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No dia em que a notícia chegou aos tópicos mais comentados, meu celular explodiu. Eram todos os tipos de números desconhecidos: jornalistas, blogueiros de mídia independente e pessoas que se diziam "advogados de direitos humanos" querendo assumir meu caso. Alguns números ligavam, não diziam nada, tocavam duas vezes e desligavam. As legendas flutuantes me avisaram que eram os homens de Bernardo confirmando se meu número ainda estava ativo. Não atendi nenhum. Conforme as instruções do Sr. Fang, toda a comunicação externa seria centralizada por ele.
Às oito da noite, o Sr. Fang enviou uma mensagem: "A equipe jurídica de Bernardo entrou em contato. Eles querem um acordo extrajudicial".
"Condições?"
"Trinta milhões. Em troca, você retira o processo, assina um acordo de confidencialidade e nunca mais menciona Bernardo ou o Grupo Zhou publicamente".
Trinta milhões. Somados aos dez milhões iniciais, seriam quarenta milhões. O suficiente para eu viver oito vidas nesta cidadezinha.
Uma legenda flutuou: 【Se Jade aceitar o acordo, o assunto termina aqui. Ela poderá viver o resto da vida com tranquilidade e segurança financeira. Porém, Bernardo não sofrerá perdas, Alessandra ficará noiva dele assim que a poeira baixar, e Gustavo encontrará outra oportunidade para causar problemas. A história de Jade acabaria assim】.
Fiquei encarando aquela legenda por um longo tempo.
"Não é o bastante", respondi ao Sr. Fang.
"Quanto você quer?"
"Não é uma questão de dinheiro", pensei em como expressar isso, "Sr. Fang, eu quero que ele se desculpe".
"Se desculpar?"
"Um pedido de desculpas público. Que ele admita que houve fraude no casamento e peça perdão a mim pessoalmente".
O Sr. Fang ficou em silêncio por dez segundos. "Você sabe que ele nunca aceitaria essa condição".
"Eu sei. Por isso recuso o acordo".
"Jade..."
"Sr. Fang, trinta milhões para me calar... ele acha que minha voz vale trinta milhões. Mas minha boca não está à venda".
Do outro lado da linha, o Sr. Fang suspirou. "Certo. Vou responder a eles".
Após a notícia da recusa do acordo ser divulgada, a opinião pública começou a se dividir. Uma parte me apoiava: "Que firmeza! Essa sim é uma mulher de fibra!" Outra parte começou a me atacar: "Nem trinta milhões ela quer? Com certeza quer extorquir mais", "Interesseira, está apenas fazendo cena", "Uma enfermeira de cidade pequena casa com um herdeiro rico... claro que era por dinheiro. Agora que terminou, quer causar confusão. Que coisa feia".
Olhei para aqueles comentários e coloquei o celular virado para baixo na mesa. Não doía. Trabalhando quatro anos no pronto-socorro, eu já tinha ouvido coisas muito piores que aquilo.
O que realmente me chamou a atenção foi outra legenda. 【Alessandra, ao ver a notícia, ligou para Bernardo. Ela disse apenas uma frase: "Resolva isso de forma limpa". E desligou】.
Resolver de forma limpa. Eu era a "coisa" que precisava ser resolvida.
Na tarde seguinte, enquanto eu trabalhava no hospital, um homem de terno preto entrou no saguão da emergência. Ele não parecia um paciente. Foi direto ao balcão de triagem e entregou um cartão de visitas para a enfermeira da recepção.
"Por favor, a Jade está?"
Eu saí da área interna. Ele me olhou com uma expressão educada, mas gélida.
"Sra. Jade, sou Bruno Ferreira, advogado representante do Sr. Bernardo. Gostaria de conversar com a senhora sobre o acordo".
"Meu representante legal é o Sr. Fang. Por favor, entre em contato com ele".
"Já conversei com o Sr. Fang. No entanto, o Sr. Bernardo gostaria que pudéssemos falar pessoalmente".
