Um zumbido ensurdecedor ecoou em seus ouvidos.
Amélia arregalou os olhos, as unhas cravando na palma da mão.
Então…
ela sempre soube.
E mesmo assim—
por causa daquele homem, continuou a chamá-la de ingrata, de desgraça…
— Mel… fui eu que não enxerguei… fui eu que perdi o juízo… achei que, se eu o obedecesse, conseguiria sobreviver… fui eu que te destruí…
Helena chorava tanto que mal conseguia respirar.
O monitor ao lado começou a emitir um alarme estridente.
O olhar de Amélia caiu sobre a ficha médica na cabeceira da cama:
Tempo de vida restante… menos de um mês.
Helena estendeu a mão, tentando segurar a de Amélia—
mas só tocou o vazio.
— Esses anos… eu juntei um dinheiro escondido… eu queria… queria te dar um túmulo melhor…
— Eu pensei… quando eu morresse… iria te pedir perdão lá embaixo… agora a Bia levou todo o dinheiro… cof, cof… mas não importa…
— Desde que você esteja viva… o dinheiro não importa mais… não importa…
Os olhos de Amélia arderam.
Mas ela nem teve forças para esboçar um sorriso.
Durante todos os anos em que viveu como filha de Helena, nem um centavo daquele dinheiro foi gasto com ela.
E depois que ela “morreu”—
aquela mulher começou a juntar dinheiro para seu túmulo.
Que amor materno mais irônico.
Amélia fechou os olhos, e disse suavemente:
— O dinheiro… eu vou recuperar para você.
— Mas eu não quero o seu dinheiro… nem o seu pedido de desculpas.
— Entre nós… já não existe mais nada.
Depois disso, ela se virou e foi embora.
Sem olhar para trás.
Mesmo com o choro desesperado vindo de trás.
…
Do outro lado—
Bianca estava escondida em uma pousada velha e decadente, inquieta e cheia de medo.
Ao lembrar da cena de Amélia caída, ensanguentada—
seu coração disparava.
Será que ela morreu mesmo?
Ela não ousava voltar para casa.
Tinha medo que a polícia fosse atrás dela.
Depois de pensar muito—
ela ligou para Leonardo.
Assim que a ligação foi atendida, ela imediatamente assumiu um tom choroso:
— Leo… me ajuda… eu encontrei uma mulher louca no hospital, ela caiu sozinha da escada e está dizendo que fui eu que empurrei…
— Eu estou com medo… parece que ela quer chamar a polícia…
Bianca evitava mencionar o nome de Amélia.
Do outro lado da linha, a voz de Leonardo era fria, sem emoção:
— Onde você está?
Bianca informou o endereço e continuou chorando:
— Leo… pelo bem daquele bebê que não chegou a nascer… você precisa me ajudar…
Essa era sua última carta.
Nos últimos três anos, ela havia conseguido muitos benefícios usando esse assunto.
Sabia que Leonardo sempre se sensibilizava por causa daquele filho.
Por isso voltou a tocar no assunto.
Depois de um longo silêncio—
Leonardo pareceu soltar uma leve risada.
— Tudo bem. Vá para a casa na colina.
— Eu vou cuidar disso. Vou chamar um advogado.
— Vou mandar alguém te buscar.
O coração de Bianca disparou.
Ela achou que Leonardo queria reatar com ela.
Arrumou suas coisas rapidamente, desceu e entrou no carro, seguindo para a mansão na colina.
Aquele era o território privado de Leonardo.
Bianca quase nunca tinha ido até lá.
Quando chegou, a porta principal estava entreaberta.
Apenas uma luz fraca vinha do escritório no segundo andar.
Ela ajeitou o cabelo rapidamente e subiu com passos leves.
Empurrou a porta do escritório.
Leonardo estava de costas para ela, sentado em um sofá amplo.
Entre seus dedos, uma ponta de cigarro brilhava em vermelho.
A fumaça subia, tornando sua silhueta indistinta.
— Leo…
Bianca se aproximou, tentando abraçá-lo por trás.
— Eu sabia que você não ia me deixar sofrer…
Mas, no instante em que se aproximou—
seu olhar caiu sobre a tela do computador na mesa.
Seu corpo inteiro congelou.
O sangue pareceu parar de circular.
Na tela—
estava sendo reproduzido o vídeo de vigilância da escada do hospital.
Na imagem—
ela empurrava Amélia escada abaixo.
Bianca se assustou e deu dois passos para trás—
mas tropeçou no tapete e caiu aos pés de Leonardo.
Ela levantou a cabeça em pânico, tentando se explicar:
— Leo… não é o que você está pensando, eu…
Leonardo apagou o cigarro.
Baixou o olhar para a mulher tremendo a seus pés—
e segurou seu queixo com força.
— Com medo de quê?
— Agora há pouco você não estava contando com aquele bebê pra me amolecer mais uma vez? Hm?
— Você sabia que eu amo a Amélia… e ainda assim ousou machucá-la?
— Quem te deu essa coragem?
Leonardo… já sabia de tudo?
Ele sabia de tudo?
O corpo inteiro de Bianca entrou em alerta.
Ela se levantou e correu em direção à porta, tentando girar a maçaneta.
Mas—
a porta já estava trancada.
E, atrás dela—
veio a voz fria e baixa de Leonardo.
— Não adianta.
— A porta… já está trancada há muito tempo.