A movimentação ali já atraíra a atenção de alguns; quando Sthefany gritou, o restante das pessoas se aproximou.
Até o som da cabine do DJ foi diminuído.
Mas os gritos de Sthefany não fizeram Bernardo parar, e ela entrou em pânico instantaneamente.
Ela já trabalhara na Mansão Vermelha e sabia as consequências de não pagar uma conta.
Mas, antigamente, ela só vira pessoas que deviam alguns milhares.
Essas pessoas eram primeiro espancadas e depois jogadas nuas no centro da pista de dança.
O dono primeiro tentaria conseguir o dinheiro com os familiares; se não houvesse família ou se eles não pudessem pagar...
Então, o devedor seria jogado na jaula dos cães. Sobreviver era sorte, não sobreviver era o destino.
Sthefany vira uma vez uma pessoa ser morta a dentadas por um cão.
Por causa disso, ela teve pesadelos por um mês inteiro, incapaz de comer.
E aquelas cenas que a faziam vomitar eram de quem devia apenas alguns milhares.
Mas ela devia exatos dois milhões e quinhentos e trinta mil reais.
Os olhos de Sthefany estavam arregalados, sem entender como tudo mudara tão rápido.
Mas, após alguns segundos, ela pensou: com certeza foi Lívia!
O olhar de Sthefany tornou-se cruel; ela se desvencilhou com força das mãos do segurança e correu para se ajoelhar diante de Bernardo.
— Bernardo, foi a Lívia quem disse algo para você? É tudo mentira, eu tive meus motivos, não acredite nela, eu posso explicar, eu...
PAFT!
Antes que terminasse, um tapa pesado como um disco de ferro atingiu o rosto de Sthefany.
Foi Bernardo quem bateu.
Desde a primeira vez que ela mencionou Lívia hoje, Bernardo já não conseguia conter sua fúria.
Sua Livi já se fora, e ainda havia alguém manchando a reputação dela.
Então, essa pessoa merecia morrer!
— Sthefany, você ainda vai continuar fingindo depois de tudo?
— Eu te avisei claramente para ficar longe da Livi, por que você não ouviu? Agora tudo isso é o que você merece. De hoje em diante, não acreditarei em uma única palavra que sair da sua boca.
Dito isso, Bernardo desferiu um chute em seu peito e fez um sinal para que os seguranças a levassem.
Sthefany, fosse pelo choque do tapa ou por ter caído na real, nem sequer ofereceu resistência.
Somente ao ser jogada no palco é que ela despertou, cuspindo um dente que fora quebrado.
Os seguranças já haviam erguido os pés e empunhado cacetetes elétricos, atingindo o corpo de Sthefany repetidamente.
Sthefany encolheu-se no chão em agonia, com fios de sangue escorrendo pelo canto da boca.
Lá embaixo, vinham ondas de aplausos e vivas, iguais aos de quando ela estava jogando dinheiro.
Mas a situação dela agora era o oposto absoluto de antes.
A corrente elétrica percorria todo o corpo de Sthefany, e chutes e socos brutais a atingiam, fazendo sua memória vacilar, como se tivesse voltado ao ano em que entrou na Mansão Vermelha.
Antes que pudesse recordar o passado, alguém a ergueu e rasgou suas roupas com violência.
Apesar do calor do local, Sthefany sentiu um vento gelado.
Ela lutou com todas as forças, usando os dentes e os pés para atacar quem estava à frente, mas não conseguiu sequer um pedaço de pano para se cobrir.
Ao ver o segurança sacar uma faca, ela finalmente entendeu a diferença entre uma dívida de dois milhões e uma de alguns milhares.
Sthefany recuou passo a passo, tentando fugir: — Não! Isso é assassinato, eu posso processar vocês... AH!
Antes de terminar, seu tornozelo foi agarrado, e a lâmina fria cortou o tendão de Aquiles com precisão, seguida pelos tendões dos pulsos.
A dor excruciante a impedia de se mover, enquanto a multidão, assistindo ao espetáculo, gritava: — Continua! Continua!
Neste momento, Sthefany já não se importava com dignidade; ela rastejava como um verme em direção a Bernardo.
— Bernardo, me salva, me salva...
Sthefany derramava lágrimas, chorando de uma forma que tocaria qualquer coração.
Alguns lá embaixo chegaram a se comover e ameaçaram pagar a conta dela, mas desistiram assim que souberam o valor.
Bernardo, porém, não mudou de expressão; ele estava recostado preguiçosamente na cadeira, balançando sua taça de vinho.
— Te salvar? Se eu te salvar, você pode me devolver a minha Livi? Se puder, eu te salvo.
Sthefany não entendeu o que ele quis dizer, achando apenas que Lívia fugira de casa por raiva, e assentiu freneticamente.
— Eu posso! Se você me salvar, eu com certeza vou pedir desculpas à Senhorita Lívia, posso me ajoelhar e implorar, juro que nunca mais vou interferir na família de vocês.
Sthefany falava rápido e com urgência, temendo que Bernardo mudasse de ideia.
Bernardo apenas deu um sorriso de desprezo, com olhos desfocados e cheios de dor.
— Ótimo. Então vá pedir desculpas a ela no caminho para o submundo.