Bianca virou a cabeça—
e deu de frente com Leonardo.
Assustada, caiu novamente no chão.
— Leo! Eu não fiz isso! Eu juro que não empurrei ela!
— Foi a tia que me deu aquele cartão! A Amélia viu e quis roubar! Ela estava com inveja! Inveja de eu ser amada pela tia, inveja de você me tratar bem! Ela caiu sozinha e quis me incriminar!
Leonardo a olhava de cima.
Sem nenhuma emoção nos olhos.
Já estava cansado de ouvir aquilo.
Antes, bastava Bianca chorar—
e ele acreditava que ela tinha sofrido uma injustiça enorme.
Agora, vendo aquilo—
só parecia ridículo.
E ele próprio…
um completo idiota.
— Cala a boca.
Leonardo agarrou o cabelo dela.
— Se dessa boca não sai uma única palavra verdadeira… então não precisa mais falar.
— O que você deve à Mel… vai pagar aqui.
Bianca gritou, em pânico:
— O que você vai fazer?! Me solta!
Leonardo a arrastou como um animal morto, saindo do escritório e indo até a escada do segundo andar.
A altura—
era praticamente igual à escada do hospital.
Ele olhou para os degraus íngremes e disse em voz baixa:
— Quando você a empurrou… chegou a pensar que um dia isso voltaria para você?
As pupilas de Bianca se contraíram.
Ela nem teve tempo de implorar.
Leonardo soltou a mão—
e deu um chute violento no peito dela.
— Aaaah!
O corpo de Bianca rolou escada abaixo como uma boneca quebrada.
Batendo degrau por degrau.
— Crack.
O som de ossos se partindo ecoou claramente.
Ela caiu no chão, as pernas torcidas em ângulos grotescos.
A dor era tão intensa que ela quase desmaiou.
O rosto coberto de suor frio.
— Dói… me ajuda…
Leonardo desceu os degraus lentamente.
O sapato pressionou o dorso da mão dela.
E esmagou.
— Já está doendo?
— A dor que a Mel sentiu… foi mil vezes pior do que isso.
Ele retirou o pé com desprezo.
E fez um gesto para os seguranças:
— Joguem-na no quarto de empregada.
— Sem minha permissão, nada de comida, nada de água.
— Deixem que ela aprenda… o que é pagar pelos próprios pecados.
Bianca gritava enquanto era arrastada como lixo.
No chão, ficou apenas um rastro de sangue.
Leonardo ficou parado na sala.
Os olhos vermelhos.
Ele achava que, fazendo aquilo, vingando Amélia—
a culpa diminuiria.
Mas não.
Seu coração continuava vazio.
Como um buraco impossível de preencher.
…
Três dias depois.
Amélia estava prestes a ir à delegacia complementar o depoimento—
quando recebeu uma ligação do policial responsável.
— Srta. An, sentimos muito.
— Rastreamos o último paradeiro da suspeita, Bianca Ferreira, nas proximidades da mansão de Leonardo Tavares.
— Mas depois disso, perdemos todos os rastros. E quanto à família Tavares… por enquanto, não temos acesso para realizar buscas.
Após desligar—
os dedos de Amélia, segurando o celular, ficaram brancos.
De novo.
De novo era Leonardo.
Mesmo com provas claras—
ele ainda ia protegê-la?
O sangue subiu à cabeça.
Tomada pela raiva, Amélia pegou um carro e foi direto para a mansão.
— Toc! Toc! Toc!
Ela bateu com força no portão:
— Leonardo Tavares! Sai daí! Abre a porta!
O portão se abriu.
Leonardo vestia roupas escuras, o rosto abatido—
mas, ao vê-la, seus olhos se iluminaram.
— Mel… você veio me procurar?
— Plá!
Amélia levantou a mão—
e lhe deu um tapa forte no rosto.
A cabeça dele virou para o lado.
Ele passou a língua pela parte interna da bochecha.
Não ficou bravo.
Pelo contrário, tentou segurar a mão dela.
— Sua mão… doeu?
Amélia recuou com repulsa, evitando seu toque:
— Para com isso! Onde está a Bianca?! Entregue ela! Eu vou levá-la para a polícia!
O olhar de Leonardo escureceu instantaneamente.
O sorriso desapareceu.
— Você veio… só por causa dela?
— E por quê mais seria? Leonardo! Até quando você vai protegê-la?!
Amélia tremia de raiva:
— Isso foi tentativa de homicídio! Você a escondeu! Você está violando a lei! Eu vou chamar a polícia e mandar te prender junto!
Leonardo viu o ódio nos olhos dela.
Seu coração pareceu ser esmagado.
Ela ainda não confiava nele.
Para ela—
ele continuava sendo aquele homem que nunca distinguia certo e errado.
Um completo canalha.
A dor apareceu em seus olhos:
— Eu não entreguei ela à polícia… porque a polícia não pode dar a punição que ela merece.
— Na delegacia, ela pegaria no máximo alguns anos.
— Mas aqui… ela vai desejar estar morta.
Amélia soltou uma risada cheia de desprezo:
— Desejar estar morta? Ou viver sendo protegida, com conforto e segurança?
— Leonardo, existe alguma palavra verdadeira na sua boca?
Leonardo respirou fundo:
— Você não acredita?
— Então vem. Já que quer ver… eu te mostro.
Amélia o olhou desconfiada—
mas ainda assim entrou na mansão com ele.
Leonardo a levou até uma porta em um canto do térreo.
Antes mesmo de abrir—
um cheiro fétido saiu de dentro.
Amélia franziu a testa.
Leonardo girou a chave e abriu a porta.
— Veja.
Com a luz do corredor—
Amélia viu o que havia lá dentro.
No chão—
havia uma pessoa.
Tão magra que parecia só pele e ossos.
Olhos fundos.
Maçãs do rosto salientes.
Quase um cadáver vivo.
As pernas estavam torcidas em ângulos horríveis.
Os ossos quebrados haviam perfurado a pele.
Escurecidos.
Supurando.
Ao ouvir o barulho—
a pessoa virou a cabeça com dificuldade.
Era Bianca.
Em apenas poucos dias—
ela havia se tornado aquilo.
O estômago de Amélia se revirou.
Ela recuou involuntariamente.
Leonardo estendeu o braço, apoiando-a pela cintura.
Sua voz era suave.
Quase um sussurro junto ao ouvido dela:
— Satisfeita, Mel?
— Esse… é o destino de quem te machuca.