No consultório médico.
Marcus explicou a Aurora o conteúdo do relatório de exames: — Os resultados mostram que você realmente tomou todo o frasco de remédio sozinha. A frequência do uso da medicação foi muito alta nestes últimos dois dias, e o impacto dos efeitos colaterais em seu corpo é evidente.
Efeitos colaterais... impacto...
Esse tipo de confusão com a medicação já havia acontecido antes, mas nunca de forma tão grave. Aurora suspeitava que sua condição estivesse piorando.
— Dr. Marcus — Aurora apertou a barra da blusa com nervosismo e perguntou com a voz instável: — A cirurgia... ainda pode ser realizada normalmente?
Marcus pegou outro conjunto de dados e assentiu: — Por enquanto, seus dados corporais ainda estão dentro do limite permitido para a cirurgia, mas se houver outra overdose, será difícil dizer.
Ao ouvir que não havia problemas com a cirurgia, Aurora finalmente relaxou as mãos.
Marcus, com expressão preocupada, enfatizou novamente: — Aurora, faltam cinco dias para a cirurgia. Durante este período, você deve manter a dosagem normal da medicação. Se estiver preocupada que isso aconteça de novo, pode suspender temporariamente o uso do remédio.
Suspender a medicação... ela temia que a doença progredisse ainda mais rápido. Era muito provável que Aurora esquecesse tudo de uma só vez...
Marcus fez uma pausa e acrescentou: — Se decidir parar com o remédio, o ideal seria ter alguém "vinculado" a você todos os dias, para monitorar seu estado constantemente.
Alguém vinculado...
Até sair do hospital, Aurora continuava pensando nisso.
— Aurora.
Heitor, que estivera em silêncio durante todo o trajeto, finalmente falou: — O que o médico disse?
— Nada, está tudo normal — Aurora sorriu, recompondo-se.
Ao olhar para a paisagem urbana pela janela, ela percebeu que a rota que Heitor seguia parecia desconhecida: — Tio, não estamos voltando para... a pousada? Este caminho não é o...?
A mão de Aurora agarrou o cinto de segurança por instinto, e um rastro de pânico surgiu em seu coração, como se temesse que Heitor fosse abandoná-la.
— Vamos comer.
Heitor olhou para Aurora e, ao vê-la encolhida no assento com uma expressão tensa, sua voz falhou por um instante: — Aurora... o que... aconteceu?
Aurora não sabia como explicar o que estava sentindo e apenas balançou a cabeça, dizendo que não era nada.
Heitor desviou o olhar, engoliu em seco e apertou o volante com força: — Aurora, seu tio estará sempre com você, não vou te deixar.
As palavras de Heitor a tranquilizaram um pouco, e seu corpo relaxou. Mas Aurora sabia muito bem que esse "sempre" não existiria.
Heitor ainda teria que voltar para se casar, e ela teria a cirurgia; eles acabariam se separando.
O celular de Heitor vibrou; era uma mensagem de Marcus. Ele havia solicitado ao médico o relatório dos exames de Aurora daquele dia.
Ao chegar ao restaurante, Heitor abriu a mensagem imediatamente. O relatório mostrava que os dados físicos de Aurora estavam todos dentro da normalidade. Heitor não conseguiu identificar nada de errado e digitou uma pergunta:
"Por qual motivo Aurora foi ao hospital para exames hoje?"
Momentos depois, chegou uma nova mensagem:
"Uso excessivo de medicação. Um dos sintomas causados pelo câncer cerebral é a perda de memória; Aurora esqueceu que já havia tomado o remédio e repetiu a dose várias vezes. Ela veio verificar se os efeitos colaterais da overdose afetariam a cirurgia."
Heitor olhou para o texto na tela e perguntou: "A cirurgia pode continuar?"
"No momento, a condição física de Aurora permite o procedimento; não afetará a cirurgia."
Heitor franziu a testa e digitou rapidamente: "Você é médico, e também concorda que Aurora realize uma cirurgia de risco tão alto?"
"Sr. Heitor, eu entendo seu sentimento, mas o tratamento conservador não é a melhor escolha para Aurora."
Heitor bloqueou o celular com irritação; ninguém entendia o que ele sentia. Aurora era extremamente importante para ele.