Após a refeição, eles voltaram de carro para a pousada.
Heitor não retornou imediatamente, mas levou Aurora a um supermercado chinês próximo para comprar lanches.
— Lembro que você gostava muito destas batatas chips quando era pequena, e destas também... — dizia Heitor enquanto empurrava o carrinho de compras e colocava os itens dentro.
Aurora olhou para Heitor ao seu lado; parecia que fazia muito tempo que o tio não a acompanhava ao supermercado daquela forma.
Com a expansão contínua do Grupo Huo, Heitor tornara-se cada vez mais ocupado.
Em sua memória, parecia que, após os dezoito anos, cenas calorosas como aquela não haviam mais ocorrido.
— Sss...
Heitor parou subitamente, com o corpo paralisado e as sobrancelhas franzidas de dor.
— O que foi, tio?
— Nada. — Heitor balançou a cabeça e recuperou a compostura, como se nada tivesse acontecido.
O olhar de Aurora pousou nas costas de Heitor: — Tio, tem certeza de que não há problema em ter recebido alta tão rápido com esse ferimento? Ela lembrava que ele havia perdido muito sangue e que havia um corte profundo em suas costas.
— Está tudo bem, só preciso trocar o curativo pontualmente. — Heitor pegou mais algumas caixas de chocolate da prateleira.
Aurora assentiu e perguntou: — Tio, quando você volta para o país?
Heitor parou o que estava fazendo e olhou para Aurora: — Aurora, eu não vou voltar. Vou ficar aqui com você para a cirurgia.
Aurora olhou para ele, confusa: — Mas o vovô Huo não disse que você deveria voltar logo para se casar? As ordens do Velho Sr. Huo sempre foram inquestionáveis para a família Huo, mesmo para Heitor, que já era adulto.
Aurora pensou um pouco e disse: — Tio, na verdade, você não precisa me acompanhar...
Heitor olhou fixamente para Aurora por um momento, estendeu a mão para ajeitar uma mecha de cabelo atrás da orelha dela e disse solenemente: — Aurora, eu não vou me casar. Ele engoliu em seco e acrescentou: — Eu não vou me casar com a Stefany.
O olhar de Heitor fixou-se em Aurora por um longo tempo.
Aurora não conseguia decifrar as emoções naqueles olhos, mas sentia que eram como uma corrente oceânica vindo em sua direção sem que ela percebesse.
— Tio? — chamou Aurora.
Heitor respirou fundo e perguntou pausadamente: — Aurora, o que você sente pelo seu tio agora...
"Vrr-vrr".
O som da vibração do celular interrompeu a fala de Heitor. Aurora viu acidentalmente no visor uma sequência de números sem nome de contato; provavelmente era o Velho Sr. Huo.
— Tio, vou buscar leite de morango ali adiante.
Percebendo que sua presença ali era inconveniente, Aurora avisou Heitor e seguiu para a seção de refrigerados. A área de laticínios do supermercado era um pouco distante e exigia passar por várias prateleiras. No meio do caminho, a visão de Aurora subitamente ficou branca por um breve instante.
Ela parou, olhando para as prateleiras repletas de mercadorias ao seu redor, mas esqueceu o que viera fazer ali. Aurora lembrava-se de ter vindo ao supermercado com Heitor, então provavelmente deveria comprar algo... Ela olhou para as prateleiras próximas e pegou alguns pacotes de biscoitos, indo então procurar por Heitor.
Felizmente, a altura e a presença de Heitor eram fáceis de identificar no supermercado. Aurora caminhou até ele, que a esperava com o carrinho cheio de lanches.
Heitor olhou para o que Aurora trazia nas mãos: — Aurora, você não ia comprar leite de morango? Por que não trouxe?
Leite de morango... Aurora repetiu mentalmente; então ela tinha ido ali para comprar leite de morango. Ela só pôde contar uma pequena mentira: — Não encontrei, estava esgotado na loja.