《Um Amor Proibido: A Noiva que Esqueceu o Seu Dono》Capítulo 6

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Aurora permaneceu estática, sentindo como se houvesse um buraco em seu peito.

Ela viu Heitor ligar para Stefany e dizer: — Stefany, por favor, encomende um novo par de alianças. Aurora não conseguiu ouvir o restante da conversa.

Sentindo-se humilhada, ela voltou para o quarto, pegou seus remédios e os engoliu às pressas.

Enquanto esperava o efeito do medicamento, encolheu-se na cama, abraçando ansiosamente a urna com as cinzas de seus pais.

— Papai, mamãe, quem dera vocês estivessem aqui comigo...

Não era fácil ser injustiçada, ainda mais quando o autor da acusação era seu único parente vivo.

A mente de Aurora estava em completo caos: ora surgia a imagem de Heitor a questionando e jogando a aliança fora, ora via a si mesma com a memória totalmente degradada, perdida em meio a uma multidão.

Quando finalmente se acalmou, as lágrimas que haviam transbordado já tinham secado em seu rosto.

Restavam apenas três dias; Aurora tentou se consolar pensando que logo partiria. Ela se levantou para arrumar suas coisas e, ao pegar a mala, lembrou-se de que tudo ali fora comprado por Heitor.

Os livros na estante, o urso de pelúcia com o qual dormia, as roupas de alta costura e os vestidos de gala em seu closet — absolutamente tudo vinha dele. Ela não possuía nada que fosse realmente seu.

Em três dias, ela partiria para nunca mais voltar. Deixar aquelas coisas ali provavelmente seria um incômodo para Heitor.

Aurora pensou um pouco e ligou para Felipe. Meia hora depois, ele chegou com uma equipe e começou a retirar, um a um, os objetos do quarto dela.

— Tudo isso deve ter sido presente do Sr. Heitor, não é? Você tem coragem de leiloar tudo para caridade? — perguntou Felipe, com tom de preocupação.

Aurora olhou ao redor. Cada item naquele quarto guardava uma lembrança com o tio. Mas tanto ela quanto ele haviam mudado. Ela estava esquecendo as memórias, e ele já não precisava mais delas.

Aurora umedeceu os lábios ressecados e disse: — Só espero que possa ajudar alguém. Obrigada por me ajudar.

Felipe sorriu: — Tudo será doado para regiões montanhosas carentes, certamente ajudará muita gente. Vou colocar as peças no meu leilão e cobrarei uma comissão, então não precisa agradecer.

O peso emocional de Aurora dissipou-se instantaneamente. Felipe, que estava muito ocupado, conversou mais um pouco e partiu.

Aurora observou seus pertences serem levados; quando o quarto ficou vazio, sentiu seu coração subitamente desocupado, tomado por uma melancolia indescritível.

Mas limpar apenas o quarto não era o suficiente. Se ela fosse Stefany, sentiria um enorme incômodo ao se mudar e ver as coisas antigas ali. Por isso, Aurora precisava continuar a limpeza.

Seu olhar atravessou a janela, pousando no jardim externo. Lá, grandes campos de girassóis alaranjados desabrochavam sob o sol, trazendo uma sensação de calor a quem os visse.

Aurora buscou uma pequena pá no depósito e foi ao jardim. Ela lembrava que aqueles girassóis haviam sido plantados um a um, pessoalmente, pelo seu tio. Na época, ele dissera: — Espero que nossa Aurora seja sempre como um girassol, vivendo voltada para a luz.

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Agora, era a vez dela remover cada uma daquelas flores, como se estivesse removendo o tio de dentro do seu coração. Ela cavou até o anoitecer. Suas mãos estavam cheias de bolhas, mas ela continuava incansável. Foi então que a voz severa de Heitor soou atrás dela.

— Soube que o Felipe veio hoje e levou tudo do seu quarto?

Aurora estagnou por um momento e, sem coragem de encará-lo, respondeu de cabeça baixa: — De qualquer forma, vou me casar com o Felipe em breve, então resolvi levar algumas coisas primeiro. Como ela se lembrava desse detalhe, usou-o como uma explicação natural.

Um olhar complexo passou pelos olhos de Heitor; ele ensaiou dizer algo, mas as palavras não saíram.

Ele baixou o olhar para o topo da cabeça de Aurora e sentiu o impulso de acariciar seus cabelos, como fazia quando ela era criança.

No entanto, acabou baixando a mão, impotente, e disse com a voz embargada: — Como estão os preparativos para o casamento? Precisa de ajuda?

Aurora lembrava-se vagamente de que, desde sua confissão, aquela era a conversa mais suave que tivera com o tio. Não querendo estragar o momento, ela falou sobre o casamento com o qual sonhava desde pequena.

— Estou preparando tudo... convites azuis com girassóis impressos, um vestido de noiva azul com uma cauda longa, como uma princesa sereia...

Heitor sentiu uma irritação súbita ao ver o brilho de expectativa nos olhos dela.

Sem querer ouvir mais, ele a interrompeu franzindo o cenho: — Que bom que está preparando. Aurora, eu serei sempre seu tio, seremos sempre família e aqui será sempre sua casa.

— Sobre o que foi levado hoje, pedirei que preparem tudo novo para você...

Aurora sentiu uma pontada no peito, mas forçou um sorriso: — Não precisa, tio. De qualquer forma, não voltarei para morar aqui com frequência no futuro.

Na verdade, não era apenas uma questão de não voltar com frequência.

Ela jamais voltaria.

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