Legenda: 【Bruno Ferreira é um dos cinco melhores advogados de litígios da capital, com um salário anual de oito milhões. Ele não veio para o acordo, veio para avaliar as fraquezas de Jade. Ele buscará na conversa qualquer brecha que possa usar, como instabilidade emocional, ganância ou se ela ainda tem sentimentos por Bernardo】.
Olhei para Bruno Ferreira. "Não é conveniente durante meu horário de trabalho. Podemos conversar depois do expediente, mas meu advogado deve estar presente".
"Com certeza".
Às seis da tarde, em uma sala privativa de uma casa de chá da cidade. O Sr. Fang sentou-se à minha esquerda e Bruno Ferreira à nossa frente. Bruno abriu sua pasta e retirou uma pilha de documentos.
"Sra. Jade, serei direto. O Sr. Bernardo está sendo muito generoso e o valor do acordo pode ser renegociado. Porém, há uma premissa: você retira o processo, assina o acordo de confidencialidade e não discute mais este assunto publicamente".
"Qual é o valor?" perguntou o Sr. Fang.
"Cinquenta milhões".
Cinquenta milhões. O pomo de Adão do Sr. Fang oscilou. Minha expressão não mudou.
"Sr. Bruno", comecei, "eu já disse ao Sr. Fang que minha condição não é dinheiro".
"E qual seria a sua condição?"
"Um pedido de desculpas público de Bernardo".
Bruno Ferreira olhou para mim, com os lábios comprimidos levemente. "Sra. Jade, a senhora tem noção de que o que está pedindo vale muito mais do que cinquenta milhões?"
"Eu sei. Mas essa é a minha condição".
"Um pedido de desculpas público afetaria as ações do Grupo Zhou e causaria danos irreversíveis à reputação comercial do Sr. Bernardo..."
"Isso é problema dele", eu o interrompi, "Ele me enganou por dois anos, me fazendo acreditar que eu estava casada com um dono de loja de frango frito. Durante esses dois anos, economizei e fiz turnos extras exaustivos só para juntar dinheiro para ele trocar aquela moto elétrica velha por uma melhor. No fim, ele é o tipo de homem que anda de helicóptero". Bruno Ferreira permaneceu calado.
"Sr. Bruno, cinquenta milhões é o preço que ele quer pagar pelo meu silêncio. Mas o que ele me deve não é dinheiro, são dois anos de sinceridade. Que preço o senhor daria para isso?"
A sala ficou em silêncio por alguns segundos. Bruno Ferreira guardou os documentos na pasta.
"Vou transmitir sua posição ao Sr. Bernardo. Mas, pessoalmente, aconselho a senhora a reconsiderar; as coisas no tribunal nem sempre seguem a vontade das partes".
"Obrigada pelo conselho".
Ele saiu. O Sr. Fang olhou para mim, parecendo querer dizer algo.
"Pode falar o que quiser".
"Cinquenta milhões", ele tirou os óculos e os limpou, "Jade, cinquenta milhões".
"Eu sei".
"Seu salário mensal é de três mil e oitocentos".
"Eu sei".
"Você realmente não vai considerar?"
Olhei pela janela. A casa de chá ficava no segundo andar, de onde se via os pedestres na rua. Era o horário de pico da saída do trabalho, com pessoas em bicicletas elétricas, caminhando, correndo para o ônibus. Eram pessoas comuns. Pessoas como eu.
"Sr. Fang, o senhor já deu pontos em uma ferida?"
"O quê?"
"Ao dar pontos, o mais importante não é a técnica da sutura, é o alinhamento. As bordas da ferida precisam estar alinhadas para que ela cicatrize bem. Se não houver alinhamento, por fora parece curado, mas por dentro continua ferido". Me virei para olhá-lo. "Ele me deve um pedido de desculpas. Sem alinhar esse corte, eu nunca ficarei bem pelo resto da vida".
O Sr. Fang suspirou e colocou os óculos de volta. "Certo. Você é minha cliente. Se você quer lutar, nós lutaremos".