Quando aquele nome foi pronunciado, Bernardo estancou no lugar.
Sua mente ficou completamente em branco por um instante; o barulho da multidão desapareceu, restando apenas um zumbido agudo nos ouvidos.
A voz daquela mulher ecoava em sua cabeça; o nome "Lívia" crescia como um feitiço, gravando-se em seu coração.
Segundos depois, ele balançou a cabeça freneticamente: — Impossível, impossível!
Dito isso, ele se virou com passos instáveis em direção às pessoas no elevador, com a voz trêmula:
— De quem você estava falando? Qual o nome dela? Como se escreve esse nome?!
A mulher, assustada com a abordagem, esqueceu-se de falar.
Bernardo, arquejando, ia perguntar novamente, mas a porta do elevador se fechou diante de seus olhos.
Ele estendeu a mão para detê-la, mas parou no último instante.
A ponta do dedo estendida no ar tremia violentamente, e ele a recolheu logo em seguida.
Bernardo caminhou entre a multidão com passos vacilantes, sussurrando para si mesmo que certamente tinha ouvido errado.
Lívia ainda não estava curada; os médicos jamais permitiriam que ela recebesse alta.
Além disso, ele ordenara ao assistente que a levasse ao quarto; se algo tivesse acontecido, o assistente teria lhe contado.
Sem mencionar que ela era alguém que nunca desligava o celular; como poderia estar incomunicável justamente no momento em que alguém morria?
Momentos depois, Bernardo chegou a uma conclusão.
O único motivo para Lívia desligar o celular era porque estava brava — brava porque ele a forçara a pedir desculpas.
Quanto mais pensava, mais Bernardo se convencia de que este era o motivo do sumiço.
Porque ela sabia que o maior medo dele era que ela desaparecesse novamente.
Um medo que o levava a colocar localizadores no celular dela e verificar sua posição a cada duas horas.
Desta vez, ela não atacara Sthefany, mas mudara de estratégia, jogando o jogo do desaparecimento.
Esperando o momento em que ele ficasse louco de preocupação para, então, reaparecer calmamente.
E usar isso para manipulá-lo: se ele a desagradasse novamente, ela sumiria de vez.
O olhar de Bernardo tornou-se frio; ele achava que Lívia estava sendo infantil e irracional!
Ele a fizera pedir desculpas porque ela estava errada.
Não esperava que, além de não reconhecer o erro, ela ainda pisasse em sua sinceridade como se fosse lixo.
Pensando nisso, Bernardo parou e cerrou os punhos.
Pela primeira vez, sentiu que amara a pessoa errada.
Lívia não era mais aquela mulher generosa e direta de anos atrás.
A Lívia de agora era ciumenta e capaz de usar métodos cruéis para ferir os outros!
Ao lembrar de tudo o que aconteceu recentemente, Bernardo perdeu a vontade de vê-la; virou as costas para ir embora.
Neste momento, ele acreditava piamente que tinha ouvido errado no elevador.
Existem muitas pessoas com nomes iguais no mundo; nomes parecidos ou idênticos não eram nenhuma raridade.
O coração de Bernardo, antes inquieto, estabilizou-se, e seu amor por Lívia esfriou um pouco mais.
Ele voltou pelo mesmo caminho e apertou o botão do elevador, dando de cara com o assistente assim que a porta abriu.
Bernardo franziu a testa: — Onde você estava? Por que está vindo lá de baixo? Eu não mandei você vigiar a patroa?
O rosto do assistente empalideceu ao ouvir a menção à patroa; ele puxou Bernardo para um canto com gestos atrapalhados.
Mas ele gaguejava, incapaz de dizer uma frase completa.
Bernardo já não estava de bom humor; sentiu uma fúria súbita crescer.
Ele estava prestes a mandar o assistente embora definitivamente quando o homem finalmente falou:
— Senhor Bernardo... a patroa... ela desapareceu.
Bernardo não entendeu de imediato; ia exigir que ele explicasse o que significava "desaparecer", quando o celular tocou.
Ele atendeu com irritação, mas sua mente explodiu no momento em que ouviu as palavras do outro lado.
— Alô, falo com o familiar de Lívia? A Senhorita Lívia faleceu há uma hora em uma explosão de veículo na Rua Nova. Quando o senhor teria disponibilidade para vir à delegacia para o depoimento de rotina e para dar baixa nos documentos dela?