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《Adeus ao Ritmo da Traição》Capítulo 6

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Capítulo 6

Cecília olhou para as três mãos entrelaçadas e, de repente, as palavras lhe faltaram. Ela cerrou os punhos, fingindo uma calma que não sentia.

— Meus parabéns. Finalmente vocês três podem viver como a família perfeita que sempre desejaram.

Ao ver o rosto pálido de Cecília, Helena sentiu um lampejo de hesitação.

— Cecília, não fale assim. Por acaso você não quer que eu e seu pai voltemos? Não quer que nós quatro vivamos bem daqui para frente?

Ao ouvir aquilo, Cecília não pôde evitar um riso amargo.

— Dona Helena, Seu Ricardo... vocês realmente querem viver comigo?

Ricardo e Helena mergulharam em um silêncio instantâneo. Cecília já esperava por isso e caminhou decidida até ficar de frente para Helena.

— Parem com o teatro. Eu sei exatamente o que vocês pensam. Me deem dois bilhões e eu sumirei para bem longe. Não vou atrapalhar esse amor profundo entre vocês e a Beatriz.

Helena franziu a testa, indignada.

— Dois bilhões? De onde eu tiraria tanto dinheiro? E além do mais, para que você quer tudo isso?

Cecília sorriu com desprezo.

— O que vou fazer não é da sua conta. Se em três dias eu não vir esse dinheiro na minha conta, eu tornarei público que a Beatriz se meteu entre mim e o Gustavo, agindo como uma amante.

O rosto de Beatriz empalideceu e ela olhou horrorizada para Helena.

— Mamãe...

Helena deu tapinhas confortadores nas mãos de Beatriz e, ao encarar Cecília, seu rosto tornou-se gélido.

— O dinheiro é mais importante para você do que sua própria irmã? Eu realmente te mimei demais todos esses anos. Você quer dinheiro? Ótimo! Eu te dou agora mesmo, mas entenda: assim que receber, você não terá mais nada a ver com a nossa família!

Em seguida, ela pegou o celular e enviou uma mensagem para seu assistente executivo. Pouco depois, o celular de Cecília vibrou com uma notificação bancária:

"Depósito de R$ 2.000.000.000,00 recebido em 10 de dezembro."

Ao ver a mensagem, Cecília ficou atônita por um instante. Helena realmente amava Beatriz; por ela, não hesitou em desembolsar dois bilhões de reais sem sequer piscar. Cecília guardou o celular e lançou um último olhar para os três.

— Dona Helena, Seu Ricardo, Beatriz... desejo a vocês uma vida cheia de felicidade.

Dito isso, ela deu as costas e saiu. Na porta da sala, Samuel estava parado, ereto como sempre, mas desta vez não seguiu Cecília como costumava fazer. Cecília parou e olhou para ele:

— Você não vem?

Helena saiu da sala e respondeu por ele:

— A Bia acabou de entrar no meio artístico. Decidi que o Samuel será o guarda-costas pessoal dela agora.

Cecília ignorou a mãe e olhou fixamente para Samuel, perguntando com serenidade:

— Você quer isso? Se não quiser, venha comigo. Eu mesma passarei a pagar o seu salário.

No rosto sempre impassível de Samuel, surgiu um traço de culpa. No entanto, seu olhar acabou se fixando em Beatriz, dentro da sala, e lá permaneceu. Ele abaixou levemente a cabeça, com a voz carregada de remorso:

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— Sinto muito, senhorita. Eu mesmo desejo proteger a segunda senhorita. Aceito as ordens da Dona Helena.

Nesse momento, Cecília sentiu vontade de rir e chorar ao mesmo tempo.

— Então você também se apaixonou por ela?

Samuel permaneceu em silêncio, sem coragem de encarar os olhos de Cecília. Beatriz, saindo da sala, assumiu um ar inocente:

— Mamãe, deixe o Samuel proteger a minha irmã. Eu não quero tirar mais nada dela, tenho medo de que ela me odeie ainda mais.

— Chega. Pare com esse teatro de bons sentimentos e essas falas sonsas — Cecília a interrompeu sem piedade. Ela voltou a olhar para Samuel, e seus olhos não tinham mais nenhum calor. — Traição não tem volta, Samuel. Eu nunca mais vou querer você ao meu lado. Jamais.

Samuel estacou, chocado. Mas, enquanto observava a silhueta de Cecília se afastar, ele não deu um único passo para segui-la.

Ao sair do Hotel Peninsula e ver o fluxo constante de pessoas na rua, Cecília percebeu algo. Aceitar que seus pais não a amavam, que seu parceiro não a amava e que seus amigos não a amavam... não parecia tão difícil assim.

Nesse momento, o celular vibrou. Era Júlia Martins, a empresária.

— Cecília, você decidiu mesmo passar todos os seus contratos publicitários para a Beatriz?

— Sim — respondeu Cecília baixinho. — Tudo o que ainda resta de recursos em meu nome, dê tudo para ela. Eu não quero mais nada.

Júlia suspirou com pesar:

— Na verdade, esses contratos só têm valor porque são seus. É uma pena...

Cecília não se importou. Ela pegou algumas moedas e subiu em um ônibus circular que percorria a cidade.

— Júlia, quero te pedir um último favor. Recebi ofertas da Eastman, Juilliard e Curtis. Decidi ir para a Curtis, na Filadélfia. Por favor, ajude-me com os trâmites do visto e da residência permanente.

— Tudo bem. Em três dias deixo tudo pronto para você.

— Obrigada — agradeceu Cecília sinceramente.

— Não precisa. Afinal, fomos colegas por muito tempo. Você foi a artista que menos me deu trabalho. Espero que consiga o que deseja.

Ao desligar o telefone, Cecília olhou para a mensagem dos dois bilhões e soltou um longo suspiro de alívio.

De agora em diante, ela finalmente nunca mais precisaria desejar nada para os outros. Poderia viver apenas para si mesma.

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