O helicóptero pairava no ar.
A escada de corda balançava violentamente.
O assistente colocou a cabeça para fora—
e, ao ver Leonardo encharcado no terraço, gritou:
— Sr. Tavares! Suba rápido!
Ele virou-se para dentro da cabine e gritou:
— Dois descem! Aquele é o chefe! Se ele não subir, ninguém aqui vai decolar! Quem não quiser morrer, saia agora!
Os homens que haviam empurrado Amélia antes continuavam sentados, com olhares ferozes.
— Para de falar besteira! Descer é morrer! A gente não sai!
Leonardo já havia ajudado Amélia a entrar na cabine—
mas o excesso de peso fazia o helicóptero balançar perigosamente.
Ele ficou na escada de corda.
Os olhos vermelhos.
Queria subir à força—
mas seu corpo já estava completamente exausto.
Amélia tateou o bolso.
Encontrou o pé de cabra.
Antes—
ela nem conseguia olhar alguém matando um peixe.
Agora—
para sobreviver—
era capaz de tudo.
Ela puxou o ferro—
e o lançou com força contra o joelho do homem.
— Aaah!
O homem caiu gritando.
Sem hesitar—
Amélia levantou o pé—
e chutou o peito dele com força.
— Sai daqui!
O homem rolou para fora da cabine—
e foi engolido pelas águas.
Os outros ficaram paralisados.
Ninguém ousou impedir.
O companheiro dele também foi expulso.
Leonardo agarrou a mão que ela estendeu—
deu impulso—
e saltou para dentro da cabine.
No instante em que a porta se fechou—
uma nova onda engoliu completamente o terraço.
Amélia desabou no assento.
O corpo tremia incontrolavelmente.
Leonardo a puxou para os braços:
— Acabou… Mel, acabou…
…
O helicóptero pousou no topo do prédio do Grupo Tavares.
Assim que aterrissaram—
as pernas de Amélia cederam.
Ela caiu diretamente nos braços de Leonardo—
e perdeu a consciência.
— Chamem um médico! Agora!
…
Quarto VIP do Hospital Anhe.
Leonardo ficou ao lado da cama—
a noite inteira.
A porta foi aberta com força.
Daniel entrou, suado, com o rosto cheio de preocupação.
— Mel!
Leonardo se levantou—
e bloqueou a frente da cama.
O rosto sombrio:
— Sai.
Daniel o encarou.
Os punhos cerrados.
— Leonardo Tavares, sai da frente! Ela é minha esposa!
Leonardo soltou uma risada fria.
Não se moveu.
— Fui eu que tirei ela do tsunami.
— Fui eu que trouxe ela de volta.
— E você, como marido… estava onde?
Daniel cerrou os dentes.
Deu um passo à frente—
e agarrou a gola de Leonardo com força.
Nesse momento—
Amélia, na cama, murmurou baixinho:
— Daniel…
O corpo de Leonardo congelou.
Daniel o empurrou—
e correu até a cama, segurando a mão dela.
— Mel, eu estou aqui… estou aqui.
Amélia abriu os olhos lentamente.
Ao ver Daniel—
as lágrimas escorreram imediatamente.
— Eu achei… que nunca mais ia te ver…
Ela tentou se levantar—
e o abraçou com força.
Leonardo observava aquilo—
sentindo como se alguém arrancasse seu coração à força.
Foi ele quem a salvou.
Foi ele quem arriscou a vida com ela.
Mas quando ela acordou—
o nome que chamou—
não era o dele.
O homem que queria ver—
também não era ele.
Nesse momento—
a porta se abriu novamente.
Uma pequena figura entrou correndo.
— Mamãe!
Sofia correu até a cama.
Ao ver Leonardo—
franziu o rosto e empurrou sua perna com força:
— Homem mau! Vai embora! Não pode machucar minha mamãe!
Leonardo abaixou a cabeça.
Olhou para aquela menina delicada como porcelana.
Era filha de Amélia.
Filha dela com outro homem.
O ciúme cresceu como erva venenosa.
Quase o sufocando.
Ele se agachou—
ficando na altura dela.
A voz difícil:
— Quantos anos você tem, pequena?
Sofia respondeu com voz doce:
— Tenho quatro anos e meio! Já sou grande! Não tenho medo de você!
Quatro anos e meio…
O coração de Leonardo tremeu.
Amélia estava fora da vida dele há apenas três anos.
Se fosse filha biológica—
o tempo não batia.
Uma alegria repentina explodiu dentro dele.
A criança era adotada.
Um sorriso involuntário surgiu.
Seu olhar ficou mais suave.
Se não havia laço de sangue—
ainda havia chance.
Daniel o observava com desconfiança:
— Leonardo, do que você está rindo?
Leonardo não respondeu.
Apenas lançou um último olhar profundo para Amélia—
e foi embora.
…
Alguns dias depois.
Amélia recebeu alta.
Mal chegou em casa—
recebeu uma ligação da professora da creche.
— Mãe da Sofia, a senhora ainda não chegou para o evento de pais e filhos? O pai já está aqui!
Pai?
Amélia franziu a testa:
— O Daniel disse que tinha uma reunião urgente… não podia ir.
— Mas… o pai da Sofia já chegou, está brincando com ela.
O coração de Amélia disparou.
Ela desligou—
e foi imediatamente para a escola.
No pátio—
gritos e risadas ecoavam.
— Uau! O pai da Sofia é incrível!
Amélia abriu caminho entre a multidão—
e viu Leonardo.
Ele levantava Sofia acima da cabeça—
deixando-a sentar em seus ombros.
Os dois riam—
radiantes.
As outras crianças os cercavam com inveja:
— Sofia, esse pai é mais bonito que o anterior!
Sofia balançava a cabeça orgulhosa:
— Claro! Esse é meu papai super-herói!
O sangue de Amélia gelou.
Aquela era sua filha.
A filha que ela e Daniel haviam protegido com tanto cuidado.
Quem ele pensava que era?
Amélia avançou—
e tirou Sofia dos ombros dele.
Sofia se assustou:
— Mamãe…
Leonardo se endireitou.
Ainda com suor na testa.
Mas os olhos brilhavam intensamente.
— Mel, você veio.
Amélia colocou a criança atrás de si.
Apontou para o portão:
— Leonardo Tavares, sai daqui! Fica longe da minha filha!
Ele deu um passo à frente—
tentando segurar a mão dela:
— Mel, ela gosta de mim… eu não me importo de ser o…
— Eu me importo!
Amélia o afastou com força.
Os olhos cheios de repulsa:
— Leonardo Tavares, eu agradeço por você ter me salvado no tsunami.
— Mas isso não te dá o direito de invadir minha vida.
Ela respirou fundo:
— Sofia é minha filha com Daniel. Não tem absolutamente nada a ver com você.
— Quer ter filhos? Procura outra mulher! A Bianca conseguiu engravidar, o mundo está cheio de mulheres dispostas a te dar filhos!
— Não vem me dar nojo!
Leonardo ficou imóvel.
O rosto perdeu a cor.
Bianca.
Aquele nome—
era a ferida que nunca cicatrizaria entre eles.
Amélia pegou Sofia no colo—
e foi embora.
Sem olhar para trás.
Leonardo ficou no meio do pátio.
As risadas ao redor pareciam zombar dele.
Ele fechou o punho lentamente.
Ter filhos?
Nesta vida—
se não fosse com Amélia—
ele não queria com mais ninguém.