Capítulo 12
The Peak, Barker Road, nº 35.
“O ridículo é que não consigo, não consigo parar de pensar / Nos fragmentos doces, tão doces, que vivi com você / Debaixo da chuva de estrelas, você ria de mim / Como um palhaço tocando embaixo do palco / Não tenho mais medo, medo, medo da partida / Mas depois da separação, o vazio continua o mesmo / E eu vou definhando pouco a pouco...”
Na enorme sala de estar com pé-direito alto, camadas de cortinas pesadas bloqueavam completamente a luz do sol.
A única claridade vinha de uma pequena luminária de luz âmbar no centro da ilha da cozinha americana.
Gustavo Gouveia vestia um pijama de seda macia e brilhante, com o colarinho levemente aberto, revelando seu peitoral firme.
Seu cabelo na testa estava levemente úmido e suas sobrancelhas marcantes estavam franzidas, como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo.
E, de fato, era exatamente isso. Gustavo virou vários goles de água gelada, mas não conseguia acalmar o coração.
Agora pouco, ele sonhara que algo terrível acontecia com Cecília. A dor de sentir o coração sendo cortado ao meio fora tão real que não parecia um simples sonho...
Ouvindo a voz de Hacken Lee no rádio, Gustavo não pôde evitar cantarolar o verso seguinte em voz baixa:
—
“Amar assim só me faz sentir / Um cansaço sem fim, sem forças para te segurar.”
Ele parou subitamente, atordoado. Antigamente, quando Cecília passava a noite naquela mansão, ela sempre ouvia essas canções antigas, tanto que ele acabou decorando alguns versos. Mas aquela música, ecoando na mansão vazia, parecia descrever perfeitamente o momento atual.
Gustavo apertou a garrafa de água mineral, lembrando-se da noite anterior no Hotel Four Seasons com Beatriz. Aquilo fora apenas uma estratégia para desviar o foco da opinião pública; as fotos foram tiradas por paparazzi de ângulos planejados por ele. Mas... e se Cecília tivesse visto aquela notícia?
Ele franziu a testa, sem entender por que, de repente, estava tão preocupado com isso. Nesse momento, o celular vibrou. Era Júlia Martins.
"Gustavo, você tem uma sessão de fotos publicitárias com a Bia hoje às três da tarde. Não se atrase."
Ele respondeu apenas:
"Ok."
Dez minutos depois, Gustavo partiu em sua van executiva. Nos três dias seguintes, sua agenda quase não foi afetada pela polêmica. Ele e Beatriz apareciam juntos o tempo todo, mantendo gestos íntimos, mas os fãs já não aceitavam mais a situação.
Beatriz fora pregada no pilar da infâmia. Além do linchamento virtual em massa, a situação evoluiu para ataques físicos de "antis". Ela chegou aos assuntos mais comentados após ser atingida na testa por um microfone arremessado por um hater e ser levada às pressas por uma ambulância.
As redes sociais ferviam:
"Bem feito! Quem mandou fazer playback? Eu até perdoo roubar homem, mas playback não dá!"
"Por que sempre atacam a mulher? Queria ver terem coragem de abrir a cabeça do Gustavo Gouveia. Ele é a fonte de todo esse caos, as duas irmãs foram destruídas por causa dele."
"O que o Gustavo tem a ver com isso? Ter carisma agora é crime?"
"Só eu acho esses ataques físicos assustadores? Lembro que a Cecília também foi atacada por um hater uma vez, mas a atitude do Gustavo foi bem diferente, não foi? Ele mandou a mulher direto para a cadeia, dizem que ela está presa até hoje."
"Meu Deus, então o verdadeiro amor do Gustavo era a Cecília? Mas onde ela está agora?"
...
Enquanto isso, no Hospital de Repouso.
Gustavo, totalmente disfarçado e escoltado por seguranças, subiu pelo elevador VIP. Ao chegar diante da porta da suíte de luxo, prestes a entrar, ouviu a voz de Beatriz desabafando com alguém.
— Eu realmente não quero mais ser essa "estrela" de merda! Achei que seria como a Cecília, amada e idolatrada por todos, mas em vez disso, sou massacrada na internet e perseguida na vida real!
— Não entendo por que todo mundo é tão tolerante com a Cecília e tão cruel comigo! Esse meio artístico é um lixo. Eu vou desistir, que outra pessoa ocupe esse lugar... seria melhor até trazerem a Cecília de volta!
Nesse momento, uma voz feminina suave interveio. Era Helena:
— Bia, não tome decisões precipitadas. Você e o Gustavo não se amam? Use o seu charme, peça para ele usar a influência dele para te ajudar a superar essa crise.
Para surpresa de quem ouvia atrás da porta, Beatriz elevou o tom de voz, irritada:
— Quem disse que eu gosto do Gustavo Gouveia? Eu não sinto nada por ele! Se não fosse pelo fato da Cecília ser apaixonada por ele, eu nunca teria me dado ao trabalho de seduzi-lo! Mãe, eu só não suporto ver a Cecília tendo tudo. Se ela tem algo, eu tenho que tomar dela!