— Aurora, lembrou-se de algo hoje?
Aurora acariciou a cabeça de Mimi e balançou negativamente.
Vários dias se passaram e ela não recuperou as memórias perdidas, como o Dr. Marcus havia sugerido que poderia acontecer.
Heitor vinha vê-la todos os dias, fazendo-lhe companhia e contando histórias do passado.
No entanto, Aurora frequentemente via em seus olhos sentimentos que não conseguia decifrar.
— Tio, deve ter sido muito difícil para o senhor cuidar de mim sozinho quando eu era pequena, não é?
Heitor balançou a cabeça: — Ver você crescer dia após dia me trazia muita felicidade e um senso de realização.
— O senhor nunca pensou em ter uma namorada? — Aurora olhou para ele com curiosidade. — Alguém tão gentil como o senhor deve ser admirado por muitas mulheres.
Aurora sentia que Heitor permanecera solteiro por causa do fardo que ela representava. Mas agora que era adulta, ele deveria ter sua própria vida.
Heitor olhou para ela por um longo tempo em silêncio, engoliu em seco e perguntou: — E a Aurora, gosta do tio?
Ela assentiu: — Gosto, claro. O senhor é meu único parente.
— O tio também ama a Aurora. — Os olhos de Heitor ficaram avermelhados enquanto ele afagava a cabeça dela. — Eu estarei sempre ao seu lado.
Aurora piscou: — Mas o senhor acabará se casando e tendo filhos, e eu também um dia vou me casar. Não tem como o senhor estar sempre comigo.
A voz de Heitor soou embargada, quase como um sussurro para si mesmo: — Eu estarei... eu darei um jeito.
De repente, o celular vibrou com uma chamada. Heitor sorriu e disse a Aurora: — Vou atender o telefone. Continue brincando com o Mimi, eu volto logo.
O desmantelamento da família Shen acabou afetando também algumas propriedades do Grupo Huo, e embora os responsáveis tenham agido com extrema discrição, era inevitável que o Velho Sr. Huo, com anos de experiência no mercado, descobrisse. Ele logo ligou para Heitor.
— Heitor, foi você quem fez aquilo com a família Shen? — A voz do Velho Sr. Huo transbordava incredulidade. — Você sabe que temos relações comerciais com eles! O que diabos você está tentando fazer?
Heitor observava Aurora brincar com Mimi à distância, com um sorriso que não saía de seus lábios.
Ele respondeu em tom calmo: — Quero que a família Shen declare falência e saia do mercado. Quero que a Stefany receba a punição que merece.
— Por que? Por causa daquela sua sobrinha adotiva sem nenhum laço de sangue?
— Sim, por ela. — Heitor admitiu. — O que foi exposto na internet anteriormente foi obra da Stefany.
O Velho Sr. Huo soltou um riso carregado de raiva e desdém: — Louco. Você enlouqueceu de vez.
— Heitor, por causa de uma futilidade dessas, você está disposto a afundar o Grupo Huo junto! Você é um filho ingrato!
— Pai — Heitor chamou friamente, proferindo cada palavra sem emoção.
— Espero que o senhor não interfira. Se pararmos para pensar, o casamento com a família Shen foi articulado inteiramente pelo senhor.
— Que maravilha, agora quer cobrar a conta do próprio pai? Você perdeu o juízo!
— A fúria do Velho Sr. Huo veio acompanhada de tosses e batidas fortes da bengala contra o chão.
— Heitor, para mim, o que acontece é que sua sobrinha não sente nada por você, e você está descontando sua frustração criando esse caos!
Heitor olhou para Aurora, engoliu em seco e respondeu sem recuar:
— Pai, cuide da sua saúde. Se eu e a Aurora nos casarmos, o senhor, como autoridade da família, precisará estar presente.