Ao ver quem chegava, Isabela mudou de expressão instantaneamente e avançou, tentando empurrar o Sr. Mendes para fora.
No momento em que Gabriel viu Mendes, sua inquietação atingiu o ápice. Ele se antecipou a Isabela, parando diante do homem com uma aura gélida.
— Onde está a Beatriz Lacerda?
Mendes cuspiu no chão. — Aquela maldita da Beatriz quebrou minha cabeça e ainda se imolou na minha casa! Gabriel Duarte, você tem que pagar pelo meu prejuízo. Se não fosse para abortar o filho dela por você, como aquela mulher, depois de tudo o que eu fiz, teria forças para reagir assim que perdeu o bebê?
A cada palavra de Mendes, o rosto de Gabriel escurecia.
Ao ouvir "bebê" e "imolou", sua expressão já estava sombria como o fundo de um poço. As palavras saíram entre seus dentes:
— Que bebê? Quem se imolou?
— Quem mais seria? A Beatriz! Ela estava grávida de um filho seu. Depois que eu tirei o bebê, ela enlouqueceu e se matou na minha casa... Egh!
O filho de Beatriz morreu? Beatriz também morreu? Um estrondo ecoou na mente de Gabriel.
O mundo começou a girar. O desespero avassalador quase o fez desmaiar.
Antes que Mendes terminasse de falar, Gabriel, furioso, agarrou-o pelo pescoço, suspendendo-o no ar contra a parede.
O olhar de Gabriel era mortal, como se visse um cadáver.
— Quem te deu permissão para tocá-la?
As juntas dos dedos de Gabriel ficaram brancas pela força. Mendes chutava o ar inutilmente, o rosto ficando arroxeado e a língua projetada para fora enquanto tentava balbuciar: — Foi... foi a Isabela... ela disse... para eu me livrar da criança...
Bum!
Gabriel jogou Mendes violentamente no chão de mármore, produzindo um baque surdo.
Mendes segurou o peito, tossindo desesperadamente enquanto sangue escorria pelo canto da boca.
Gabriel olhou para ele de cima, pisando no dorso de sua mão com uma ferocidade que parecia querer consumi-lo.
— Onde está o corpo? — Gabriel forçou as palavras.
Mendes gritava sem parar: — No hospital! No hospital!
Gabriel correu em direção à garagem. Antes que Mendes pudesse respirar aliviado, guarda-costas jogaram ele e a aterrorizada Isabela dentro de um carro, partindo em direção ao hospital.
Ao chegar ao necrotério, as mãos de Gabriel tremiam.
Ele hesitou várias vezes antes de criar coragem para levantar o lençol branco.
Seus olhos ardiam e sua garganta estava seca; ele não conseguia dizer uma palavra. Um médico aproximou-se e disse com pesar:
— Sr. Duarte, a pessoa que morreu não foi a Beatriz Lacerda.
Gabriel virou-se, surpreso. Isabela, que antes estava em pânico, gritou ao ouvir o resultado: — Impossível! Se não é a Beatriz, quem é esse corpo? Foi ela quem matou! Chamem a polícia agora!
Gabriel lançou um olhar gélido para Isabela.
O médico balançou a cabeça: — Beatriz não matou ninguém. Isso é um manequim realista. Se não fosse pela autópsia, ninguém perceberia que é um boneco.
O coração de Gabriel voltou ao lugar. Ele respirou aliviado e voltou seu olhar para Mendes. — Conte tudo. O que a Isabela te disse?
Isabela, já tremendo de medo, tentava manter a compostura segurando o braço de Gabriel. — Gabriel, não acredite nele. Ele enlouqueceu depois que a Beatriz o agrediu, quer me incriminar...
— Cala a boca! — Gabriel desvencilhou-se dela com tanta força que Isabela caiu no chão. O olhar dele estava fixo em Mendes. — Vou perguntar mais uma vez. Detalhes!
