Quando Heitor chegou apressadamente ao hospital, a cirurgia já havia terminado. Ao ver as luzes do centro cirúrgico apagadas, sentiu um pânico avassalador e começou a perguntar freneticamente a cada médico e enfermeira que passava: — Onde está a Aurora? A pessoa que estava lá dentro... para onde foi? Aurora...
De repente, alguém o segurou para ampará-lo. Heitor virou-se, mas em seu mundo tingido de um vermelho turvo, via apenas um vulto, sem distinguir quem era.
— Onde está a Aurora? A cirurgia... como foi?
Lucas respondeu: — A cirurgia da Aurora foi um sucesso. A anestesia ainda não passou, ela está dormindo.
Ele examinou os ferimentos de Heitor e fez um sinal para os médicos e enfermeiras próximos. Ao ouvir que Aurora estava bem, Heitor finalmente relaxou; subitamente, sua visão escureceu e ele desmaiou.
No quarto do hospital.
Quando Aurora acordou, já era noite. O médico disse que a cirurgia fora bem-sucedida e o tumor fora removido.
No entanto, ela ainda não se lembrava do passado; sua mente continuava em branco.
Aurora olhou para as pessoas no quarto e perguntou a Lucas: — Onde está meu tio?
Lucas silenciou por um momento antes de responder: — Ele teve um imprevisto e precisou voltar para o país às pressas.
— Tanta pressa assim? Nem teve tempo de me ver uma única vez. — Aurora sentiu uma ponta de mágoa. — Ele disse que eu o veria assim que acordasse, que estaria comigo, mas a cirurgia acabou bem e ele não está aqui.
Lucas sorriu e a consolou: — Ele virá te ver assim que terminar o que precisa fazer.
Em outro quarto do mesmo hospital, Heitor ouvia a voz de Aurora pelo telefone, e as lágrimas fluíram incontrolavelmente.
— Sr. Heitor — chamou o secretário em voz baixa. Ele observava as lágrimas de Heitor, originalmente claras, transformarem-se em sangue, escorrendo pelo rosto e manchando o lençol branco da cama.
Heitor franziu a testa bruscamente, soltando um gemido sufocado e começando a arquejar de dor. Seus globos oculares haviam sofrido rupturas devido ao espancamento; o sal das lágrimas era como jogar sal em feridas abertas. O secretário olhou para as cicatrizes profundas causadas pelos estilhaços de vidro no rosto de Heitor; provavelmente deixariam marcas permanentes.
E as pernas de Heitor... Lembrando-se do que o médico dissera, os nervos abaixo da cintura sofreram um impacto severo.
O fato de ele ter conseguido voltar ao hospital naquele dia fora apenas um último esforço desesperado de sua vontade; dificilmente ele voltaria a andar.
O secretário suspirou e apertou o botão de chamada para que o médico viesse examiná-lo.
Após recuperar a saúde, Aurora cumpriu a promessa feita ao Dr. Marcus e obteve residência permanente na Alemanha.
Lucas encontrou uma casa para ela, uma pequena vila independente. Embora Heitor nunca tivesse ido visitá-la, eles se falavam ocasionalmente por telefone.
O tempo passou rápido, e Aurora e Lucas começaram a namorar.
No segundo ano, no início de dezembro, decidiram se casar, e Aurora ligou para Heitor.
— Tio, eu vou me casar no dia 28 de dezembro. Você tem tempo de vir?
Heitor engoliu em seco várias vezes e disse com dificuldade: — Sinto muito, Aurora. As coisas aqui no país estão muito corridas, talvez eu não consiga ir.
— Tudo bem, tio. Cuide da sua saúde.
Ao desligar, Heitor olhou para o reflexo na tela do celular: metade do seu rosto estava desfigurado e a parte inferior do seu corpo estava praticamente paralisada. Ele arremessou o aparelho com força.
As pessoas que o atacaram na montanha naquele dia haviam sido capturadas pela polícia, incluindo a mandante, Stefany.
Ela os contratara para tirar a vida dele. Mas, ao pensar que aquele talvez fosse o preço pela segurança de Aurora, Heitor acalmou-se.
Contanto que ela vivesse feliz e segura, qualquer sacrifício valia a pena.
Apenas uma tristeza profunda brotou em seu peito:
sua Aurora ia se casar com outro.
28 de dezembro.
O dia do casamento de Aurora. A cerimônia ocorreu em uma igreja em Berlim. O cachorrinho Mimi, carregando a caixa das alianças, correu pomposamente até Aurora e Lucas no altar. O pastor, no centro, recitava os votos com emoção:
— Sr. Lucas, você aceita a Srta. Aurora como sua esposa, para amá-la e ser-lhe fiel, na pobreza e na riqueza, na juventude e na velhice, para viverem juntos até que a morte os separe?
— Eu aceito.
Conforme a voz de Lucas ecoava, a neve começou a cair em Berlim. Flocos de neve como plumas caíam suave e lentamente através dos vitrais da igreja, trazendo bençãos aos noivos.
— Que neve romântica — comentou o pastor. — Sr. Lucas, agora pode beijar a noiva.
Os convidados vibraram. No fundo da igreja, Heitor estava sentado em uma cadeira de rodas, observando a noiva no altar com um olhar repleto de amor. Ele vestia um terno de gala; se não fosse pelo noivo beijando a noiva no altar, alguém poderia confundi-lo com o protagonista daquele casamento.
"Trim —"
O celular na mão de Heitor vibrou. Ele abriu: era uma foto. Uma foto do casamento de Aurora e Lucas. Com os olhos marejados, observando o sorriso feliz de Aurora, Heitor esboçou um sorriso amargo: — Seu tio disse que estaria sempre com você.
— Feliz casamento, Aurora.
Pelo resto de sua vida, ele estaria sozinho...
— FIM —