Eles pareciam hesitantes.
Ficaram em silêncio por um momento.
Isadora também tinha ouvido a conversa dos nossos pais. Ela se aproximou de mim e tentou me dissuadir discretamente.
Bia, esse lobo é muito manso. Escolha o lobo. Deixe o leopardo para mim.
Eu sabia. Minha irmã tinha ouvido que o leopardo já havia ferido alguém e estava com medo de que eu me machucasse. Mas salvar o Arthur foi uma decisão minha, e eu não queria envolvê-la nisso.
No fim, eles não conseguiram me vencer na teimosia. E assim, levei o homem-leopardo para casa.
Eu mesma cuidei da sua pata quebrada. Escovei seus pelos com todo o cuidado. Levou muito tempo até que ele se tornasse essa criatura linda e poderosa que é hoje.
Mas agora.
Arthur dizia que eu tinha agido sem escrúpulos. De repente, percebi o que havia acontecido. Ele não tinha ouvido a conversa dos meus pais. Ele apenas ouviu o que a minha irmã me disse. Por isso, ele sempre acreditou que, se não fosse pelo meu egoísmo, ele seria o homem-fera de Isadora.
Mas agora, não havia mais necessidade de explicar.
Voltando à realidade, Arthur continuava tagarelando. Ele disse, num tom de superioridade: Mas você realmente sabe cuidar melhor de mim. Bia, não é impossível firmarmos o contrato, mas você terá que passar pelo meu teste. A partir de hoje, você não pode me irritar, não pode ter contato com aquele lobo e deve me obedecer em tudo.
Interrompi o seu discurso com um olhar indiferente. Não precisa mais.
Arthur ficou paralisado, sem entender o que eu quis dizer. Ele perguntou instintivamente: Como assim?
Eu disse: Não vamos mais firmar contrato nenhum.
Após essas palavras, um silêncio sinistro tomou conta do quarto. Só se ouvia o som da respiração.
Segundos depois, Arthur soltou uma risada fria, como se tivesse acabado de ouvir uma piada, e não deu a mínima importância. Tudo bem. Só não venha depois como antes, implorando para assinar o contrato comigo. Você parece uma cachorrinha carente, é ridículo de ver.
Dito isso, ele se virou e voltou para o quarto, visivelmente emburrado.
Desviei o olhar silenciosamente. Não levei a sério. Disse a mim mesma que só precisava aguentar mais uma noite e então poderia mandar o Arthur embora.
O que eu não esperava era que, antes de dormir, ele batesse de repente na porta do meu quarto. A voz fria do homem ecoou do lado de fora. Abra a porta.
Hesitei por dois segundos, mas levantei e abri a porta. Arthur estava parado ali, já de pijama e segurando um travesseiro. Perguntei instintivamente: Aconteceu alguma coisa?
Ele desviou o olhar, pigreando um pouco, com uma expressão nada natural. O que eu disse agora pouco... talvez tenha sido um pouco pesado. Você não queria tanto dormir comigo? Hoje vou abrir uma exceção e passar a noite com você.
Só então percebi o que estava acontecendo. Arthur estava tentando se desculpar à maneira dele. Depois de tanto tempo convivendo, era a primeira vez.
Infelizmente, eu já não precisava mais disso. Balancei a cabeça e recusei calmamente: Não precisa. Já me acostumei a dormir sozinha.
Não sei qual palavra o irritou novamente. Ele franziu o cenho e disse friamente: Beatriz, o que você quer dizer com isso? Por acaso eu estou te dando confiança demais?
Arthur estava com o maxilar tenso, apertando o travesseiro com força. Ele parecia péssimo. Ele era sempre assim: qualquer pequena insatisfação o fazia explodir. Comparado ao temperamento doce de Lucas, ele estava muito aquém.
Eu não queria mais tolerar o seu mau humor. Apenas disse um "vou dormir" e fechei a porta.
Pouco depois, ouvi barulhos de coisas sendo quebradas do lado de fora, seguidos por um estrondo violento da porta se fechando. Depois disso. Tudo ficou em silêncio.
Não me preocupei em saber para onde Arthur tinha ido. Deitei na cama e logo peguei no sono.
Quando acordei no dia seguinte, ele ainda não tinha voltado. Segui minha rotina de higiene e refeições normalmente. Estava me preparando para ir buscar o Lucas mais tarde. Mas, logo após lavar a louça, a campainha tocou.
Fui abrir a porta com um certo cansaço, achando que fosse o Arthur. Mas quem estava parado ali era um Lucas ansioso e esperançoso. Perguntei surpresa: O que faz aqui?
O lobo baixou o olhar, falando com cautela: Eu já desfiz o meu contrato. Como você estava demorando para ir me buscar, tomei a liberdade de vir até aqui. Me desculpe, eu te deixei brava, não deixei?
Balancei a cabeça e dei passagem para ele entrar: Não. Eu planejava ir te buscar um pouco mais tarde.
Após entrar, Lucas colocou sua bagagem em um canto da sala. Depois, ficou me olhando de um jeito comportado, esperando minhas ordens. O lobo começou a se autopromover: Mestra, embora eu não seja bom na caça, posso fazer qualquer outra coisa. Faço todas as tarefas domésticas, posso te divertir e até aquecer a cama no inverno. Farei o meu melhor em tudo o que você me pedir.
Ao ouvir a última parte da frase de Lucas, senti minhas orelhas esquentarem inexplicavelmente. Pigarreei e mudei de assunto de forma pouco natural: Entendi. Quando o Arthur se mudar, você fica com o quarto dele. Por enquanto, deixe suas coisas no meu quarto.
Ao ouvir isso, as orelhas de lobo de Lucas surgiram, saltitantes de alegria. Ele pegou sua bagagem e estava indo em direção ao meu quarto quando, de repente, houve um barulho na porta.
Ao olharmos, vimos Arthur parado ali, com o rosto sombrio. Não se sabia há quanto tempo ele estava lá. O homem caminhou a passos largos, bloqueando o caminho de Lucas, e disse entre dentes: