Capítulo 27
Embora não tenha ouvido Cecília dizer a frase "volte logo", Gustavo já se sentia plenamente satisfeito. Ele abriu um sorriso radiante:
— Vou trazer um presente para você. Ou, se houver algo que queira comer, me diga e eu trarei.
Ao ouvir isso, Cecília pensou seriamente por um momento antes de falar pausadamente:
— Quando eu era criança e morava em Tsuen Wan, lembro-me de uma loja chamada
Assados Liang
que era deliciosa. Era de uma senhora idosa... faz muito tempo que não volto lá, não sei se ela ainda está na ativa.
— Com certeza eu trarei para você — prometeu Gustavo, com total convicção.
Cecília não pôde evitar um sorriso. Foi a primeira vez, desde o reencontro, que ela exibiu um sorriso leve e genuinamente alegre. Gustavo ficou momentaneamente hipnotizado pela cena. Ele começou a sorrir junto, de forma involuntária, e disse do fundo do coração:
— Ceci, antes eu não entendia, mas agora eu realmente sinto que, desde que você esteja feliz, nada mais importa.
Temendo que Cecília dissesse algo para cortar o clima, Gustavo levantou-se apressadamente.
— Então, eu já vou indo. Meu celular ficará ligado 24 horas por dia; se precisar de qualquer coisa, me ligue a qualquer momento.
— Hum. Adeus.
No dia seguinte, antes mesmo do amanhecer, Gustavo e sua assistente, Chuvinha, já estavam à porta de Cecília. Ele olhou para a porta fechada com um olhar de despedida relutante. No fim, ele apenas deixou um pequeno buquê de lavanda da Provença na maçaneta, acompanhado de um cartão que dizia:
"Espere por mim"
.
Lá dentro, Cecília dormia profundamente, em uma noite sem sonhos.
...
Uma semana depois, em Hong Kong, no Hospital Castle Peak.
— Sr. Gouveia, a Senhorita Beatriz Cavalcante está na ala de isolamento no momento. Se o senhor desejar vê-la, posso providenciar agora mesmo.
Pela manhã, a enfermeira-chefe recebeu ordens superiores avisando que uma figura importante viria, por isso preparou tudo com antecedência. Ela sorria de forma servil, com um olhar de adulação cautelosa.
Ao retornar para Hong Kong, Gustavo foi obrigado por sua mãe a usar uma cadeira de rodas devido aos seus ferimentos. Mesmo sentado, sua aura era fria e imponente.
Ele abriu os lábios finos: — Nestes dias, o Sr. e a Sra. Cavalcante continuaram solicitando visitas frequentes à Beatriz?
A enfermeira-chefe folheou o prontuário:
— O Sr. Ricardo vem quase todos os dias. A Dona Helena veio apenas no primeiro dia e não retornou mais.
Ao ouvir isso, Gustavo ficou surpreso. Ele achava que Helena jamais permitiria que Beatriz sofresse em um hospital psiquiátrico e que faria de tudo para tirá-la de lá. Jamais imaginou que ela viria apenas uma única vez. Beatriz não era sua filha favorita?
Gustavo franziu levemente a testa e disse com a voz gélida:
— Quero ver a Beatriz.
— Pois não.
Vinte minutos depois, na sala de visitas.
Apesar de estar no hospital há uma semana, a aparência de Beatriz continuava limpa e arrumada, embora seu rosto estivesse mais abatido. Ela olhou para Gustavo e tomou a iniciativa de falar:
— Gustavo, você finalmente resolveu voltar para me ver.
Gustavo jogou o pen drive sobre a mesa, com um tom de voz indiferente:
— Eu já tinha te avisado. Por que continua sendo tão obstinada?
Beatriz baixou os olhos, e os cantos de sua boca curvaram-se em um arco irônico.
— A Cecília não te contou? Desde pequena, eu sou uma pessoa vingativa e rancorosa.
— Só depois que ela se aposentou é que eu entendi o tamanho do tabuleiro que ela montou. Ela fingiu generosidade ao me entregar você e o posto de vocalista da banda; seguiu as ordens dos nossos pais para colocar todos os recursos nas minhas mãos... mas, por debaixo dos panos, contratou paparazzi para nos flagrar e espalhou as fotos, além de reunir provas de que eu usava playback. Tudo isso apenas para me fazer cair do ponto mais alto e me destruir.
— Ela foi tão cruel com a própria irmã... será que eu não tenho o direito de arrastá-la para o abismo comigo?
— Se for para cair, cairemos todos juntos.
Ouvindo o delírio de Beatriz, o rosto de Gustavo escureceu.
— Você realmente enlouqueceu de vez. Acha mesmo que não tem um pingo de culpa em tudo isso?
— Não! — Beatriz elevou o tom de voz. — Como eu poderia estar errada? Eu sou a filha mais amada do papai e da mamãe. Quem a Cecília pensa que é? Por que ela merece tantos holofotes e tanto amor? Ela não é digna!
Gustavo cerrou os punhos e encarou Beatriz com desprezo.
— Quem não é digna é você, Beatriz. Desde o início, desde sempre, é você quem nunca foi digna.