Assim que Heitor desligou o telefone, chegou uma mensagem de Marcus.
【O Dr. Aries, responsável pela cirurgia da Aurora, assumirá formalmente o caso a partir de amanhã.】
Após ler, Heitor ligou para o secretário: — Como está a situação com os médicos?
— Sr. Heitor, todos os especialistas já foram acomodados e permanecerão em Berlim até que a cirurgia seja concluída.
Heitor digitou uma resposta para Marcus: 【Entendido. Também trarei alguns médicos da minha parte para acompanhar o caso.】
Heitor voltou para o lado de Aurora, afagou a cabeça dela e disse: — Aurora, a partir de amanhã você precisará ir ao hospital com frequência para exames. Haverá muitos médicos, mas não tenha medo; seu tio estará sempre com você.
Ele engoliu em seco e pronunciou a frase que menos desejava ouvir: — Mesmo que ocorra algum imprevisto, eu estarei ao seu lado. Do céu ao inferno, estaremos juntos.
Aurora assentiu.
Na manhã seguinte, ela e Heitor foram ao hospital. Dentro da sala, cerca de oito ou nove médicos de diferentes nacionalidades estudavam e discutiam as imagens do cérebro de Aurora. Ao vê-los entrar, o Dr. Marcus aproximou-se acompanhado de um médico alemão de cabelos brancos: — Este é o cirurgião, Dr. Aries.
— Olá, Dr. Aries.
Aries assentiu e começou a falar em um alemão fluente, enquanto Marcus traduzia simultaneamente: — A partir de agora, ele explicará detalhadamente o processo cirúrgico...
Durante todo o tempo, Heitor ouviu com atenção redobrada, conversando e tirando dúvidas com Aries ocasionalmente. Após a reunião, Aurora realizou vários exames no hospital. Somente às três da tarde retornaram à pousada.
Heitor via o tempo passar minuto a minuto. Conforme Aurora se aproximava da data da cirurgia, ele sentia como se visse uma flor amada murchando pouco a pouco, até ser enterrada no solo. Nesses dois dias, Heitor visitou muitos templos, um após o outro. Ele, que antes era cem por cento materialista e profundo conhecedor do pensamento marxista, acreditava na ciência e repudiava qualquer misticismo.
No entanto, por Aurora, Heitor estava disposto a deixar suas convicções de lado, apenas para pedir um futuro a ela. Ele ajoelhou-se piedosamente diante das estátuas sagradas, proferindo seus desejos em silêncio.
Que a cirurgia de Aurora seja um sucesso e que ela receba alta com saúde.
Que Aurora recupere a memória e se lembre de mim.
Que...
Heitor conteve-se e não continuou a pedir, temendo que os céus o achassem ganancioso e anulassem os dois primeiros desejos. Ele só queria que Aurora estivesse bem e segura. Contanto que ela vivesse com saúde, não importava se o esquecesse; apenas estando viva haveria esperança infinita. Quanto ao preço, Heitor estava disposto a trocar o patrimônio da família Huo e o restante de sua própria vida por isso.
Que o destino permitisse.
Heitor curvou-se e bateu a cabeça contra o chão três vezes, produzindo um som nítido. Concluído o rito, ele se levantou. Curvou-se educadamente aos monges presentes e partiu em direção ao próximo templo.
No pátio do templo, um jovem monge observou Heitor se afastar e disse ao mestre ao seu lado: — Mestre, esse homem tem vindo quase todos os dias ultimamente.
O velho monge juntou as mãos em oração e murmurou "Amituofo", dizendo calmamente: — Ele não visitou apenas o nosso templo. Você viu quando ele deixou a oferta? Ele carrega no pulso cordões de oração de outros templos.
O jovem monge soltou um "ah" de surpresa e comentou: — Então ele deve estar enfrentando um grande problema.
O velho monge suspirou ao olhar para as costas dele ao longe: — Dívidas de amor são as mais difíceis de pagar. O que é o amor, que faz as pessoas prometerem a vida e a morte? Mas... que sofrimento, que sofrimento...