Tarde da noite, Mansão Silva.
Pela primeira vez em meses, o homem que voltava para casa pontualmente todos os dias não apareceu.
Eu desenhava em silêncio os croquis da coleção de primavera para o bebê; sobre a mesa, espalhavam-se desenhos de roupas para diversas estações.
Penso que, depois que eu partir, meu filho poderá usar as roupas que eu mesma desenhei.
Cada traço e cada linha carregam o amor materno pela criança em meu ventre.
Pouco depois, caminhei até a cama e guardei algumas roupinhas que havia tricotado anteriormente em um baú de madeira para preservá-las.
Justo quando terminava de organizar tudo, chegou uma mensagem no celular.
Olhei para o contato "Misterioso"; era a primeira vez que nos falávamos em mais de meio ano, e a mensagem dele claramente me deixou surpresa.
Misterioso: "Se você descobrisse que cometeu um erro, o que faria?"
Olhei para a mensagem, um pouco atônita.
Branca: "Que tipo de erro?"
A mensagem foi enviada, mas a outra parte demorou a responder.
Olhei para a interface do chat, em um momento de estupor.
Talvez ele não queira dizer, será que fui inconveniente ao perguntar assim...?
Após um tempo, enviei outra mensagem.
Branca: "No momento em que você começa a admitir o erro, já está começando a repará-lo. Não se preocupe."
Quando pensei que ele não responderia mais, o celular notificou uma nova mensagem.
Misterioso: "Obrigado."
Ao ver a resposta, fiquei paralisada por um instante; a sensação que esse "Misterioso" me passava era muito estranha.
Tanto tempo sem contato e, ao voltar a falar, ele me faz esse tipo de pergunta.
Balancei a cabeça, parando de pensar nos problemas alheios.
Afinal, minha própria vida já era um lamaçal de dificuldades.
...
O bar mais luxuoso de Anápolis.
Bernardo Silva estava sentado ao balcão; doses do melhor uísque Islay eram servidas uma após a outra.
A tela do celular brilhava levemente, exibindo justamente a interface de uma conversa.
Sob o piscar das luzes, os padrões de nuvens na gola preta de sua camisa eram evidentes, e o relógio Rolex de edição limitada em seu pulso brilhava com um reflexo prateado.
Uma mulher vestindo um vestido curto vermelho de ombros nus aproximou-se lentamente, com os olhos fixos no homem.
"Gatão? Beber sozinho assim não tem graça nenhuma, eu te acompanho~"
"Suma."
Por entre os fios de cabelo, os olhos estreitos e afiados do homem transpareciam; seus lábios finos tinham contornos bem definidos.
A mulher, ao ser rejeitada, pensou em insistir, mas ao ver o rosto gélido de Bernardo Silva, balançou a cintura fina e saiu frustrada.
Sob o efeito da penumbra e do álcool, os olhos negros de Bernardo fitavam atentamente a mensagem no celular.
— "No momento em que você começa a admitir o erro, já está começando a repará-lo. Não se preocupe."
Após um longo silêncio, ele se levantou e saiu do bar a passos largos.
...
Três horas da manhã.
Bernardo Silva voltou para a Mansão Silva levemente embriagado.
No quarto, a mulher já dormia tranquilamente; o luar caía sobre seus fios negros, criando uma cena serena e bela.
Ele tirou sua túnica preta, colocou-a no cabide e foi silenciosamente para o banheiro.
Quando a água fria encharcou seu corpo, Bernardo recuperou a sobriedade.
Quinze minutos depois, ele saiu do banheiro e entregou a roupa preta ao criado que esperava na sala.
Depois, voltou ao quarto, subiu suavemente na cama e envolveu a cintura dela com sua mão grande.
Faltavam apenas três meses para o filho dele e dela nascer.
Durante a gravidez, meu sono era muito leve.
Senti o afundar do colchão ao lado e a mão grande em minha cintura.
Não abri os olhos, apenas fingi que continuava dormindo; eu achava que ele não voltaria hoje.
"Alice, sinto muito."
A voz grave do homem soou nitidamente ao meu ouvido, e meu corpo ficou rígido por um instante.
Alguém tão orgulhoso como Bernardo Silva, pedindo-me desculpas...
No entanto, a respiração do homem logo se tornou regular.
Ouvindo o ritmo de sua respiração, tive uma vontade súbita de chorar.
Por quantos anos esperei por esse "sinto muito".
Mas agora... tudo é tarde demais.