Uma semana depois.
Resort médico à beira-mar.
Amélia representava o Hospital Anhe, participando da avaliação de um projeto no local.
A brisa do mar era salgada e úmida—
mas não conseguia dissipar a sombra que carregava no coração.
No dia em que pegou o cartão, ela não foi ver Helena.
Apenas entregou o cartão ao hospital para quitar as despesas médicas.
Considerou aquilo…
um acerto final entre elas.
…
À noite, o jantar de recepção foi realizado em um restaurante ao ar livre, à beira-mar.
Assim que Amélia entrou—
seu passo congelou.
Na mesa principal—
cercado por todos—
o homem no centro era Leonardo.
Vestido com um terno impecável, ele girava lentamente uma taça de vinho.
Seu olhar atravessou a multidão—
e pousou diretamente sobre ela.
Amélia se virou para ir embora.
Mas o Dr. Yang, atrás dela, a puxou:
— Dra. Amélia, para onde você vai? Aquele é o Sr. Tavares, o maior investidor desse projeto!
— Se o nosso projeto vai ser aprovado ou não, depende da decisão dele. Você não pode agir assim!
Amélia respirou fundo.
Foi puxada à força pelos colegas e sentada—
justamente de frente para Leonardo.
O olhar dele percorreu cada detalhe dela.
Ele ergueu a taça.
— Dra. Amélia, jovem e talentosa. Ouvi dizer que passou anos no exterior se aperfeiçoando. Esse brinde é para você.
Amélia não se moveu.
— Desculpe, Sr. Tavares. Eu não bebo.
Leonardo não abaixou a taça.
O clima ficou tenso.
As pessoas ao redor começaram a incentivar:
— Dra. Amélia, não pode recusar o brinde do Sr. Tavares!
— Isso mesmo, beba um pouco!
Leonardo a encarava, com um olhar profundo:
— O quê? A Dra. Amélia despreza o meu vinho?
Amélia cerrou os dentes.
Pegou a taça—
e virou de uma vez.
O líquido ardente desceu pela garganta—
como se estivesse engolindo lâminas.
— Muito bem! Dra. Amélia é decidida!
Leonardo serviu outra taça.
— Essa… é para o nosso… antigo conhecimento.
Amélia foi obrigada a beber novamente.
Taça após taça.
O estômago queimava.
O rosto dela ficou anormalmente vermelho.
O olhar começou a se perder.
O Dr. Yang percebeu que algo estava errado e tentou intervir:
— Sr. Tavares, a Dra. Amélia já bebeu demais. Vamos deixá-la descansar.
Leonardo girou a taça na mão.
— Hum.
Amélia se levantou como se tivesse sido libertada.
Pegou a bolsa e saiu cambaleando.
A cabeça girava.
As pernas falharam—
e ela quase caiu.
Um braço forte surgiu—
e segurou sua cintura.
Amélia levantou a cabeça.
Seus olhos encontraram os de Leonardo.
Profundos.
Sem fundo.
— Me solta…
Ela tentou empurrá-lo.
Mas ele segurou seu pulso.
Leonardo a arrastou em direção a uma suíte presidencial ao lado.
— Leonardo Tavares! O que você está fazendo?!
— Me solta! Eu vou chamar a polícia!
Ele não respondeu.
Passou o cartão.
Entrou.
Trancou a porta.
Tudo em um único movimento.
Ele a empurrou para o banheiro.
Abriu o chuveiro.
Água fria caiu diretamente sobre ela.
— Ah—!
Amélia gritou.
Seu corpo encolheu.
Tremia sem controle.
Aquela cena—
se sobrepôs à lembrança de anos atrás—
quando ele a pressionava na banheira.
O medo voltou como uma avalanche.
Leonardo, com os olhos vermelhos, a pressionou contra a parede.
Deixou a água fria encharcar os dois.
— Amélia! Acorda!
— Sente bem… quem eu sou!
— Não tenta fugir!
— Nessa vida… você nunca mais vai fugir de mim!
Ele abaixou a cabeça—
e a beijou com violência.
— Mm…
Amélia lutava desesperadamente.
As lágrimas misturavam-se com a água fria.
Tudo tinha gosto amargo.
Nesse momento—
gritos vieram de fora.
— Tsunami! Um tsunami!
— Corram!
Leonardo congelou por um instante.
Soltou Amélia.
Ela aproveitou a chance.
Empurrou-o—
e correu para fora do banheiro.
Do lado de fora—
pela janela de vidro—
uma onda gigantesca avançava em direção ao hotel.
A água já havia invadido os andares inferiores.
Subia rapidamente.
O vento rugia.
Os vidros tremiam.
O rosto de Amélia ficou pálido.
Mas, de repente, ela lembrou de algo.
— O contrato… minha bolsa…
Era o contrato mais importante do hospital.
Estava no quarto dela.
Se não recuperasse—
o projeto inteiro estaria perdido.
Era o esforço de todos.
Ela ignorou Leonardo.
Abriu a porta—
e saiu correndo.
O corredor estava tomado por pessoas fugindo.
A água já invadia o poço do elevador.
Leonardo correu atrás dela—
mas não conseguiu segurá-la.
— Amélia! Volta! É perigoso!
Amélia avançava pela água que já cobria seus tornozelos—
correndo em direção ao quarto.
— Amélia!
O grito desesperado de Leonardo ecoou atrás dela.
Ela chegou à porta—
e, no instante em que se virou—
uma onda gigantesca quebrou o vidro no fim do corredor.
— BOOM—!
A água do mar, misturada com estilhaços e destroços—
avançou violentamente.
A última coisa que ela viu—
foi Leonardo correndo em sua direção, sem pensar em nada.
— Mel—!