Capítulo 13
— "Tudo o que a Cecília tiver, eu vou tomar para mim!"
Parado do lado de fora da porta, Gustavo sentia aquelas palavras de Beatriz ecoarem sem parar em sua mente.
Ele respirou fundo, contendo a fúria que o consumia, e empurrou a porta fingindo que nada havia acontecido.
Na cama, Beatriz e Helena, sentada ao lado, olharam para ele simultaneamente. Ambas paralisaram por um segundo, tentando desesperadamente manter a compostura.
— Gustavo, veio visitar a Bia? — Helena forçou um sorriso cordial. — Vou deixá-los a sós para que possam conversar um pouco.
Gustavo retribuiu com um sorriso educado e frio. Helena levantou-se, deu um tapinha na mão de Beatriz e ajeitou o cobertor da filha.
— Não se preocupe — sussurrou ela. — Esqueceu que o Gustavo gosta muito de você?
Ao ouvir aquilo, o rosto pálido de Beatriz recuperou um pouco da cor. Gustavo observava o segredinho entre mãe e filha. Quando Helena já se dirigia à saída, ele disse subitamente:
— Dona Helena, a Cecília se aposentou de repente e está desaparecida há tanto tempo... a senhora chegou a se preocupar com ela?
Helena estancou, sentindo uma pontada de culpa. Ela segurou a maçaneta e olhou para trás.
— Claro. Afinal, a Cecília também é minha filha. Como eu, sendo mãe, não me preocuparia com ela?
Gustavo apenas assentiu e não disse mais nada. Após a saída de Helena, o quarto mergulhou no silêncio. Gustavo sentou-se ao lado da cama, pegou uma faca e começou a descascar uma maçã calmamente. Beatriz, incapaz de suportar a tensão, tomou a iniciativa:
— Gustavo, o que houve? Está de mau humor?
Ele parou o movimento e levantou o olhar para ela. Antigamente, ele achava que aquela perspicácia dela em notar suas emoções era fruto de um amor profundo. Mas agora...
— Gustavo, você...
Ao ver que ele apenas a encarava em silêncio, Beatriz ficou cada vez mais inquieta. Foi então que Gustavo sorriu. Ele largou a maçã cortada pela metade e disse em tom suave:
— Bia, você sabe qual é o preço que pagam as pessoas que tentam me enganar?
Nesse instante, o pavor no coração de Beatriz atingiu o ápice! Um único pensamento martelava em sua cabeça:
Acabou! Ele descobriu tudo!
Gustavo levantou a mão, aproximando a lâmina fria da faca da testa ferida de Beatriz, fazendo um movimento de medida no ar.
— Bia, você disse agora pouco que não queria mais ser uma estrela. Vou realizar o seu desejo.
Dito isso, ele cravou a faca com força na maçã que já começava a oxidar sobre a mesa. Beatriz ficou paralisada, incapaz de emitir um som. Ela sentia um terror profundo, embora Gustavo não tivesse feito nada além de dizer duas frases.
— Gustavo... por favor...
— Shh — ele fez um sinal de silêncio. Em seguida, levantou-se e disse com crueldade: — Não implore. Não tente se justificar. Isso só vai tornar as coisas piores para você.
Beatriz selou os lábios imediatamente. Gustavo não olhou mais para ela e saiu do quarto. No corredor, Tiago e Júlia Martins o esperavam com expressões graves.
— Ordenem ao departamento de RP que parem de tentar limpar a imagem da Beatriz. Além disso, usem o perfil oficial da Wildfire para divulgar as provas do playback dela. Digam que fizemos uma investigação interna e decidimos expulsá-la permanentemente. Todos os meus compromissos com ela estão cancelados.
Ele completou, gélido: — A Gouveia Entertainment pagará todas as multas de rescisão.
— Sim, senhor — responderam Júlia e Tiago em uníssono.
Nesse momento, ouviu-se o barulho de algo caindo dentro do quarto e o grito desesperado de Beatriz:
— Gustavo! Você disse que gostava de mim! Como pode fazer isso comigo?
Sem olhar para trás, ele respondeu friamente:
— Quem você pensa que é? Acha mesmo que está no meu nível para eu gostar de você?
Beatriz sentiu o mundo desabar.
Meia hora depois, dentro do Rolls-Royce Cullinan.
— Tem certeza de que ela está nos Estados Unidos? — Gustavo perguntou, com o cenho franzido.
O assistente executivo afirmou com firmeza: — Sim, senhor. O voo dela saiu há quatro dias. Ela pousou em San Francisco e depois seguiu para a Filadélfia.
Gustavo cerrou os punhos com força.
— Já deixei o jato particular pronto no terraço do edifício. Se quiser ir agora...
Antes que ele terminasse a frase, Gustavo cortou: — Vamos.
Dezesseis horas depois, na Filadélfia. Na cobertura do hotel Ritz-Carlton.
Cecília estava sentada no sofá, assistindo à TV distraidamente, enquanto o celular ao lado reproduzia notícias do Brasil. Ela estava prestes a desligar o aparelho quando ouviu a voz da locutora:
"O famoso cantor Gustavo Gouveia embarcou em seu jato particular hoje às 15h31. Segundo seu assistente, o destino era a Filadélfia, nos EUA. Contudo, a aeronave enfrentou uma tempestade sobre o oceano e caiu. O cantor está desaparecido e as buscas continuam..."
Cecília ficou em choque. Imediatamente abriu o Google para buscar informações. Todos os resultados confirmavam a notícia do acidente. Desesperada, checou os portais brasileiros e as redes sociais: os colegas de banda imploravam por orações.
O coração de Cecília pareceu congelar.
O celular escorregou de sua mão e caiu no vão do sofá. Ela jamais imaginou que teria notícias de Gustavo nessas circunstâncias.
Nesse momento, a campainha tocou. Uma, duas vezes, de forma insistente. Cecília caminhou até a porta, achando ser o concierge do prédio.
Mas, ao abrir, quem estava parado ali era um Gustavo Gouveia com o braço engessado, faixas pelo corpo e apoiado em uma muleta!