Capítulo 24
Após essas palavras, Helena permaneceu em silêncio absoluto do outro lado da linha por um longo tempo.
Cecília, porém, não esperou mais; ela simplesmente encerrou a chamada.
Ela ficou sozinha à beira da estrada, com os olhos levemente marejados.
Somente após recuperar a compostura é que ela chamou o motorista novamente para levá-la de volta para casa.
Enquanto isso, em Hong Kong, no nº 88 da Repulse Bay.
Helena segurava o celular, ainda em choque com o desligamento súbito. Beatriz, observando as lágrimas que escorriam pelo rosto da mãe, sentiu um pressentimento ruim.
— Mãe, a Cecília foi atrevida com você de novo? Não leve isso a sério. Você mesma não dizia que o gênio dela era assim, que ela sempre foi muito solitária e fria? Agora que ela nos prejudicou tanto, não é de admirar que tenha fugido para tão longe, realmente...
— Chega! — Helena interrompeu o falatório incessante de Beatriz.
Pela primeira vez, ela encarou a filha caçula com uma severidade e seriedade inéditas.
— Bia, a Cecília é sua irmã de sangue. Desde pequena, ela nunca te fez nenhum mal. Por que... por que você nunca gostou dela?
O coração de Beatriz deu um salto. Um breve momento de confusão passou por seus olhos. Por quê? Nem ela mesma parecia ter uma resposta para isso.
Diante do silêncio, Helena suspirou.
— Eu sempre achei que sua irmã fosse forte e ajuizada, mas nunca parei para pensar por que ela
tinha
que ser assim. Era a idade em que ela deveria estar fazendo manha e sendo espontânea comigo...
— Mas hoje, quando ela finalmente abriu o coração, eu entendi. Todos esses anos, eu senti que devia algo a você. Achei que não deveria ter deixado você tão pequena com o seu pai; ele nunca foi um homem detalhista ou estável, e tive medo de que você sofresse.
O sorriso de Helena era pálido e solitário.
— Mas, naquela época, seu pai era o homem mais rico de Tsuen Wan. Se você ficou com ele, foi porque as condições dele eram infinitamente superiores às minhas. Eu, por outro lado, era quem não podia te dar nenhuma garantia financeira ou uma vida boa.
— Sua irmã ficou comigo sendo tão pequena... acordava cedo e dormia tarde lavando pratos, cortando vegetais... Ela sofreu tanto, e eu simplesmente fechei os olhos, ou pior, achei que era o dever dela. Eu errei.
Ao ouvir esse desabafo de autocrítica, um brilho de insatisfação passou pelos olhos de Beatriz.
— Mãe, a culpa não é sua. É a Cecília que é rancorosa demais. Guardar mágoa por tantos anos por causa de coisas tão pequenas...
Helena moveu os lábios, o rosto transbordando remorso.
— Não são coisas pequenas! Como isso poderia ser algo pequeno?
Ela olhou para Beatriz e segurou firmemente as mãos da filha.
— Bia, já que o Sr. Gouveia foi para os Estados Unidos, eu também quero ir visitar sua irmã. Não existe mágoa eterna entre mãe e filha. Talvez, se resolvermos esses anos de mal-entendidos e rancor, vocês duas possam voltar a ser as irmãs de antes.
Beatriz soltou uma gargalhada. Ela desvencilhou as mãos das de Helena e, pela primeira vez, parou de fingir ser a "boa menina" diante da mãe.
— Mãe, como você é ingênua. Independentemente da Cecília querer ou não fazer as pazes comigo, você realmente acha que, depois de tudo o que aconteceu entre nós, eu baixaria a cabeça para ela?
Ela fixou o olhar em Helena, com um tom de voz carregado de dúvida.
— Mãe, você fez sua escolha há muito tempo. Você já a magoou tanto que o coração dela gelou. Acha que basta ir atrás dela para que o laço de mãe e filha volte? Impossível! Você precisa cair na real: eu sou sua única filha agora. Você deveria me proteger, deveria me ajudar a encontrar uma solução e exigir que a Cecília voltasse de joelhos para me pedir desculpas!
As mãos de Beatriz tremiam sem parar e sua expressão tornava-se cada vez mais frenética. Ela baixou a cabeça, murmurando para si mesma:
— Que estranho... todos deveriam me amar. Por que agora resolveram amar a Cecília? Será que eu preciso destruí-la completamente? Será que preciso matá-la para isso acabar? Cecília... eu odeio a Cecília. Eu a odeio, eu a odeio...
— Vou fazer a Cecília sentir a dor que estou sentindo agora. Vou destruir a reputação dela para sempre!
Diante de cada frase aguda e psicótica, Helena finalmente não conseguiu mais conter a reação.
PAFT!
Helena levantou a mão e desferiu um tapa violento no rosto de Beatriz.