Capítulo 29
Cecília franziu a testa profundamente ao ver o homem ser ajudado a se levantar por outros colegas. Pelo que ela sabia, ele era filho de um magnata influente na China.
Nesse momento, Bento falou:
— Senhorita, não tenha medo. Eu assumirei todas as consequências.
Cecília virou o rosto para olhar para ele e, com um suspiro de frustração, apertou a ponte do nariz.
— Não precisa. Eu resolvo isso.
Ela se despediu de alguns colegas próximos, acalmou os ânimos do homem ferido e, em seguida, caminhou em direção a Bento.
— Venha lá fora comigo um instante.
O coração de Bento subiu à boca. Ele não achava que tinha feito algo errado; se acontecesse de novo, ele avançaria sem hesitar. No entanto, ele entendia que, de fato, havia causado um transtorno para Cecília.
Sob a sombra das árvores, Bento mantinha a cabeça levemente baixa.
— Senhorita, me desculpe.
Cecília observou aquele rosto familiar em silêncio por um longo tempo antes de falar:
— Bento, eu imagino por que você me seguiu até a Filadélfia, mas o que eu disse não vai mudar. Estou muito bem sozinha agora e não preciso de um guarda-costas. Agradeço pelo que fez agora há pouco, mas eu mesma poderia ter lidado com a situação.
Ao ouvir isso, Bento sentiu um nó na garganta.
— Senhorita...
Cecília fez um gesto de silêncio, indicando para que ele apenas a escutasse.
— Oito anos atrás, eu escolhi você porque, entre todos os guarda-costas, você era o mais bonito e o mais profissional. Espero que, agora, você consiga manter esse profissionalismo e pare de perder seu tempo comigo.
Ela fez uma pausa e acrescentou:
— Voltarei para Hong Kong assim que terminar meus estudos. Se, naquela época, eu ainda precisar de um guarda-costas, considerarei você... se você ainda estiver disposto.
Bento fechou os olhos, escondendo o amargor, a frustração e a dor. Ele entendeu que aquele era o melhor desfecho possível que poderia obter de Cecília naquele momento. Ele tentou falar com a voz mais firme possível:
— Entendido, senhorita. Se precisar de mim, estarei ao seu lado a qualquer momento.
— Hum. — Cecília sentiu um peso sair de seus ombros.
Ela esperou que Bento se virasse e desaparecesse de vista antes de se voltar para seguir seu caminho. Mas, ao se virar, estancou ao ver Helena parada sob a luz de um poste, com o rosto marcado pelo cansaço da viagem.
Levou um tempo para que Cecília encontrasse sua voz:
— ... O que a senhora está fazendo aqui?
Com os olhos marejados, as lágrimas de Helena começaram a cair silenciosamente.
— Ceci, eu vim sem avisar... isso te deixou infeliz novamente?
Cecília realmente não esperava que sua mãe viesse, e muito menos que fizesse aquela pergunta. Antigamente, ela jamais se importaria se Cecília estava feliz ou não.
Cecília balançou a cabeça.
— Não. Embora seja uma surpresa, não estou infeliz, nem feliz.
Helena aproximou-se, mas parou a um passo de distância.
— Eu sei que você não queria me ver, mas desde aquela nossa ligação, eu senti um desejo imenso de te encontrar.
Ela observou os traços refinados e belos de sua filha mais velha.
— Me perdoe, Ceci. A mamãe errou no passado. Eu não deveria ter te negligenciado... eu realmente percebi o meu erro.
Nestes últimos dias, a culpa pesava como uma rocha no coração de Helena. Sempre que fechava os olhos, via a imagem da pequena Cecília estendendo a mão para ela e dizendo: "Mamãe, eu vou cuidar de você". Todas as noites, ela sonhava com a Cecília que fora deixada de lado, e sua consciência não a deixava em paz.
Helena finalmente não resistiu e estendeu a mão, querendo acariciar o rosto da filha. Porém, Cecília deu um passo atrás, esquivando-se do toque. A mão estendida ficou paralisada no ar.
Cecília desculpou-se calmamente: — Sinto muito, mas não gosto que me toquem.
O coração de Helena apertou-se em agonia: — Eu me tornei uma estranha para você a esse ponto?
Cecília permaneceu em silêncio. Helena deu um sorriso amargo e assentiu: — Eu não deveria ter perguntado.
— Dezoito anos não são dezoito dias. Você sofreu tanto... que direito eu tenho de exigir que ainda me ame?
— Mas Ceci... a mamãe também foi mãe pela primeira vez. Eu não sabia como ser uma boa mãe.