Sua garganta parecia bloqueada por uma esponja encharcada; as palavras saíam entrecortadas, em um volume quase inaudível.
— Gabriel... não... deixe que ele... me leve...
Isabela colocou-se entre ela e Gabriel, puxou a manga dele e explicou ao pé do ouvido: — Gabriel, o Sr. Mendes era um grande amigo do tio Augusto no passado. Sei que você ainda não conseguiu esquecê-la, por isso procurei o Sr. Mendes pessoalmente; ele é a melhor escolha.
Seu rosto transbordava uma amargura contida, enquanto, de forma atenciosa, empurrava Gabriel em direção a Beatriz, dizendo suavemente: — Leve-a até a casa do Sr. Mendes.
Um profundo sentimento de culpa sobrepôs-se instantaneamente às emoções complexas de Gabriel em relação a Beatriz.
Ele abraçou Isabela com força, sentindo-se extremamente culpado, com uma voz tão terna que parecia derreter.
— Bela, não pense assim. A única pessoa que amo agora é você.
Isabela aninhou-se emocionada nos braços de Gabriel, enquanto lágrimas caíam como se não custassem nada; nas profundezas de seus olhos, porém, brilhava uma crueldade que ninguém via.
Gabriel apertou Isabela em seus braços e, ignorando a palidez cadavérica de Beatriz, acenou com a mão: — Negócio fechado. O Sr. Mendes pode levá-la.
O Sr. Mendes assentiu polidamente, estendeu a mão para Beatriz e disse sorrindo: — Pequena Bia, vamos.
O medo avassalador fez as pernas de Beatriz fraquejarem; ela caiu sentada no chão e, sem forças, segurou a barra da calça de Gabriel, esforçando-se ao máximo para soltar a voz.
— Gabriel Duarte, você não pode fazer isso comigo. Isso vai me matar... eu já estou grávida...
Isabela abaixou-se, segurou a mão debilitada de Beatriz e aplicou força secretamente. — Bia, o Gabriel já sabe muito bem que tipo de caráter o Sr. Mendes tem.
Gabriel também puxou a barra de sua calça de volta, sem sequer dignar-se a lançar um olhar para Beatriz, xingando com voz fria:
— Beatriz Lacerda, você pode parar de sempre fingir que é a vítima? Você tem noção de como isso me dá nojo? Se não fosse pela consideração à Isabela, você não seria digna nem de limpar os sapatos do Sr. Mendes.
Suas palavras atingiram o coração de Beatriz com o peso de uma marreta; seu coração afundou em um abismo e despedaçou-se.
O Sr. Mendes, com os olhos arqueados em um sorriso bondoso, arrastou a atordoada Beatriz pelo chão em direção à saída. — Realmente não decepcionarei as expectativas do Sr. Duarte e da senhorita Castro.
Ao ver a pressa do Sr. Mendes, uma dúvida cruzou a mente de Gabriel. Isabela, no entanto, aproximou-se oportunamente para retomar sua atenção.
— Gabriel, não se preocupe mais, ela ficará bem. Dance uma valsa comigo.
Sob o olhar desesperado de Beatriz, Gabriel abraçou Isabela e caminhou elegantemente para o centro da pista de dança.
Na primeira noite na casa dos Mendes, Beatriz foi despida e jogada em uma gaiola de ferro especial, passando a noite inteira sob o vento frio do jardim.
O Sr. Mendes balançava uma taça de vinho tinto e despejou o conteúdo sobre Beatriz, da cabeça aos pés. Ele deu um passo à frente, respirou fundo e exibiu um sorriso distorcido.
— Que perfume delicioso, pequena Bia. Sentiu falta do titio? Todos esses anos, eu morri de saudades de você.
Fios de cabelo encharcados grudavam no rosto de Beatriz; seu coração batia tão forte que a vibração causava dor nos tímpanos, como se fosse saltar do peito a qualquer momento.
Ela abraçou o próprio corpo, encolhendo-se em um canto para reprimir o medo que borbulhava em seu interior.
Com esforço, ela disse: — Sr. Mendes, não se esqueça de que você jurou ao meu pai, pela vida de sua esposa e filhos, que nunca mais apareceria diante de mim.
Ao ouvir isso, a expressão no rosto de Mendes tornou-se ainda mais frenética.
Ele deu uma gargalhada, abriu a gaiola e arrastou Beatriz pelos cabelos como se fosse um cão molhado, jogando-a sobre o caminho de brita enquanto a encarava friamente.
