prometer que não vai me matar.
Gabriel esboçou um sorriso sombrio. — Pode ser.
— Eu mandei investigar a Isabela Castro em particular. No dia em que seu avô morreu, ela também esteve na sua casa.
Assim que Mendes soltou aquela frase, Gabriel compreendeu tudo. Mas ele se recusava a acreditar.
Ele não podia admitir que havia culpado Beatriz injustamente. Se a pessoa que matou seu avô não foi Beatriz, o que ele esteve fazendo durante todo esse último ano?
Gabriel fechou os olhos, escondendo a dor avassaladora que borbulhava em seu peito, e perguntou com voz rouca: — Onde estão as provas?
Mendes soltou um riso nervoso. — Quando eu estiver em total segurança, enviarei as provas para você.
Gabriel lançou-lhe um olhar de desprezo.
— Quebrem as pernas dele.
Com um gesto de mão, os seguranças derrubaram Mendes sobre o chão úmido.
— Gabriel Duarte! O que você está fazendo? Você prometeu que pouparia minha vida!
Os olhos de Gabriel estavam opacos enquanto ele soltava um riso de autodepreciação.
— Eu também prometi à Beatriz que a levaria para casa em meio mês.
Em seguida, ele se agachou e agarrou Mendes pelo colarinho.
— Para onde a Beatriz foi?
Mendes estava aterrorizado pela intenção assassina nos olhos de Gabriel.
— Eu não sei... ela me agrediu, colocou fogo na minha casa e, quando acordei, ela já tinha sumido...
Gabriel desferiu um soco no rosto de Mendes, deixando-o instantaneamente desfigurado.
— É melhor rezar para que eu a encontre logo, ou farei você desejar a morte. Por enquanto, pague apenas uma parte da dívida.
Ele soltou o homem e ordenou aos seguranças:
— Levem-no. Não o deixem morrer.
Ele então deu ordens à secretária que aguardava apreensiva:
— Investigue! Nem que tenha que cavar três metros abaixo do chão, encontre a Beatriz Lacerda! Além disso, vasculhe cada passo da Isabela Castro e recupere as imagens de segurança do dia em que meu avô morreu. Investigue tudo de novo!
Os seguranças levaram Mendes e a desfalecida Isabela. No necrotério, restou apenas Gabriel. Ele caminhou cambaleante até a maca e levantou o lençol branco. Olhando para aquele manequim queimado e irreconhecível, soltou um riso amargo.
O quanto Beatriz deveria odiá-lo?
Ao ponto de preferir forjar a própria morte para escapar dele.
Seu coração parecia perfurado por incontáveis agulhas.
Ele finalmente entendeu que odiara a pessoa errada e destruíra com as próprias mãos a garota que um dia o amara com todo o coração.
Os detalhes que ele ignorara deliberadamente começaram a surgir diante de seus olhos.
O olhar dela quando perguntou:
"Se eu dissesse que já te amei, você acreditaria?".
A força que ela fingia ter enquanto ele a humilhava; o modo como protegia o ventre em silêncio.
Cada cena passava como um filme, fazendo-o perder o fôlego de tanta dor.
— Beatriz... onde você está?
Ele sussurrou para si mesmo, com uma voz carregada de um pânico e remorso que nunca sentira antes.
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Enquanto isso, em um hospital particular nos subúrbios.
Beatriz estava deitada na cama do hospital, pálida como uma folha de papel.
O Sr. Augusto Lacerda sentava-se ao lado, olhando para a filha envolta em gazes, com o coração cheio de dor e culpa.
— Bia, me desculpe. Seu pai não conseguiu proteger você e o bebê.
Beatriz abriu os olhos; eles estavam vazios, sem qualquer brilho. Ela balançou a cabeça levemente.
— Não foi culpa sua, pai. Eu fui a estúpida.
O bebê se fora, e aquele amor que ela cultivara por toda a juventude também se estilhaçara. Seu coração parecia oco, restando apenas dormência.
— O médico disse que você está muito fraca e precisa de repouso absoluto.
O Sr. Augusto entregou-lhe um copo de água morna.
— Assim que você melhorar, sairemos do país e nunca mais voltaremos.
Beatriz pegou o copo; as pontas de seus dedos estavam geladas.
— Pai, a morte do avô do Gabriel realmente não teve nada a ver com o senhor?
— Nada mesmo.
O Sr. Augusto assentiu com firmeza e mostrou uma pilha de documentos.
— Isso foi o que descobri depois. A Isabela Castro sabia da relação entre você e o Gabriel há muito tempo. Com inveja de você e querendo entrar para a família Duarte, ela se vestiu como você, empurrou o avô dele e forjou as imagens. Depois, por medo de ser descoberta, instigou o Gabriel a destruir a família Lacerda, querendo matar dois coelhos com uma cajadada só.
Beatriz olhou para as fotos de Isabela disfarçada dela e esboçou um sorriso amargo. Então, por todos esses anos, ela e Gabriel foram apenas peças no tabuleiro de Isabela Castro.
— Eu não quero sair do país — Beatriz disse subitamente. — Vou ficar. Quero ver a Isabela pagar pelo que fez, e quero que o Gabriel Duarte saiba exatamente o que ele perdeu.
O Sr. Augusto hesitou, mas soltou um suspiro.
— Tudo bem, seu pai fica com você. Mas prometa que vai se cuidar e não vai arriscar a própria vida de novo.
Beatriz fechou os olhos, e uma lágrima correu silenciosa. Não era porque ainda amava Gabriel, mas por não aceitar a injustiça.
Ela não aceitava que sua juventude fosse pisoteada, que seu filho morresse em vão e que os culpados ficassem impunes.
Ela faria cada pessoa que a feriu pagar o preço, buscando justiça para si e para sua criança inocente.
Gabriel Duarte usou todas as suas conexões e recursos, procurando freneticamente pelo paradeiro de Beatriz.
Mas ela parecia ter evaporado. Conforme a investigação avançava, a verdade sobre a morte do Vovô Ricardo vinha à tona.
Os seguranças encontraram o técnico responsável pelas câmeras na época.
Sob a pressão de Gabriel, o homem finalmente confessou: Isabela lhe dera uma fortuna para adulterar o vídeo, borrando o rosto dela e inserindo o de Beatriz.
A gravação original estava escondida na cidade natal do técnico, e Gabriel enviou homens imediatamente para buscá-la.
Logo depois, descobriram que o pai de Isabela tinha rivalidades comerciais com o Sr.
Augusto, e que Isabela agira contra Beatriz também para ajudar o pai a derrubar os Lacerda. Todas as evidências apontavam para Isabela Castro.
Gabriel olhava para os relatórios de investigação sentindo o mundo girar.
Ele lembrou-se do que fizera a Beatriz: forçá-la a gravar vídeos, leiloá-la como mercadoria, entregá-la com as próprias mãos ao Sr. Mendes... Cada ato era motivo para remorso eterno.
— Sr. Duarte, a Isabela Castro ainda se recusa a confessar — relatou um segurança.
— Então batam nela até que confesse — a voz de Gabriel era cortante como gelo.
Dois dias depois, veio a confissão.
No porão escuro, Gabriel sentou-se à mesa, analisando os registros bancários, o depoimento do técnico e o vídeo original.
Seu rosto estava gélido.
O vídeo mostrava claramente: a pessoa que empurrara o Vovô Ricardo era Isabela Castro.