《O Bilhão que me Deixou: A Vingança da Ex-Esposa Humilde》Capítulo 10

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Final de julho. Zhou Ting-shan morreu. Vi a notícia nos jornais.

"O renomado empresário Zhou Ting-shan faleceu devido a uma doença, aos sessenta e três anos. O Grupo Zhou emitiu um obituário afirmando que o grupo passará por uma transição estável sob a orientação do conselho de administração...".

Transição estável. As legendas me diziam que não era nada disso.

【O testamento de Zhou Ting-shan foi revelado no dia do funeral. Ele deixou 60% das ações do grupo para Bernardo, 20% para Gustavo e 20% para uma fundação de caridade. Gustavo perdeu as estribeiras na hora.】

60% para Bernardo. Um filho primogênito que nem era biológico e que ele mesmo havia expulsado de casa.

Eu não entendia muito bem a lógica dos ricos, mas as legendas traziam a explicação.

【Embora Zhou Ting-shan não fosse o pai biológico de Bernardo, ele o criou por vinte e cinco anos. De todos os filhos, Bernardo era o mais parecido com ele: calmo, resiliente e capaz de agir com frieza. Gustavo era impulsivo demais, e Zhou Ting-shan não se sentia seguro em deixar os negócios da família com ele.】

Por isso, ele escolheu o filho que era "como ele mesmo".

O sangue não importava; a competência era o que valia. Era a mesma lógica que Bernardo usou ao me escolher.

Desliguei as notícias e continuei trabalhando. Mas a paz da cidadezinha não duraria muito.

Cinco dias após a morte de Zhou Ting-shan, Gustavo veio me procurar. Ele estava com uma aparência péssima, com olheiras profundas e visíveis.

Não parecia em nada com aquele homem sorridente e calmo de antes.

Ele parou na entrada do quintal da minha casa e disse apressado:

"Aquele depoimento, você já se decidiu?".

Eu me encostei no batente da porta: "O que aconteceu?".

"Meu pai deixou a empresa para o Bernardo".

"Ah?" Fingi surpresa.

"Sessenta por cento. Ele ficou com sessenta por cento."

A voz de Gustavo transbordava uma fúria incontrolável.

"Eu sou o filho biológico, e ele me deu vinte por cento. Vinte por cento!".

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

"Então, você precisa ainda mais do meu depoimento agora?".

Ele respirou fundo, tentando se acalmar à força.

"Jade, escute-me. Se você assinar, provando que houve fraude por parte de Bernardo durante o casamento — que ele escondeu a identidade, abandonou a esposa e desviou bens — eu poderei contestar a legalidade daquele testamento no tribunal".

"Baseado em quê?".

"No fato de que ele não é um herdeiro idôneo. Se ele foi capaz de arquitetar uma farsa até no próprio casamento, que moral ele tem para herdar o império comercial de Zhou Ting-shan?".

Legenda:

【Essa lógica não se sustenta juridicamente. Fraude matrimonial e direito sucessório são coisas distintas. Mas Gustavo não busca uma vitória legal, e sim uma vitória na opinião pública; ele quer destruir a reputação de Bernardo. E o depoimento de Jade é a melhor arma para isso.】

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"Se eu assinar," eu disse lentamente, "o que acontece comigo?".

"Eu vou te proteger".

"Como?".

"Dinheiro, identidade, segurança. Te dou o que você quiser".

Olhei para ele. Seus olhos eram iguais aos de Bernardo, mas muito mais ansiosos e sem paciência.

"Deixe-me pensar por mais um dia".

"Um dia."

Ele assentiu.

"No máximo um dia".

Ele se foi. Caminhava com passos pesados, fazendo as pedrinhas do quintal voarem para todo lado.

Fechei a porta e fiquei encostada na parede por um tempo. Então, peguei o celular e mandei uma mensagem para Samuel.

Sem resposta. Mandei outra, e ainda nada. Liguei, mas o celular estava desligado.

Meu coração afundou. Uma legenda flutuou:

【Samuel foi convocado de volta à capital por Bernardo. Ele partiu ontem à noite, sem avisar Jade. Ao saber pela carta que Gustavo havia encontrado Jade, a primeira reação de Bernardo não foi protegê-la, mas sim retirar Samuel de perto; ele não queria que Samuel se aproximasse demais dela e interferisse nos planos futuros.】

Ele levou o Samuel embora. Sem me avisar. Exatamente como quando ele partiu da cidade de Yunhe. Foi embora sem dar uma única palavra de explicação.

Fiquei parada no quintal vazio, olhando para a porta fechada da casa vizinha por um bom tempo.

Então, me agachei, escondi o rosto entre os braços e meus ombros tremeram. Não era medo. Era mágoa. Uma mágoa profunda e real.

Por que tinha que ser assim?

Por que eu era a enganada, a usada e também a abandonada? Eu havia suturado centenas de feridas em quatro anos no pronto-socorro.

Cada ponto era dado com firmeza. Mas esse corte em mim mesma, ninguém ajudaria a fechar.

Fiquei agachada por cinco minutos. Então me levantei, limpei o rosto e entrei para tomar um copo de água. Tudo bem. Se Samuel se foi, que seja. Eu ainda tinha as legendas. Ainda tinha meu cérebro. Ainda tinha dez milhões.

E ainda tinha a minha vida. Isso era o suficiente.

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