Leonardo agarrou os cabelos de Bianca—
arrastando-a até a piscina ornamental do condomínio.
Bianca gritava de forma desesperada—
arranhando os braços dele com força, deixando marcas de sangue.
— Me solta! Socorro! Ele vai me matar!
Leonardo não reagiu.
Nos olhos—
apenas um vermelho morto, sem vida.
Ele a arrastou até a borda da piscina.
Exatamente como—
no dia em que ela tentou afogar Sofia.
— Você gosta de água? — a voz dele era gelada — gosta de ver alguém sufocar?
De repente—
ele pressionou a cabeça dela com força.
— Então prova… como isso é!
— SPLASH!
A cabeça de Bianca foi afundada na água.
A água gelada invadiu seu nariz—
a sensação de asfixia veio como um tsunami.
— Mmm! Glu glu—
Ela se debatia desesperadamente—
chutando a água, levantando respingos violentos.
Cheng Ming correu para fora.
Ao ver a mulher que amava sendo torturada—
seus olhos ficaram injetados de sangue.
— LEONARDO! PARA!
Ele correu para salvá-la—
mas foi imobilizado pelos seguranças.
— Me soltem! Isso é crime! É uma vida!
As veias nas mãos de Leonardo saltaram.
Ele continuava pressionando Bianca—
sem deixá-la subir.
— Vida? A vida da filha da Amélia não era vida?!
Nesse momento—
um carro freou bruscamente.
Amélia, ainda fraca—
apoiada por Daniel, correu cambaleando.
Assim que chegou—
viu a cena na piscina.
Os movimentos de Bianca—
cada vez mais fracos.
O ar—
já não existia mais.
Cheng Ming olhou—
e sua sanidade quebrou.
— AAAAH!!
Com uma força absurda—
ele se soltou dos seguranças.
Pegou uma faca de frutas—
e correu em direção a Leonardo.
— MORRE!
Amélia gritou, desesperada:
— LEONARDO! CUIDADO!
Tarde demais.
Tudo aconteceu rápido demais.
Leonardo estava totalmente focado em Bianca—
sem tempo de reagir.
— SHHHK—
A lâmina entrou pelas costas.
O sangue—
tingiu instantaneamente a camisa branca.
O corpo de Leonardo—
travou.
Mas ele não soltou.
Pelo contrário—
usou sua última força—
para pressionar Bianca ainda mais fundo.
— Morre… paga… pela Sofia…
O sangue escorreu pelo canto de sua boca.
Pingou na água—
se dissolvendo lentamente.
Até que—
o corpo sob suas mãos parou de se mover.
Ficou rígido.
Só então—
Leonardo soltou.
Bianca emergiu—
olhos arregalados, morta, sem descanso.
Leonardo cambaleou—
e caiu para trás.
— BANG!
Caiu no chão—
a respiração quase inexistente.
Cheng Ming olhou para suas mãos ensanguentadas.
A faca caiu.
— Eu… eu matei alguém?
— Não… eu só queria salvar ela…
A sirene da polícia se aproximava.
Amélia correu—
ajoelhando-se ao lado de Leonardo.
— LEONARDO! ACORDA!
Ela tentou pressionar o ferimento—
mas o sangue não parava.
O calor do sangue—
fazia suas mãos tremerem.
Leonardo abriu os olhos—
com dificuldade.
A visão já se apagando.
— Mel…
Ele levantou a mão—
tentou tocar o rosto dela.
Mas parou no meio do caminho.
Mãos sujas.
Cheias de sangue.
Indignas de tocá-la.
— Desculpa…
— Nessa vida… eu te perdi…
— Fui inútil… só consegui… me redimir assim…
As lágrimas de Amélia caíam—
uma após outra, no rosto dele.
Leonardo sorriu levemente.
— Bianca morreu…
— Agora… ninguém mais pode te machucar…
— Mel… na próxima vida… não me encontre…
Sua mão—
caiu no chão.
Sem força.
Amélia ficou imóvel—
boca aberta—
sem conseguir emitir som algum.
Só um vazio absoluto—
invadindo tudo.
Até o ódio—
também dói.
…
Um ano depois.
Na maternidade do Hospital Anhe.
Um choro alto—
cortou a manhã.
— Parabéns, é uma menina linda.
Amélia, deitada—
olhava para o pequeno bebê rosado.
Nesse momento—
Daniel entrou correndo—
com um telefone na mão.
— MEL! Ela acordou! A Sofia acordou!
— Os médicos disseram que é um milagre! Ela chamou por você!
Duas felicidades—
ao mesmo tempo.
Amélia levou a mão à boca—
chorando sem controle.
Todo o sofrimento—
finalmente se dissipava.
…
Outro dia de finados.
Cemitério da zona oeste.
Chuva fina.
Amélia vestia preto.
Nos braços—
sua filha pequena.
Na mão—
Sofia, já recuperada.
Ela parou diante de uma lápide.
O homem na foto—
olhava para ela com ternura.
Leonardo.
Amélia se abaixou—
depositou flores brancas.
— Leonardo… eu vim te ver.
O vento passou—
como uma resposta.
Ela falou calmamente—
como se conversasse com um velho amigo.
— Bianca morreu. De verdade.
— Cheng Ming foi condenado a dez anos.
— Sofia está bem… sem sequelas.
Ela fez uma pausa—
beijou a testa da filha.
— Eu tive outra filha… muito parecida com o Daniel.
Ela limpou o pó da lápide—
com cuidado.
— Leonardo… eu não te odeio mais.
— Você pagou com a vida.
— Estamos quites.
— Descanse.
Ela se levantou—
olhou pela última vez.
Como se dissesse adeus—
ao garoto de dezesseis anos.
A chuva parou.
O sol atravessou as nuvens.
Daniel estava ao longe—
com um guarda-chuva.
Ele sorriu—
e estendeu a mão.
— Vamos. Para casa.
Amélia segurou aquela mão quente—
e caminhou em direção à luz.
Sem nunca olhar para trás.
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FIM