Capítulo 25
— Mãe? — Beatriz segurava o rosto, com os olhos transbordando incredulidade.
A mão com que Helena a esbofeteara ainda tremia levemente. Seu rosto era uma máscara de decepção.
— Beatriz Cavalcante, eu e seu pai fomos negligentes ao te mimar tanto. Por isso você se tornou assim, agindo como se estivesse acima da lei, sem distinguir o certo do errado. Mas eu vou te avisar: não ouse machucar sua irmã novamente, ou eu nunca te perdoarei.
Beatriz cerrou os punhos, mantendo-se em silêncio absoluto. Ao vê-la com os olhos cheios de lágrimas, Helena sentiu um súbito arrependimento.
Ela tentou estender a mão para tocar a bochecha avermelhada de Beatriz, mas a filha virou o rosto, esquivando-se.
— Mãe, eu entendi. Jamais farei algo que te deixe infeliz. Todos esses anos, eu esperei que você viesse me buscar; essa foi a promessa que você me fez. Você me pergunta por que odeio a Cecília? Talvez este seja o motivo.
Beatriz ergueu o queixo com teimosia, recusando-se a chorar na frente da mãe.
— Você me fez esperar por dezoito anos. Sabe o quanto eu tive inveja ao ver na televisão, na internet, a Cecília se tornando uma estrela brilhante enquanto você estava ao lado dela?
Ela soltou um riso repentino, mas que soava mais pesado que um pranto.
— Eu realmente achei que não sabia por que odiava a Cecília, mas esse tapa me deu a resposta. Não existe criança que não anseie pela mãe. Eu odeio a Cecília, mas odeio você ainda mais.
Ao ouvir isso, Helena sentiu como se o seu coração estivesse sendo retalhado. Ela nunca imaginou que suas duas filhas biológicas a odiassem tanto.
Quão fracassada ela fora como mãe?
Ela olhava para Beatriz sem saber como reagir ou o que dizer.
Após um longo tempo, disse com a voz trêmula:
— Quando sua irmã era uma estrela, eu não a ajudei em nada. Ela chegou onde chegou no entretenimento por conta própria. E naquela época... não é que eu não quisesse te levar comigo, é que eu não podia. Eu admito que fui parcial, mas foi porque não queria que você sofresse privações!
— Mas eu teria aceitado sofrer com você — disse Beatriz sem hesitar. Ela limpou as lágrimas que não paravam de cair. — Desde que estivesse ao lado da minha mãe, eu não sentiria sofrimento algum.
Nesse momento, Helena estancou, sem palavras.
— Bia...
Mas Beatriz não lhe deu mais atenção. Ela se virou e disse em um tom calmo:
— Mãe, eu vou te obedecer. Não vou mais machucar a Cecília. Mas o que eu já fiz... não tem mais volta.
— O que você quer dizer com isso? — Helena não entendeu.
Porém, Beatriz não disse mais nada e saiu direto do recinto.
...
Enquanto isso, na Filadélfia, na cobertura do Ritz-Carlton.
Cecília adoeceu assim que chegou em casa. Foi como se, ao finalmente remover a enorme pedra que carregava no peito, a doença tivesse vindo com uma força avassaladora. Ela ligou para o médico da família, Adam.
Quando Adam chegou, ela já estava inconsciente de febre. Gustavo, que estava em seu próprio apartamento logo em frente, correu para lá ao ouvir o movimento. Ele e Adam se entreolharam.
— Por que ela teve febre tão de repente?
Adam deu de ombros: — Talvez você tenha passado para ela. Você também não estava ardendo em febre outro dia?
Gustavo franziu a testa e, apoiado em suas muletas, inclinou-se para observar Cecília enquanto ela dormia. Cecília dormia de forma muito composta, com as mãos cruzadas sobre o abdômen; com os olhos bem fechados, seus cílios pareciam ainda mais longos e curvados. Apenas de olhar para ela, Gustavo sentia uma imensa satisfação e paz. Se ela não estivesse doente, ele provavelmente estaria mais feliz.
— Ei, cara... você é mesmo o ex-namorado da Ceci? — Adam afastou a mão de Gustavo, que tentava acariciar a bochecha dela.
O semblante de Gustavo escureceu e ele respondeu:
— Sou. Por quê? Quem você acha que eu sou para ela?
Adam sorriu de forma despreocupada e fez um sinal de "X" com as mãos.
— Não fique bravo. Ela finalmente pegou no sono e eu não quero que você a acorde. Quanto a quem você é... ela me disse que você é o ex-namorado com quem ela terminou na China. E do tipo que não tem volta.
Ele continuou: — Mas eu queria saber: aos seus olhos, quem você é para ela?
Gustavo estancou, mergulhando em uma reflexão profunda.
— No momento, sou apenas o amante dela. Mas eu quero ser promovido... quero ser o marido dela.