— Sua maldita, você ainda tem coragem de mencioná-los! Se não fosse pela sua família, eu nunca teria perdido minha esposa e filhos! Eu vou te matar!
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Dito isso, ele puxou o cinto da cintura; o couro cravejado de rebites produziu um som aterrorizante ao cortar o ar.
Pá!
Mendes praguejava enquanto o cinto descia impiedosamente sobre o corpo de Beatriz. Ela gemia de dor, protegendo o ventre com todas as forças.
— Eu sou a mulher de Gabriel Duarte! Se você me matar, não teme que ele venha cobrar as contas?
Talvez o nome de Gabriel tenha trazido um fragmento de razão de volta a ele.
Ou talvez o vermelho das marcas espalhadas pelo corpo dela, contrastando com a brancura remanescente da pele, tenha estimulado seus nervos.
Mendes jogou o cinto de lado e, com os olhos injetados, esfregou as mãos avançando sobre Beatriz.
— Se o Gabriel Duarte realmente se importasse com você, ele teria exibido seus vídeos em público e te leiloado abertamente? Pequena Bia, não seja boba. Siga bem o titio, que eu com certeza vou te dar muito carinho.
Beatriz esquivou-se de seu avanço e, ignorando a própria nudez, usou todas as suas forças para dar um chute certeiro no peito de Mendes.
Enquanto ele caía segurando o peito e gemendo, Beatriz lançou um olhar rápido para o portão trancado.
Sem saída, ela só pôde rastejar para dentro da casa, enrolar-se firmemente em uma manta que encontrou no sofá e correr para a cozinha.
— Maldita! Não quer pelo caminho suave, terá pelo difícil! Quero ver para onde você consegue fugir!
Mendes recuperou o fôlego e, com um olhar feroz, levantou-se para perseguir o rastro de Beatriz.
Assim que atravessou a porta da cozinha, quase teve a garganta cortada por uma faca que veio em sua direção. Suas pupilas se contraíram e ele desviou o corpo para trás.
Mesmo assim, um corte raso de sangue surgiu em seu pescoço; suas costas foram instantaneamente encharcadas por um suor frio.
Ele olhou chocado para Beatriz, que, envolta na manta, segurava a faca com ambas as mãos e um olhar firme.
Sem qualquer sinal de medo, vendo que não conseguira feri-lo gravemente, ela recolheu a mão e encostou a faca no próprio pescoço, dizendo friamente:
— Dê-me o celular, ou eu morrerei aqui agora.
Mendes olhou para as gotas de sangue que escorriam pelo pescoço dela e, com o rosto sombrio, entregou o aparelho.
Com uma das mãos mantendo a faca posicionada, Beatriz discou rapidamente o número de Gabriel com a outra.
Assim que a chamada foi atendida, ela disparou:
— Gabriel Duarte, eu estou grávida. O filho é seu.
Sem ouvir resposta do outro lado, Beatriz começou a entrar em pânico.
Ela realmente não temia a morte, mas não podia morrer de forma tão humilhante, e muito menos sob o corpo de Mendes. Finalmente, pela primeira vez, Beatriz baixou a cabeça diante de Gabriel.
— Gabriel, eu errei. Eu posso explicar o que aconteceu no passado. Eu te imploro, não me venda para o Sr. Mendes. Leve-me para casa, por favor.
Um ruído de movimentos tornou-se audível do outro lado; as vozes que ficaram cada vez mais nítidas fizeram com que a última centelha de esperança de Beatriz desaparecesse, mergulhando-a em um desespero absoluto.
— Gabriel, pare... eu não aguento mais...
A voz de Gabriel não era como a de costume; estava irregular, ofegante e acompanhada de gemidos baixos. — Dê-me um filho.
— Não... meu pai me mataria.
— Querida, eu vou me esforçar para que seu pai me aceite. Além de você, não permitirei que ninguém mais carregue um filho meu.
Isabela soltou um gemido agudo e sedutor: — Tudo bem, Gabriel. Dê-me um filho. Que tenha a minha boca e os seus olhos.
Os sons de intimidade tornaram-se mais evidentes e intensos. Beatriz ouvia estática a cena do outro lado, até que a ligação foi encerrada.
Mendes, observando o rosto de Beatriz empalidecer a cada segundo, soltou um riso sarcástico.
Ele aproveitou o momento de distração dela, arrancou a faca de suas mãos e desferiu um chute violento em seu ventre.