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Mendes, sofrendo com a dor, começou a falar rapidamente:
— Meio mês atrás... a Isabela me procurou. Disse que me ajudaria a recuperar meus negócios se eu arrematasse a Beatriz no leilão para torturá-la.
Ele parou para recuperar o fôlego, observando cautelosamente a expressão de Gabriel. Temendo que ele não acreditasse, tirou do bolso registros de transferência amassados. — Veja, este foi o adiantamento que ela me enviou...
Gabriel arrancou o celular da mão dele. A tela mostrava claramente as transferências da conta de Isabela.
A data era exatamente o dia anterior ao que ele entregara Beatriz a Mendes. Memórias daquele dia voltaram: Beatriz agarrando sua calça, implorando, enquanto era levada.
A cabeça de Gabriel latejava.
Ele exigiu: — Continue.
As palavras seguintes de Mendes quase fizeram o coração de Gabriel parar.
— Depois, a Beatriz disse que estava grávida de você. Eu a deixei ligar. Mas naquela noite você estava com a Isabela... e disse com as suas próprias palavras que não queria nenhum filho que não fosse dela.
No dia seguinte, a Isabela me ligou dizendo que, antes que a Beatriz voltasse, o bebê teria que sumir, ou ela me levaria à falência de novo.
Gabriel lembrou-se imediatamente daquela noite em que foi embriagado deliberadamente. Foi a noite em que ele e Isabela ficaram juntos.
Ele sempre teve boa resistência ao álcool; se não fosse pelo fato de ter acordado com Isabela ao lado, teria percebido a estranheza da situação.
Ele fora drogado, e Isabela continuou a drogá-lo todas as noites seguintes.
Por isso ele dormia assim que encostava na cama; por isso não teve chance de salvar Beatriz.
Desde o início, tudo fora um plano meticuloso de Isabela. Mendes agarrou as pernas de Gabriel, implorando: — Sr. Duarte, não tive culpa. Só segui as ordens da Isabela.
— Isabela! — Gabriel chutou Mendes e virou-se bruscamente. A frieza em sua voz fez a temperatura do escritório despencar. Isabela, pálida como papel, balançava a cabeça.
— Não, Gabriel, isso é falso! Ele me obrigou!
Mendes tirou o celular do bolso e ergueu-o bem alto.
— Não estou mentindo! Eu tenho gravações! Sr. Duarte, é tudo verdade.
Isabela mudou de expressão, mas não teve tempo de impedir. Mendes deu o play. A voz de Isabela na gravação não tinha a doçura de sempre; era carregada de uma crueldade infinita.
Quanto mais ouvia, mais Gabriel esfriava. Isabela, vendo o olhar dele tornar-se cada vez mais feroz, tentou correr, mas foi barrada pelos seguranças que chegavam.
— O que pensam que estão fazendo? Soltem-me! Sou a noiva do Gabriel Duarte!
Isabela lutava freneticamente, mas os seguranças não se moveram. — Tranquem-na. Ela só sairá quando eu encontrar a Beatriz Lacerda — ordenou Gabriel, sem qualquer emoção.
— Gabriel Duarte, você não pode fazer isso comigo! Nosso casamento é amanhã!
Gabriel pronunciou apenas duas palavras frias: — Casamento cancelado.
Tanto Isabela quanto Mendes ficaram atônitos.
Isabela começou a gritar histericamente: — Eu não aceito o cancelamento! Por que faria isso? Gabriel, você ainda a ama, não é? Que piada! Ela matou seu avô e você ainda ama uma assassina!
O rosto de Gabriel alternava entre o pálido e o rubro, mas ele não contestou.
No momento em que soube que o bebê de Beatriz se fora, seu coração pareceu parar também.
Ele finalmente reconheceu seus sentimentos.
Isabela estava certa.
Ele odiava Beatriz amargamente, mas, ao mesmo tempo, a amava com a mesma intensidade.